Relatório 123

De 9 a 15/3/2026

Temas:

  • Caso Lulinha
  • EUA e crime organizado no Brasil
  • Reações à fala de Ratinho sobre Erika Hilton
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 8 a 15/3/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 164 interações, totalizando 9.663 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Caso LulinhaImperou uma interpretação fortemente negativa, marcada por muita certeza quanto à culpabilidade de Lulinha. O episódio serviu para reforçar as rejeições já existentes.Houve críticas ao caso, combinadas com alguma cautela quanto ao resultado das investigações. Ainda assim, a maioria indicou que esse evento não altera o voto, pois já não pretendia apoiar Lula.O grupo demonstrou menor acompanhamento do caso e maior heterogeneidade de posições. Em geral, o episódio foi visto como mais um escândalo político, com pouco impacto na decisão de voto já inclinada contra o governo.Predominou a defesa de investigação. Parte afirmou que uma eventual condenação poderia influenciar o voto, enquanto outros consideraram o episódio pouco determinante para sua escolha.Os participantes aguardavam a confirmação das acusações. Parte deles indicou que eventuais confirmações de irregularidades poderiam pesar negativamente na avaliação do presidente e de seu campo político.Prevaleceu a percepção de que o caso é exagerado ou politizado pela cobertura pública. Mesmo admitindo investigação e possível punição, os participantes indicaram que o episódio não altera seu voto no presidente.Os participantes elaboraram suas respostas alinhados a seus grupos de pertencimento.
EUA e crime organizado no BrasilO grupo expressou total apoio à iniciativa de Trump, baseada na percepção de que o governo brasileiro é incapaz ou pouco disposto a enfrentar o crime organizado. Alguns acusaram Lula de ser apoiado e conivente com o crime organizado.Majoritariamente concordaram com a proposta, defendendo que as facções já atuam como organizações terroristas e exigem medidas mais duras. Ainda assim, parte do grupo demonstrou preocupação com possíveis interesses geopolíticos dos EUA.As opiniões foram divididas: uma parte rejeitou a medida por considerá-la interferência externa e juridicamente inadequada. A outra parte apoiou a classificação como terrorismo e a intervenção externa diante da gravidade atribuída às facções.Predominou a rejeição à proposta por razões de soberania nacional e desconfiança quanto às intenções estratégicas dos EUA. Muitos defenderam ações mais duras conduzidas pelo próprio Brasil.O grupo criticou majoritariamente a iniciativa de Trump, vista como tentativa de interferência externa, mas também cobrou maior eficácia do governo brasileiro no combate às facções.Houve rejeição praticamente consensual à proposta, baseada na defesa da soberania nacional e na crítica ao protagonismo internacional dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.Os participantes elaboraram suas respostas alinhados a seus grupos de pertencimento.
Falas de RatinhoPredominou forte concordância com a fala do apresentador, baseada na ideia de que apenas mulheres biológicas deveriam ocupar um cargo voltado à defesa das mulheres. A representação foi associada à experiência feminina a partir do sexo biológico.Apareceram duas posições: parte concordou com o argumento de que o cargo deveria ser ocupado por uma mulher biológica, enquanto outra parte criticou o tom da fala e defendeu que o trabalho político da deputada deveria ser o principal critério de avaliação.O grupo apresentou forte divisão. Uma parcela considerou a fala desrespeitosa e preconceituosa, enquanto outra concordou com a distinção biológica entre homens e mulheres e questionou a representatividade da parlamentar no cargo.Predominaram críticas ao tom da fala, vista como agressiva ou desnecessária. Ao mesmo tempo, surgiram posições intermediárias que reconheceram o debate sobre diferenças biológicas, mas defenderam avaliar a atuação política da deputada.A maioria viu a fala como preconceituosa e inadequada, destacando que a definição de mulher não pode ser reduzida a características biológicas específicas. Ainda assim, apareceram opiniões moderadas que prefeririam uma mulher cis no cargo.Houve rejeição clara à fala do apresentador, considerada machista e preconceituosa. A legitimidade da deputada foi associada ao processo político de eleição e à sua capacidade de representar e defender os direitos das mulheres.Não houve consenso. As posições acompanharam principalmente o alinhamento político dos grupos: evangélicos à direita tenderam a concordar com o argumento biológico, enquanto os mais próximos do campo progressista rejeitaram a fala por considerá-la preconceituosa.
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Pergunta 7

Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se tornou alvo da CPMI do INSS e teve os sigilos bancários e fiscais quebrados. A Polícia Federal apontou que as investigações sobre desvios em aposentadorias e pensões do INSS revelam citações a ele. A quebra de sigilo aprovada pela CPMI mostrou que duas empresas ligadas a Lulinha movimentaram aproximadamente 20 milhões de reais nos últimos quatro anos. Ele é investigado por suposta sociedade oculta com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e recebimento de "mesadas" para facilitar acessos em Brasília. Vocês estão acompanhando esse caso? E, se ele de fato for considerado culpado, isso influencia seu voto na eleição de presidente?
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Rejeição consolidada

Entre bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e parte dos indecisos conservadores, predominou uma leitura bastante crítica do episódio, frequentemente interpretado como mais um elemento que reforça percepções negativas já existentes em relação ao campo político associado ao presidente Lula. O caso foi enquadrado dentro de uma narrativa mais ampla sobre corrupção na política brasileira, frequentemente associada ao Partido dos Trabalhadores. Mesmo quando apareceram menções à necessidade de aguardar o resultado das investigações, o tom geral revelou desconfiança em relação aos atores envolvidos e uma predisposição a interpretar o episódio como confirmação de avaliações previamente estabelecidas.

No plano eleitoral, o caso apresentou baixo potencial de alterar posicionamentos dentro desse bloco de participantes, uma vez que as preferências políticas já se mostravam relativamente consolidadas, ancoradas sobretudo em rejeições ao campo lulista.

“É aquele ditado: "O fruto nunca cai longe da árvore". O caso não me deixa surpresa e não influencia no meu voto, porque não votarei em ninguém de esquerda! Acredito que essa opnião não mudará.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)

“Eu não me surpreendo com esse caso, todo partido ficar nervoso pela quebra de sigilo na CPMI foi no mínimo suspeito, porque toda comoção se não tivesse nada há esconder? não faz sentido. Jamais votaria nesse partido, todo esse caso me deixa ainda mais desconfiado de tudo que pode ter relação com ele.” (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

“Pra ser sincero, eu já vi essas notícias, mas até onde se sabe publicamente não teve confirmação de culpa definitiva em julgamento. Então eu prefiro olhar com cautela. Mesmo assim, eu já não votaria nesse partido de novo porque não concordo com o governo atual e acho que o país precisa de outra direção.”

(BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

“Estou acompanhando. Para dar uma conclusão final, prefiro esperar o desfecho da investigação, apesar de já estar na cara. Mas de qualquer forma, não iria influenciar meu voto. Já não iria votar nesse partido.” (BM, 30 anos, assistente de TI, ES)

“Como diria Cássia Eller: "Mudaram-se as estações, nada mudou". Uma hora são as rachadinhas do Flávio Bolsonaro, na outra são os desvios da aposentadoria do Lulinha, e tudo segue como se nada tivesse acontecido. (…) No meu caso, como eu não iria votar no Lula, essa investigação é irrelevante no quesito que vai influenciar meu voto.” (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

“Não estou acompanhando, mas não duvido nada. Infelizmente tem muitas coisas por debaixo do pano que a gente nem imagina! Não mudará meu voto. Só vou reforçar minhas decisões com base em tudo o que acontece.” (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)

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Abertos a reavaliação

Entre lulodescontentes e parte dos indecisos progressistas, predominou uma postura crítica em relação ao episódio, porém acompanhada de maior abertura para reavaliar posicionamentos políticos a partir do desfecho das investigações. Diferentemente dos grupos com rejeição previamente consolidada ao campo lulista, nesse segmento o caso apareceu com maior potencial de impacto eleitoral. As falas frequentemente enfatizaram a importância de apuração e comprovação das acusações antes de um julgamento definitivo, ao mesmo tempo em que indicaram que eventuais confirmações de irregularidades poderiam pesar negativamente na avaliação política e influenciar a escolha de voto.

“Não estou acompanhando, porém, vou me informar melhor sobre. Caso ele seja condenado, com toda certeza influenciará no meu voto para eleições para presidente.” (IC, 29 anos, empreendedora, RJ)

“Ouvi por alta,mais se realmente constar que foi verídico,que ele pague conforme a lei,que não tenha regalias por ser filho do presidente.

E com certeza,toda ação negativa, terá grande impacto,na hora da minha escolha na votação.” (IC, 28 anos, vendedora, AL)

“Bom dia. Tenho acompanhado o caso por portais de notícias disponíveis na Internet. E se ele for considerado culpado, penso que isso influencia sim o meu voto para eleição de presidente.” (LD, 48 anos, servidor público, PA)

“Estou acompanhando esse caso e sim, influência no meu voto.” (LD, 27 anos, entregadora, RS)

“Estou acompanhando o caso e acho que de certa forma poderia influencia no meu voto de forma negativa.” (LD, 40 anos, turismóloga, SP)

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Apoio político resiliente

Entre os lulistas, as opiniões revelaram uma postura predominantemente defensiva em relação ao caso e maior desconfiança quanto à forma como o episódio vinha sendo divulgado publicamente. Em algumas falas apareceu a percepção de que o caso estaria sendo amplificado por interesses políticos ou pela cobertura da imprensa, o que levou parte dos participantes a relativizar as acusações e a enfatizar a ausência de provas definitivas. Ao mesmo tempo, também surgiram posicionamentos que destacaram a importância de investigação e responsabilização caso irregularidades venham a ser comprovadas, indicando apoio à aplicação da lei independentemente da posição social ou política dos envolvidos.

No entanto, mesmo quando admitida a possibilidade de culpabilidade, predominou a avaliação de que o episódio não teria impacto sobre a escolha eleitoral para presidente. As falas indicaram uma tendência a separar a eventual responsabilidade individual de Lulinha da avaliação sobre o governo ou sobre a figura de Lula.

“Boa noite, sim acompanhei e estou perplexa com os duros ataques tanto aos parlamentares quanto ao Lulinha. Nossa imprensa planta suspeitas sem nenhuma prova que acabam manchando a reputação das pessoas. O escândalo dá ibope e condena uma pessoa, isso é lamentável, no caso do Lulinha tudo já foi desmentido.” (LL, 61 anos, administrador, PR)

“Tenho acompanhando atentamente e se for provado culpado, com certeza tem que sofrer as consequências de seus erros!

Mas não irá mudar meu voto no Lula!” (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)

“Estou acompanhando o caso sim. Caso ele seja considerado culpado, acredito que isso não influenciaria meu voto, pois apesar dos erros do filho, em nenhum momento o Lula foi citado no caso, ele não deve pagar pelos erros do filho.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

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Pergunta 8

O governo de Donald Trump considera enquadrar as facções criminosas brasileiras CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas, por ofertarem ameaças significativas à segurança, devido ao seu envolvimento com o tráfico de drogas, a violência e o crime transnacional. O governo brasileiro, por sua vez, tem se mostrado contrário à medida. Uma das explicações é de que grupos criminosos como PCC e CV não se enquadram na lei que trata sobre terrorismo no Brasil, em que a prática é tipificada como crimes motivados por razões religiosas, ideológicas, políticas ou de cunho preconceituoso ou xenofóbico. Além disso, a administração Lula enxerga tal classificação como brecha para interferências na soberania do Brasil e uma tentativa dos norte-americanos de se engajar na agenda política do Brasil, interferindo na campanha eleitoral próxima. O que acham dessa decisão de Trump? Concordam com ela? Por quê?
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Apoio à iniciativa de Trump

Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados — com adesão pontual entre alguns indecisos conservadores — predominou uma leitura de forte crítica à capacidade do Estado brasileiro de enfrentar o crime organizado. As falas desse bloco frequentemente partiram da premissa de que facções como PCC e Comando Vermelho já atingiram um grau de organização, violência e influência que ultrapassaria o tratamento tradicional dado ao crime comum. Nesse enquadramento, o avanço dessas organizações foi associado à percepção de fragilidade institucional, omissão governamental ou incapacidade estrutural de combate por parte das autoridades brasileiras. Nesse contexto, a iniciativa associada ao governo de Donald Trump foi vista, por muitos participantes, como uma medida legítima ou até necessária diante da dimensão atribuída ao fenômeno do narcotráfico e da violência organizada.

“Concordo com a decisão do Trump, mesmo que essas organizações não se encaixem em grupos com ideologias politicas, religiosas ou xenofóbicas, vem causando inúmeros problemas, dentro e fora do Brasil, já que tem envolvimento internacionais com drogas, utilizam de violência organizada e até mesmo estrutura militar em algumas regiões.” (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

“Olha, na minha visão faz até sentido essa posição, concordo. Aqui no Brasil o governo é omisso ou trata essas facções só como crime comum, sendo que o nível de organização, violência e influência delas já passou disso faz tempo.” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

"Concordo em genero, numero e grau com o Presidente Trump. E ainda acrescentaria outra sigla: MST. Se o que eles fazem com a populacao brasileira, nao apenas o PCC e o CV, mas tb , suas ramificacoes, nao sei mais o que eh terrorismo. Apoio totalmente e ja era para ter feito ha muito tempo!" (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

“Concordo em equiparar essas facções a terroristas, tirando o embasamento religioso, esses grupos agem com táticas de guerrilha urbana, inserem um estado de terror e alimentam não só o tráfico de drogas mas vários outros que estão relacionados.” (IC, 37 anos, professor, RJ)

"Eu acho mais que certo considerar sim enquadrar o PCC como terrorista, até porque a organização não esta mais agindo só nó Brasil, então não cabe só ao Lula considerar ou não, e ele não quer, que fique claro. Agora que trump conseguiu que outros países a apoiarem essa ideia de considerar sim, eu me sinto bem com isso, até porque um presidente tem que cuidar do seu povo não dos seus bandidos." (IC, 30 anos, autônoma, SP)

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Defesa da soberania nacional

Entre lulistas, lulodescontentes, indecisos progressistas e parte dos conservadores, predominou uma avaliação crítica à proposta associada ao governo de Donald Trump, centrada principalmente na defesa da soberania nacional. As falas indicaram que, embora haja reconhecimento generalizado de que facções como PCC e Comando Vermelho representam um problema grave de segurança pública no Brasil, a iniciativa de classificá-las como organizações terroristas por parte de outro país foi interpretada como uma forma de interferência indevida em assuntos internos. Nesse enquadramento, a medida foi vista como potencialmente capaz de abrir precedentes para pressões políticas, econômicas ou até militares por parte dos Estados Unidos.

Assim, mesmo entre aqueles que demonstraram preocupação com a expansão do crime organizado, prevaleceu a ideia de que o enfrentamento a essas organizações deve ocorrer dentro das instituições brasileiras e de acordo com o ordenamento jurídico nacional. Também apareceram nas falas desconfianças em relação às motivações do governo norte-americano, frequentemente associadas a interesses estratégicos ou geopolíticos mais amplos.

“Não concordo, o trump é presidente dos Estados Unidos e não do mundo. O Brasil é um país soberano, temos nosso ordenamento jurídico e não precisamos de um presidente de outro país interferindo nele.” (LL, 28 anos, vendedora, PA)

“Eu acredito que seria muito bom acabar com essas facções, mas entendo que de fato é uma brecha pros Estados Unidos entrar e aí vai acontecer o que vemos em vários cantos do mundo, um monte de guerras sem fim por conta do envolvimento deles.” (LD, 29 anos, professora, RJ)

“Acho um absurdo, e não concordo com a decisão do presidente Donald Trump, pois o Brasil é soberano, então acredito que o Brasil deva se encarregar desse problema, e não os EUA.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Discordo totalmente da decisão tendo em vista que a definição de grupo terrorista por si só já é complicada de ser conceituada e não sou eu só que penso assim. Essa posição do governo americano ao meu ver só é mais uma desculpa e narrativa para eles fazerem o que bem e entenderem e continuarem se envolvendo em mais guerras e invadindo territórios." (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Acho a decisão do Trump ridícula, ele deseja tipificar os grupos criminosos no Brasil como terroristas para ter a possibilidade de vir com intervenções ou sanções, sendo que as próprias gangues estadunidenses são tão perigosas quanto, mas são um problema que ele joga pra debaixo do tapete. Eu concordo que os grupos criminosos no Brasil são um problema gigante, mas eles precisam ser resolvidos de forma responsável, respeitando a vida dos brasileiros e os interesses gerais do Brasil." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

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Pergunta 9

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados elegeu, nesta quarta-feira (11), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para presidir o colegiado neste ano. Ela recebeu 11 votos, e houve dez votos em branco. No discurso de posse, ela lembrou que é a primeira mulher trans a presidir a comissão. Ela disse que pretende conduzir a gestão com diálogo e defesa dos direitos das mulheres. Ao comentar o cargo da parlamentar, o apresentador do SBT disse, em seu programa de TV, que Hilton “não é uma mulher”. “Ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”. O que vocês acham da fala do apresentador? Concordam com ele?
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Concordância com a fala e defesa de uma definição biológica de mulher

Unanimemente entre os bolsonaristas convictos e por parte dos bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, predominou uma leitura favorável à fala do apresentador Ratinho, interpretada como uma afirmação considerada factual sobre diferenças biológicas entre homens e mulheres. As opiniões tenderam a organizar-se em torno da ideia de que a definição de mulher estaria ancorada no sexo biológico e, portanto, na experiência feminina desde o nascimento. A partir dessa perspectiva, a presidência de uma comissão dedicada aos direitos das mulheres foi frequentemente entendida como um espaço que deveria ser ocupado por alguém que compartilhasse dessa vivência, considerada essencial para compreender plenamente os desafios enfrentados pelas mulheres ao longo da vida.

Ainda que a concordância com o argumento central tenha sido predominante, apareceram algumas ressalvas pontuais relacionadas à forma como a declaração foi feita. Parte dos participantes reconheceu que o tom utilizado poderia ter sido excessivamente duro ou provocativo para um programa de televisão, mas manteve a avaliação de que o conteúdo da fala expressava uma opinião legítima ou uma verdade biológica.

"Eu concordo com a fala do apresentador, biologicamente falando ela não é uma mulher e ponto final, não tem muito oque comentar a respeito." (BC, 24 anos, enfermeira, GO — evangélica)

"Concordo plenamente com a fala do apresentador. Felipe Santos da Silva (Erika Hilton) não representa as mulheres!" (BC, 44 anos, do lar, MT — evangélica)

"Sou a favor do apresentador. Também sou contra já que a(o) Erika Hilton não é uma mulher. Erika Hilton não está em lugar de fala. Não me representa." (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)

"Sinceramente, essa pergunta não vou responder. nao por preconceito, mas sim pelo OBVIO: Mulher é Mulher e Homem é Homem e ponto." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

"Concordo com a fala, mesmo que a verdade incomode, ele falou a verdade, isso é ciência, biologicamente homens e mulheres possuem corpos e genética diferentes." (IC, 37 anos, professor, RJ)

"Não vou querer levantar pauta aqui sobre o assunto do que ela é ou até mesmo se acha ser. Mas uma coisa é certa cada um tem sua própria opinião e eu acredito que o apresentador foi muito coeso na sua fala." (IC, 45 anos, representante comercial, PE)

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Posições intermediárias e focadas em resultados

Entre parte dos bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e indecisos progressistas, as opiniões apareceram marcadas por maior ambivalência. Predominou a percepção de que o apresentador utilizou um tom inadequado ou desrespeitoso para tratar de um tema sensível, especialmente por se tratar de uma manifestação feita em rede nacional por uma figura pública. Ainda assim, muitos participantes evitaram uma rejeição completa ao conteúdo da fala, reconhecendo que o debate sobre identidade de gênero, sexo biológico e representatividade feminina envolve questões complexas e sujeitas a interpretações distintas na sociedade.

Nesse sentido, as falas trouxeram reflexões mais cautelosas sobre as diferenças entre as experiências de mulheres cisgênero e pessoas trans, sem assumir posicionamentos categóricos em defesa da pauta de gênero ou da causa trans. O que apareceu com maior frequência nesses grupos foi a ideia de que a avaliação da parlamentar deveria se concentrar principalmente em sua atuação política e em sua capacidade de cumprir as funções do cargo e defender os direitos das mulheres. Assim, mais do que uma defesa ativa da pauta identitária, predominou uma abordagem pragmática, centrada na qualificação e no desempenho político da deputada.

"Sinceramente achei a fala bem pesada. Mesmo que a pessoa tenha opinião diferente, falar desse jeito em TV aberta é desnecessário." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP — evangélico)

"Assunto polêmico e delicado. Acho que o apresentador, como formador de opinião, não deveria ter dito isso, e não da forma que disse. Eu me importo mais se ela é competente pra exercer a função do que se é homem, mulher ou trans" (BM, 29 anos, advogada, SP)

"Não concordo com a fala dele, foi sim homofóbica. Respeitar o próximo mesmo não concordando, é fundamental." (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)

"Achei a fala dele desrespeitosa. Independente do sexo/gênero da pessoa não se deve associar exclusivamente a sua formação ou composição para assumir um cargo." (IC, 29 anos, professor, RJ — evangélico)

"Eu acho que a fala do apresentador foi agressiva, apesar de concordar em partes." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ — evangélica)

"Eu não achei nada demais as falas dele, não diminuiu a mulher. Só acho que estamos no momento muito delicado na questão da misoginia e qualquer fala será usada de forma mais pesada. Como somos um país democrático e Erika Hilton ganhou a eleição, acho certo sim ela presidir. Tem coisas mais importantes do que esse assunto."" (IP, 32 anos, técnico em logística, SP — evangélico)

"Eu acho que o apresentador foi muito machista, transfobico e infeliz em seu comentário, principalmente dentro de um programa nacional,onde aborda notícias diárias e de diversos assuntos. Eu concordo parcialmente com o apresentador,pois a Erika biologicamente não é mulher,por essa razão podera encontrar certas dificuldades em determinados assuntos que defendem a mulher."" (IP, 46 anos, vendedora, RS)

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Rejeição à fala e defesa da legitimidade política da parlamentar

Entre lulistas, lulodescontentes e parte dos indecisos progressistas, predominou uma rejeição clara à fala do apresentador, frequentemente interpretada como preconceituosa, desrespeitosa ou inadequada para o debate público. As opiniões tenderam a enfatizar que declarações desse tipo reforçam estigmas e contribuem para a deslegitimação de identidades e trajetórias políticas. Também apareceu com frequência a crítica ao fato de a manifestação ter sido feita em um programa de televisão, sendo avaliada como uma exposição desnecessária de opinião pessoal por parte de uma figura pública com grande alcance.

Além disso, as falas desse segmento frequentemente deslocaram o foco da discussão para a legitimidade institucional do cargo ocupado pela parlamentar. Nesse sentido, foi recorrente o argumento de que a presidência da comissão se trata de uma função política definida por meio de votação entre parlamentares e que, portanto, sua legitimidade deriva do processo democrático e da capacidade de atuação em defesa das pautas relacionadas aos direitos das mulheres. A identidade de gênero da deputada apareceu, nesse contexto, como um aspecto secundário em relação à sua atuação política, sendo frequentemente interpretadas as críticas dirigidas a ela como expressões de preconceito ou resistência à ampliação da diversidade na representação institucional.

"Discordo totalmente do posicionamento do apresentador. Ele tem que guardar a opinião dele pra ele! Totalmente antiético... Um absurdo sua fala machista e preconceituosa." (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ — evangélica)

"Discordo do apresentador, uma vez que a função exercida pela Dep Erika é político e nesse caso o que vale é a capacidade de representação política." (LL, 38 anos, representante de atendimento, AL)

"Achei a fala preconceituosa e equivocada. Muitas mulheres não têm útero ou não menstruam, e isso não as torna menos mulheres." (LD, 27 anos, entregadora, RS)

"Considero que a fala do apresentador externa uma visão discriminatória e não concordo com ela porque transfigura homofobia e machismo." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Achei um absurdo ele falar isso... Foi uma boa decisão ela ter sido eleita, nós precisamos de alguém que nos entenda e lute pelas mesmas causas." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Achei que o apresentador foi muito machista, transfóbico e infeliz em seu comentário, principalmente dentro de um programa nacional." (IP, 46 anos, vendedora, RS)

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Considerações finais

O episódio envolvendo Lulinha evidenciou que a interpretação do caso e seu potencial impacto eleitoral variaram significativamente de acordo com o posicionamento ideológico dos participantes. Entre segmentos com rejeição consolidada – bolsonaristas convictos, bolsonaristas moderados e indecisos conservadores –, o caso foi interpretado sobretudo como confirmação de percepções já estabelecidas sobre corrupção na política, sem produzir alterações relevantes nas intenções de voto. Entre lulistas, predominou a separação entre a eventual responsabilidade individual do investigado e a avaliação sobre o presidente, o que reduziu o impacto do episódio sobre suas escolhas eleitorais. Nesses quatro grupos, o episódio funcionou principalmente como elemento de reforço de identidades políticas e de narrativas consolidadas, tendo baixo potencial de reconfigurar escolhas eleitorais. Os impactos ocorreram de forma significativa nos eleitores dos grupos de lulodescontentes e indecisos progressistas, cujos participantes demonstraram maior sensibilidade ao tema, inclusive no que toca a decisão do voto, caso haja comprovação das acusações, em prejuízo das candidaturas associadas ao governo.

A segunda questão da semana trouxe uma preocupação recorrente entre os grupos: houve amplo reconhecimento de que facções como o PCC e o Comando Vermelho representam um problema grave de segurança pública no Brasil. Independentemente do posicionamento sobre a proposta associada ao governo norte-americano, a maioria das falas partiu da percepção de que o crime organizado exerce forte influência social e territorial, produzindo violência, medo e instabilidade, e de que medidas urgentes e mais contundentes no seu enfrentamento precisam ser tomadas. As divergências surgiram principalmente em torno do papel que atores externos poderiam ou não desempenhar nesse processo. Entre participantes mais alinhados à direita, predominou maior abertura à iniciativa de Trump, frequentemente associada à percepção de fragilidade e ineficiência do Estado brasileiro no combate às facções. Já entre os demais participantes, incluindo a maioria dos indecisos, a proposta foi amplamente rejeitada, por ser interpretada como tentativa de interferência externa, com implicações geopolíticas desconhecidas e potencial ameaça à soberania nacional.

Por fim, as reações ao episódio entre Ratinho e Érika Hilton indicam que temas relacionados a gênero e representação política mobilizam percepções distintas, mas não necessariamente colocadas no mesmo plano de debate. As opiniões se organizaram a partir de diferentes critérios de julgamento — como referências biológicas, experiências de vida e desempenho político. O episódio revelou, sobretudo, a coexistência de interpretações ambivalentes, com a maior parte dos participantes rejeitando o tom da fala, mas sem necessariamente assumir uma posição definida sobre a questão de fundo.

Entre os bolsonaristas convictos e parte dos moderados, predominou uma leitura favorável ao conteúdo da fala do apresentador, baseada sobretudo na ideia de que a representação institucional das mulheres deveria estar associada à experiência biológica e social vivida desde o nascimento. Nesse segmento, o debate foi frequentemente estruturado de forma direta em torno da distinção entre sexo biológico e identidade de gênero, com os participantes assumindo posicionamentos mais definidos sobre essa questão.

Já entre os demais participantes prevaleceu uma interpretação crítica à fala de Ratinho, frequentemente classificada como preconceituosa, transfóbica ou inadequada para o debate público. Nesses grupos, contudo, observou-se um deslocamento do foco da discussão: em vez de uma tomada de posição direta sobre a questão de gênero, as falas priorizaram a legitimidade política da eleição da parlamentar e sua capacidade de atuação institucional, sem adentrar no debate sobre a questão trans e de gênero.

Por fim, considerando o conjunto dos seis blocos, os participantes evangélicos não apresentaram um padrão único de posicionamento, e suas opiniões variaram principalmente de acordo com o alinhamento político do grupo ao qual pertenciam. Em termos analíticos, a variável religiosa mostrou-se menos determinante do que o posicionamento político, que também influenciou o grau de disposição dos participantes em entrar, ou evitar, o debate direto sobre gênero.

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Distribuição da Participação

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 123