


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Uso de IA | O uso da IA foi considerado legítimo e a reação do STF, desproporcional e persecutória. Mesmo entre os que acreditaram que Bolsonaro sabia do vídeo, isso não foi visto como problema, e a explicação de Flávio foi relativizada como forma de proteger o pai. | O vídeo não foi considerado grave, sobretudo por estar identificado como IA. Houve divisão sobre Bolsonaro conhecer previamente o material, mas mesmo os que desconfiaram da explicação atribuíram pouca gravidade ao episódio. | Predominou a avaliação de que a identificação da IA tornava a iniciativa pouco problemática e de que a reação do STF foi excessiva. Uma minoria, porém, interpretou o recurso como forma de contornar as restrições impostas a Bolsonaro. | Houve forte consenso de que Bolsonaro conhecia o vídeo e de que a justificativa de Flávio não era crível. A IA foi interpretada como estratégia para contornar as restrições judiciais e manter Bolsonaro participando indiretamente da campanha. | Predominou a avaliação de que o vídeo criou uma controvérsia desnecessária e poderia prejudicar Flávio e a situação jurídica do pai. A maioria também não acreditou que Bolsonaro desconhecesse previamente o material. | O vídeo foi interpretado como tentativa de contornar as restrições, manter Bolsonaro eleitoralmente ativo e alimentar sua narrativa de perseguição. Houve forte descrença na alegação de que o ex-presidente desconhecia o material. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Declarações de Renan Santos | Predominou a crítica ao tom radical e à inviabilidade de “matar quem roubar”, embora parte compartilhasse a percepção de leis brandas e excesso de benefícios. O discurso encontrou alguma ressonância nos problemas apontados, mas pouca adesão às soluções propostas. | A maioria rejeitou a violência letal e defendeu maior firmeza na segurança dentro da legalidade. Nos benefícios, prevaleceu a proposta de reformulação e foco em quem realmente precisa, em vez de sua eliminação. | A maioria considerou as falas radicais, inconstitucionais e voltadas a gerar engajamento, mas uma parcela aderiu ao endurecimento penal e à revisão dos benefícios. Também houve cobrança para que eventuais punições atingissem igualmente políticos e outros grupos privilegiados. | Houve rejeição à ideia de matar criminosos, ainda que alguns defendessem penas mais severas. Os benefícios foram considerados necessários, com preferência por ampliar emprego, qualificação e oportunidades para reduzir gradualmente a dependência. | As declarações foram consideradas extremistas, pouco viáveis e incompatíveis com os limites democráticos e constitucionais. Parte interpretou o discurso como tentativa de mobilizar eleitores bolsonaristas, defendendo reforma, e não extinção, dos benefícios. | O grupo classificou o discurso como autoritário, inconstitucional e socialmente perigoso, criticando inclusive sua capacidade de estimular a violência. Defendeu os benefícios sociais e enfatizou pobreza, desigualdade e falta de oportunidades como questões centrais. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Acusações a Gaspar | Predominou a descrença na acusação e a avaliação positiva de Gaspar, mas parte considerou sua escolha arriscada por fornecer munição aos adversários e potencialmente prejudicar Flávio. | Predominou a percepção de que uma acusação tão grave gera desgaste e pode retirar votos, mesmo antes de comprovada. Parte, porém, separou a denúncia da atuação política de Gaspar e manteve avaliação positiva da escolha. | A escolha foi considerada ruim pela gravidade da acusação e pelo desgaste que pode produzir. Também apareceu a percepção de que Flávio teve poucas opções de vice e acabou escolhendo um nome que fragiliza ainda mais sua candidatura. | A indicação foi amplamente condenada e interpretada como falta de cuidado de Flávio, reforçando avaliações negativas já existentes. O impacto eleitoral individual foi pequeno porque a maioria já rejeitava sua candidatura. | A acusação tornou a escolha de Gaspar especialmente negativa, enquanto sua indicação foi vista como sinal da dificuldade de Flávio em atrair aliados mais competitivos. Predominou a expectativa de desgaste eleitoral. | A escolha foi interpretada como coerente com a imagem negativa já atribuída a Flávio e ao seu campo político. A acusação aprofundou as críticas, especialmente em relação às mulheres, mas pouco alterou avaliações e votos já consolidados. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |

Durante a convenção que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, foi exibido um vídeo produzido com inteligência artificial que simulava a imagem e a voz de Jair Bolsonaro. Logo no início, o vídeo informava que se tratava de uma simulação feita por IA, e não de um pronunciamento real do ex-presidente. No vídeo, Bolsonaro pedia apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Como Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está submetido a restrições impostas pela Justiça, a exibição do vídeo levou o STF a solicitar esclarecimentos sobre o episódio. Após a repercussão, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que Jair Bolsonaro não tinha conhecimento prévio de que o vídeo seria exibido no evento.
O que você achou dessa iniciativa? Vocês acreditam na explicação de Flávio sobre o pai desconhecer o material?

Nos dois grupos bolsonaristas, o uso da inteligência artificial foi amplamente relativizado e não apareceu como o aspecto central da controvérsia. A sinalização explícita de que se tratava de conteúdo produzido por IA reduziu a percepção de que pudesse haver engano ou irregularidade relevante. Nesse contexto, a atenção dos participantes se deslocou para a atuação do STF, que foi considerada excessiva e desproporcional diante da natureza do episódio. Entre os bolsonaristas convictos, essa avaliação assumiu contornos mais intensos, inserindo o pedido de esclarecimentos em uma percepção mais ampla de perseguição política e de tratamento desigual entre campos políticos.
A explicação de Flávio Bolsonaro de que o pai desconhecia previamente o material produziu maior dispersão, especialmente entre os moderados. Nos dois grupos houve participantes que consideraram possível que Jair Bolsonaro soubesse do vídeo, sem que isso alterasse substancialmente a avaliação da iniciativa. Assim, a credibilidade da justificativa apresentada pela campanha se mostrou menos importante do que a percepção sobre a legitimidade do próprio vídeo: mesmo quando houve desconfiança em relação à versão de Flávio, o eventual conhecimento de Bolsonaro não foi interpretado como elemento suficiente para tornar a iniciativa condenável.
"Bom dia; vejo esse pedido de esclarecimento como perseguição em ano politico, infelizmente o STF não está cumprindo seu papel, a suprema corte está agindo de forma política, abre os olhos para a Direita, e fecha para os escândalos da esquerda. Queria saber eu que rumo tomou o escândalo do INSS, Banco Master, esse Brasil está uma verdadeira bagunça." (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)
"Flavio fez o que devia fazer na atual situação, dizendo que o pai não tinha conhecimento do vídeo feito com IA.
O vídeo mostra desde o início que se tratava de uma imagem gerada por IA, não tentando enganar quem o assistia.
O que fica evidente é que o esforço enorme do STF para calar Bolsonaro já perdeu qualquer vergonha de deixar explícito o seu trabalho a favor de Lula.
Esse esforço do STF pode ser considerado normal? É legal?" (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Eu acho que Bolsonaro sabia da existência do vídeo sim já que é um conteúdo central ao evento em que aparece ele declarando apoio ao filho é um jogo de estatística sobre eleição que está vindo aí." (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Bom dia..Não sei se acredito nessa explicação. Acho estranho um vídeo desses passar sem o conhecimento dele. Vamos ver o que a investigação mostra." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"É possível sim que ele não tenha tido conhecimento prévio, até por que ele está sem receber visitas,políticas ,mas eu acho que não teria nada demais o vídeo,afinal ele foi produzido por IA e não ele falando pessoalmente." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"Creio que Bolsonaro sabia sim do vídeo porém não vejo nada de mais se tratando de uma I.A em um ato interno de campanha" (BM, 38 anos, professor , SP)

Entre os indecisos conservadores, predominou a avaliação de que a utilização do vídeo não constituiu um problema relevante, principalmente porque o conteúdo havia sido explicitamente identificado como produzido por inteligência artificial. A maior parte do grupo considerou a reação do STF desproporcional à gravidade do episódio e questionou a prioridade atribuída ao caso. Nesse aspecto, os participantes se aproximaram das avaliações observadas entre os bolsonaristas, inclusive com manifestações de desconfiança em relação à atuação da Justiça e percepções de tratamento político desigual.
Ao mesmo tempo, o grupo apresentou maior diversidade de interpretações sobre os limites do uso da IA diante das restrições judiciais. Uma parcela entendeu que a tecnologia poderia ter sido utilizada para reproduzir artificialmente uma manifestação que Bolsonaro estava impedido de realizar diretamente, caracterizando uma tentativa de contornar as determinações impostas a ele. Nessa perspectiva, também surgiu preocupação com as implicações mais amplas desse precedente para o cumprimento de decisões judiciais. A explicação de Flávio de que o pai desconhecia o material também encontrou resistência entre esses participantes, que interpretaram a negativa como uma possível tentativa de evitar consequências para o ex-presidente.
"Não vejo nada demais nesse caso em específico, um vídeo de IA (claramente escrito que era IA, eu vi na rede social), ser usado. O STF deveria se preocupar com algo mais importante. Mesmo se o Bolsonaro pai tivesse conhecimento do vídeo, não vejo problema nenhum, o que ele não pode é gravar um né..." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Realmente, parece que o STF não tem mais nada de importante pra fazer além de regular os passos do Flávio e do PL. Sendo ou não autorizado pelo pai, está claro que é IA, além disso, o mundo inteiro sabe do apoio do pai na campanha do filho." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Além de ser apelativo, a forma como o próprio filho usou a imagem do pai na minha opinião foi totalmente desnecessáriaz pois claramente ele fez isso para alfinetar o judiciário sabendo da proibição do pai. Não sabemos se o mesmo tem ciencia da questão (mas não duvido que tenha sido proposital). Não acredito na explica do Flávio pois ele procurou formas de burlar a proibição" (IC, 29 anos, professor, RJ)

Nos três grupos progressistas - indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma avaliação crítica da iniciativa e uma forte descrença na explicação de que Jair Bolsonaro desconhecia previamente o vídeo. A utilização de sua imagem e voz em uma manifestação diretamente relacionada à candidatura do filho tornou pouco plausível, para esses participantes, que o material tivesse sido produzido e exibido sem algum grau de conhecimento do ex-presidente. Diferentemente dos segmentos anteriores, a identificação explícita do conteúdo como produzido por IA não foi suficiente para afastar os questionamentos. A controvérsia esteve menos associada à possibilidade de enganar o público e mais à utilização da tecnologia para permitir, ainda que de maneira artificial, a participação política de alguém submetido a restrições judiciais.
Apesar dessa convergência, os grupos diferiram na ênfase atribuída ao episódio. Entre os lulodescontentes, prevaleceu uma leitura mais pragmática, segundo a qual a iniciativa foi desnecessária e imprudente, produzindo novos problemas para Flávio e para a situação jurídica do pai sem oferecer ganhos políticos evidentes. Entre os indecisos progressistas e lulistas, ganhou maior força a interpretação de que o recurso à IA representou uma tentativa deliberada de contornar as restrições, mantendo a imagem de Bolsonaro ativa na campanha e mobilizando seu capital político em favor do filho. Nesse último grupo, essa interpretação assumiu ainda um sentido político mais amplo, associando o episódio à estratégia de reforçar a condição de perseguido e mobilizar seus apoiadores.
"Acho que a atitude de Flávio Bolsonaro foi equivocada e prejudicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro,pois de acordo com as normas para sua prisão,sua imagem não poderia mais veiculada em nenhum formato e principalmente na política,já que poderia ser interpretada como campanha.
Acredito que não teria como Bolsonaro não saber,aseja pelo próprio filho ou por seus advogados.
Talvez os advogados e o próprio Jair pensaram que por se tratar de IA não teria a compreensão que seria ele." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Acho que eles se fazem de “desentendidos”, pois já foram aplicadas tantas medidas mediante ao descumprimento de ordens judiciais, e eles persistem. Eu duvido que o Jair não saiba, afinal, ele adora o papel de coitado, perseguido, reprimido, e etc.. pra mim, ele agiu em conjunta para/com esse video." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)
"Olá, pessoal. Penso que essa iniciativa é vedada pela legislação e não devesse ser utilizada. Também não acredito na explicação de Flávio sobre o pai desconhecer o material." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Boa noite! Foi uma atitude infeliz em usar esse tipo de material, pois todos ja sabem do posicionamento do bolsonaro a favor do filho, isso só prejudica os dois nesse momento e não acredito nessa desculpa em desconhecer o vídeo que foi divulgado." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"Honestamente, não sei se acredito ou não, mas com certeza é apenas uma maneira de polemizar e voltar novamente a narrativa de perseguido político." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"É claro que o Bolsonaro sabia e é claro que isso viola as condições estabelecidas para que o regime de prisão domiciliar fosse cumprido. O que mais me espanta não é nem a ousadia deles de fazerem algo assim, mas a certeza de que nada irá acontecer e não haverá nenhuma punição por mais essa infração.
Que possamos nessa eleição enterrar de vez o Bolsonarismo para que esse tipo de ação fique no livro de história e não precisemos mais conviver com tais atitudes totalmente antidemocráticas." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

Durante a convenção de oficialização de sua candidatura à Presidência de 2026, em São Paulo, Renan Santos afirmou que seu governo utilizará violência letal e "vai matar quem roubar" e também "que não ofertará auxílios ou benefícios". Após assistir ao vídeo, respondam:
O que vocês acham dessa declarações?

Entre os bolsonaristas convictos e moderados, as declarações de Renan Santos tiveram recepção predominantemente crítica, sobretudo pela radicalidade da proposta de “matar quem roubar”. Nos dois grupos, prevaleceu a percepção de que o candidato havia extrapolado ao transformar a insatisfação com a segurança pública em uma proposta considerada juridicamente inviável e inadequada para um candidato à Presidência. Essa rejeição, entretanto, não significou discordância com o diagnóstico sobre a criminalidade. Houve reconhecimento de que a insegurança constituía um problema grave e demanda por maior rigor no combate ao crime, com preferência pelo endurecimento das leis e das punições dentro dos limites institucionais. Também apareceu a percepção de que o tom agressivo havia sido utilizado deliberadamente para chamar atenção e dialogar com uma população insatisfeita com a violência, o que contribuiu para que parte dos participantes enxergasse as declarações mais como narrativa eleitoral do que como proposta efetivamente realizável.
Em relação aos benefícios sociais, os dois grupos demonstraram maior proximidade com a crítica apresentada pelo candidato do que com sua proposta de simplesmente eliminá-los. Houve receptividade à ideia de reduzir a dependência da população em relação ao Estado e priorizar emprego, renda e autonomia econômica, mas sem consenso sobre a extinção dos programas. Essa posição apareceu de maneira mais clara entre os bolsonaristas moderados, que defenderam a manutenção dos benefícios para quem efetivamente necessitasse deles, acompanhada de maior focalização, reformulação e estímulos à inserção no mercado de trabalho.
"Acho que ele exagerou em dizer que vai matar quem roubar, mas não seria uma má ideia não, do jeito que o nosso país está infestado de ladrões a começar por Brasília, e quem já foi assaltado sabe o ódio que dá ter que pagar parcelas de carro ou celular financiado que foi roubado. Mas achei que esse discurso não vai colar, ele se empolgou e falou o que sentiu vontade de falar, mas na prática não é assim que funciona, nossas leis são muito brandas com crimes de roubo." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Bom, ele de fato exagerou mas, mas na verdade ele usou uma metáfora, um gancho, o que ele quis dizer de fato é que se entregou, prendeu, resistiu, morreu, uma ideia talvez a ser planejada, mas presidente não tem poder para fazer algo desse tipo de coisa, o presidente precisa seguir a constituição, quem faz as leis é o legislativo e uma proposta dessa por si somente já demonstra o despreparo dele. Isso soa pra mim so como uma promessa de politica." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Acho que podem ser declarações extremadas mas refletem o que a população não aguenta mais: uma sociedade tomada pela insegurança pública, pelo medo, pelo crime. Todas as outras propostas não surtiram efeito então essa "pegada" mais radical talvez seja a saída. Quanto aos auxílios também acho que precisa ser reformulados, extintos não mas reformulados" (BM, 38 anos, professor , SP)
"Bom dia...Não concordo. Segurança pública precisa de firmeza, mas sempre dentro da lei. E os benefícios sociais devem continuar para quem realmente necessita." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Tem que proteger o cidadão de bem com isso eu concordo.
Em questão dos benefícios sociais acho que teria que dá por um tempo pra quem precisa e com uma condição (promover cursos profissionalizantes e a pessoa fazer e ter outro programa que ajuda a pessoa arrumar um emprego )" (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)

Entre os indecisos conservadores e progressistas, predominou a rejeição à defesa da violência letal como resposta à criminalidade, considerada excessiva, incompatível com a legislação e pouco consistente como política de segurança pública. Nos dois grupos, essa rejeição conviveu com a percepção de que havia espaço para punições mais rigorosas e maior efetividade no combate ao crime, diferenciando o endurecimento das penas da eliminação física dos criminosos. Também houve desconfiança em relação à natureza das declarações, interpretadas por parte dos participantes como um discurso radicalizado destinado a produzir impacto, engajamento e visibilidade eleitoral. Os indecisos conservadores, entretanto, apresentaram maior heterogeneidade, com uma parcela que demonstrou adesão mais intensa ao endurecimento penal e considerou legítima uma mudança profunda nas regras atuais, enquanto entre os progressistas a rejeição à violência apareceu de maneira mais convergente.
Em relação aos benefícios sociais, os dois grupos demonstraram alguma identificação com a ideia de que o Estado deveria ampliar as condições para que a população conquistasse autonomia por meio do trabalho, da qualificação e da geração de renda, mas isso não se traduziu em apoio predominante à retirada dos auxílios. Entre os progressistas, sobretudo, prevaleceu a compreensão de que os benefícios continuavam necessários diante das dificuldades econômicas e da falta de condições para que todos ingressassem no mercado de trabalho, fazendo com que a redução da dependência devesse ocorrer pela ampliação das oportunidades, e não pela supressão da assistência.
"Eu acho essas declarações lamentáveis, não se faz política pública assim, mas falar que vai "matar quem roubar" pra ladrão de celular é fácil, quero ver ele manter esse discurso entre os seus pares, falar que vai matar o político que roubar, matar o empresário roubando dinheiro superfaturando licitações, matar esses grandes sonegadores de impostos, matar diversos ladrões da classe dominante os quais a classe política pactua." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Considero as declarações dele mais jogada política pois sabemos que se essa possível punição existisse mais da metade dos políticos não estaria mais entre nós, sem contar que isso vai conta a constituição pois não existe pena se morte no nosso país, então vejo mais como uma atitude para gerar engajamento na carreira dele do que de fato uma declaração com fundo de verdade" (IC, 29 anos, professor, RJ)
"As declarações que o candidato Renan Santos fez são boas,pois também acredito que o governo não tem que dar as coisas,mas sim oferecer estrutura,qualificação e qualidade de vida para população poder conquistar,casa,carro e o celular.
No entanto, a frase final que ele declarou foi muito infeliz,pois matar uma pessoa que não matou para roubar o celular,também não deveria morrer por isso e sim pagar pelo que fez com punições ou até mesmo a cadeia." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Pra mim esse papo de vai matar quem roubar é bem absurdo kkkkk. Segurança não é sair matando, tem lei, Justiça e punição pra isso. E esse papo de acabar com todo auxílio também é complicado, pq tem muita gente que realmente precisa. Achei um discurso mais de impacto pra arrancar aplauso do que uma proposta séria. Explorando o medo e a inseguranca das pessoas pra ganhar voto." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

Entre os lulodescontentes e lulistas, houve rejeição ampla às declarações de Renan Santos, tanto em relação à forma quanto ao conteúdo das propostas apresentadas. A defesa da violência letal foi considerada extremista e incompatível com os princípios democráticos, constitucionais e institucionais que limitavam a atuação de um presidente. A insatisfação com a criminalidade não produziu identificação relevante com a solução proposta pelo candidato, prevalecendo a defesa de políticas de segurança e punições que respeitassem os limites legais. Também apareceu com maior força a preocupação com os efeitos políticos desse tipo de retórica. Entre os lulodescontentes, o discurso foi interpretado principalmente como uma tentativa de mobilizar uma parcela mais radicalizada da direita e de se aproximar do eleitorado bolsonarista, enquanto os lulistas atribuíram às declarações um caráter mais claramente autoritário e demonstraram preocupação com sua capacidade de legitimar ou estimular comportamentos violentos.
A rejeição também se estendeu à proposta de retirada dos benefícios sociais. Nos dois grupos, prevaleceu a percepção de que a vulnerabilidade e a desigualdade existentes no país tornavam necessária a manutenção da proteção social, ainda que entre os lulodescontentes tenha aparecido alguma abertura à reformulação dos programas. Entre os lulistas, essa posição esteve associada de maneira mais clara a uma interpretação estrutural dos problemas sociais, relacionando criminalidade e dependência dos auxílios à pobreza, à desigualdade e à falta de oportunidades.
"Tenho a impressão que o Renan tem uma Campanha meio Frankstein. Ao mesmo tempo que tenta abrir espaço com os progressistas, faz um discurso que abraça a direita. Não compactuo com sua fala. Mas esse discurso inflama uma parcela da população que se identifica com o Bolsonarismo" (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
"E um discurso bem inflamado, mas essas falas cabe muito bem a um cidadão brasileiro revoltado com a situação do seu país. Mas esta fora de contexto para um candidato a presidência, pois o Brasil tem muita desigualdade social não e com essa pronuncia de governo que vai mudar a nossa realidade." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"As declarações de Renan Santos são literalmente fascistas e contra a lei, ele vai contra direitos já garantidos e contra a própria constituição brasileira que proíbe a pena de morte em caso de paz. A candidatura deste ser deveria ser impedida." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Que coisa asquerosa, até para o nível deles esse tipo de comentário é baixo e vil! Não me causa espanto, infelizmente, mas uma repulsa imediata com esse tipo de pensamento. Como se o problema de criminalidade no Brasil fosse de segurança pública e não desigualdade social. Já foi provado por N estudos o quanto que violência, insegurança e criminalidade tem um fator essencial com o nível de pobreza no pais. Mesmo não me preocupando com a sua possibilidade de ser eleito, que é nula, esse tipo de discurso gera reações imediatas e consequências sociais terríveis, pois há muita gente que pensa assim e que vai matar o outro em defesa da sua segurança e seguindo o que o candidato falou.
Por isso eu penso que esse tipo de fala deveria ter alguma reação, você não pode sair falando que vai matar as pessoas e sair disso impune, a liberdade desse tipo de discurso é extramamente grave para a democracia." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta quarta-feira (5/8) que terá o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato ao cargo de vice-presidente em sua chapa. Imediatamente surgiram notícias de que Gaspar é acusado de estupro de uma adolescente que teria ocorrido anos atrás. A relação não consensual teria resultado no nascimento de um filho do parlamentar com a menor de idade. O caso encontra-se em processo de investigação desde abril, quando Gaspar fez um teste de DNA.
O que vocês acham da escolha do vice de Flavio? Essa acusação impactada a avaliação de vocês?

Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma avaliação favorável da escolha de Alfredo Gaspar, acompanhada de forte descrença em relação à acusação. De modo geral, os participantes interpretaram a denúncia a partir de uma percepção prévia de perseguição política contra nomes da direita, atribuindo sua repercussão a uma tentativa dos adversários de desgastar a chapa. Nesse contexto, a acusação teve baixa capacidade de comprometer a imagem de Gaspar entre a maior parte do grupo, que preservou uma avaliação positiva de sua trajetória e atuação política. A controvérsia foi incorporada, assim, a uma narrativa mais ampla de que candidatos ligados ao campo bolsonarista estariam sujeitos a acusações e ataques durante a disputa eleitoral.
Apesar dessa defesa, houve ressalvas relevantes quanto à conveniência eleitoral da escolha. Mesmo entre participantes que desacreditaram a acusação, apareceu a preocupação de que sua existência pudesse produzir desgaste durante a campanha, oferecer argumentos aos adversários e dificultar a disputa de Flávio. Para uma parcela do grupo, portanto, a questão central não esteve necessariamente na veracidade da denúncia, mas no risco político de escolher um vice que já chegava à chapa associado a uma controvérsia grave.
"Não parece ser uma decisão sábia, ser associado a uma pessoa que cometeu tal crime, é uma mancha na imagem que nunca mais vai sair e sempre será lembrado. Espero que Flávio mude de idéia enquanto ainda é tempo." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Essa história foi esclarecida pelo Alfredo Gaspar, aconteceu quando eram adolescentes, mas a esquerda tentou parar o Alfredo Gaspar que estava a frente da cpmi do INSS e chegou nos petistas e no filho do Lula, tem até um vídeo do Lindenberg e Soraia Tronic tramando contra o Gaspar o jeito que iriam passar essa informação. Na minha opinião, mesmo que tudo foi esclarecido, acho que deveria ser outro vice porque a esquerda vai bater fundo nesse assunto e pode prejudicar o Flávio Bolsonaro. Segue o vídeo da suposta filha esclarecendo." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Achei otimo a escolha. E se a oposição está preocupada Alfredo Gaspar já é um ótimo candidato. Ele provou que não tem nada a ver com essas mentiras, esses lixos do STF gostam de fazer isso, inventar mentiras para confundir o eleitorado e colocar em duvidas o que sabemos que é o melhor caminho, é o que vem acontecendo já em outras situações, enquanto o homem estava lá no canto dele trabalhando ninguem falava o nome dele, agora depois que mexeu com a turma da esquerda ficam acusando sem provas, ainda mais sendo candidato a vice de Flavio, seja qualquer um.que fosse vice eles.iriam inventar, estão todos apavorados. Qualquer um que se dispor a ser vice do Flávio, será perseguido e caluniado, O PT está com medo! Porque se isso não for desespero não sei o que é." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Para lançar um candidato como seu vice, Flávio deveria ter certeza de que as acusações contra esse candidato são falsas. Sendo assim, se ele tem como provar que as acusações não procedem, até pode não atrapalhar os votos. Agora, na minha opinião sincera, existem outros candidatos que poderiam ser seu vice sem dar armas para esquerda, que
quando não tem acusações contra candidatos da direita, inventa acusações. Ainda acho que Michele seria melhor como vice." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

Entre os bolsonaristas moderados e os indecisos conservadores, predominou a percepção de que uma acusação dessa gravidade produzia desgaste político independentemente de sua comprovação naquele momento. Nos dois grupos, os participantes ressaltaram a necessidade de investigação e evitaram, em grande medida, assumir a responsabilidade de Gaspar como estabelecida, mas consideraram que a própria existência da denúncia já comprometia a escolha. A indicação foi percebida como capaz de reduzir a confiança na chapa, afastar eleitores e oferecer um elemento de exploração aos adversários durante a campanha.
As diferenças entre os grupos apareceram principalmente na intensidade da avaliação negativa e na disposição de separar Gaspar da candidatura de Flávio. Entre os bolsonaristas moderados, houve maior cautela em relação à acusação e alguma abertura para preservar uma avaliação positiva de Gaspar a partir de sua atuação política, condicionando uma condenação mais definitiva à comprovação dos fatos. Entre os indecisos conservadores, a indicação foi incorporada de maneira mais ampla às dúvidas e avaliações negativas sobre a candidatura de Flávio: além da gravidade da denúncia, a escolha foi percebida como sinal de fragilidade na formação da chapa e de dificuldade para encontrar um vice capaz de agregar eleitoralmente.
"Bom dia..Uma acusação desse nível pode sim influenciar a escolha, principalmente pela confiança que o eleitor deposita no candidato. Acho que precisa ser tudo muito bem esclarecido." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Com certeza influencia. Embora precise se provar que algo errado aconteceu, mas os julgamentos vão acontecer por parte dos eleitores. Além de não somar voto perdeu votos com isso" (BM, 38 anos, professor , SP)
"No meu ponto de vista impacta e muito, isso precisa ser esclarecido logo e pelo jeito tem uma evidência forte e prova em jogo, então isso é péssimo de modo geral." (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
"Minha avaliação a respeito do Flávio, eu sempre penso que não tem como piorar e vai lá e piora. Pelo que acompanhei, ele não teve muita opção, ficou com quem "aceitou". Mas pra mim é inaceitável que uma pessoa que está sendo acusado de estrupo, ainda esteja com cargo de deputado e agora possível você presidente. Se fosse um país sério esse homem seria imediatamente afastado do cargo, até total esclarecimento." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Bom dia ... Achei muito grave e preocupante escolher alguém com essa acusação tão séria ainda em investigação. Isso prejudica totalmente a credibilidade da chapa, ainda mais envolvendo uma menor de idade . É algo inadmissível e inaceitável numa pessoa que vai ocupar um cargo tão importante. Antes de qualquer decisão, o caso precisa ser totalmente esclarecido!" (IC, 30 anos, autônoma, SP)
"Considero muito grave a acusação, mas deve ser investigada e se for culpado deve ser responsabilidade. Penso que isso deve impactar de alguma forma a candidatura do Flávio, mas em se tratando de vice, minha opinião não muda sobre ele" (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Sabendo do histórico claro que impacta na decisão de voto, mas acredito que tudo deveria ser esclarecido antes mesmo da indicação, assim como tem o antecedente criminal, deveria haver sim uma consulta mais precisa sobre a identidade do candidato, pegou mal, e principalmente se na apuração dos fatos for comprovada todas as acusações." (IC, 38 anos, coordenadora , SP)

Entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma forte rejeição à escolha de Alfredo Gaspar, que foi interpretada para além da avaliação individual do candidato a vice. A indicação foi incorporada às percepções negativas que esses participantes já mantinham sobre Flávio Bolsonaro, funcionando como um elemento de confirmação ou aprofundamento de avaliações anteriores sobre seu perfil, seus critérios de escolha e suas alianças políticas. A gravidade da acusação ampliou essa reação, levando os participantes a questionarem a adequação de Gaspar para ocupar um cargo de tamanha relevância. Apesar do tom predominantemente condenatório, também apareceu a ressalva de que os fatos deveriam ser investigados e comprovados, especialmente antes de uma responsabilização definitiva.
A indicação teve pouca capacidade de produzir uma mudança efetiva de voto, porque a rejeição a Flávio já estava amplamente consolidada. Dessa forma, o episódio atuou principalmente como reforço de uma posição anterior. Além disso, muitos fizeram uma leitura sobre a fragilidade política da composição da chapa, considerando que a escolha foi associada à dificuldade de Flávio para atrair outros aliados e à percepção de que Gaspar pouco acrescentaria eleitoralmente, ao mesmo tempo em que introduziria um novo foco de desgaste.
"Eu acho um absurdo Flavio Bolsonaro escolher um vice presidente com um histórico desse no passado e que ainda por cima deixou um fruto desse abuso.
Isso mostra que Flavio tem atitudes cada vez mais monstruosas em suas escolhas e atitudes,sendo sempre capaz de surpreender cada vez mais.
Na verdade essa acusação e a atitude de Flávio Bolsonaro não impacta em nada a minha avaliação pois não pretendo votar em Flávio Bolsonaro porque sei que suas ideias e atitudes em relação ao seu mandato nunca foram e nunca serão boas para o nosso país." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Pra mim o Flávio foi escolher vice e conseguiu arrumar mais uma dor de cabeça kkkkk. Uma acusação desse nível não é detalhe pra ignorar, ainda mais numa chapa presidencial. Claro que tem que investigar antes de condenar, mas escolher alguém cercado por uma acusação tão grave mostra, no mínimo, uma falta de cuidado enorme. Começou a campanha já dando trabalho pra explicar." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Olá, pessoal. Considero que essa escolha de Flávio Bolsonaro para vice-presidente foi umas das poucas que conseguiu, pois os partidos de centro o abandonaram e sobrou apenas alternativas dentro do PL. É um nome sem expressão e com grave acusações contra ele. Essa acusação impacta minha avaliação porque é um candidato a vice que pode se tornar presidente do Brasil." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Essa escolha impacta sim, isso mostra como o candidato esta queimado no seu próprio grupo, tantos nomes que poderia agregar na sua campanha só sobrou esse e não foi uma escolha que agradou a sua base de campanha." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"acho essa escolha perfeita, a cara do Flávio, não surpreende nada, escolheu pra vice alguém do tipo dele. Não muda nada minha avaliação negativa, pelo contrário só reforça o que já era sabido" (LL, 45 anos, professor, PB)
"A minha avaliação só se confirma a escolha do vice candidato. A chapa mostra exatamente o que se esperava dela" (LL, 25 anos, desempregada, BA)

A exibição do vídeo produzido por inteligência artificial dividiu os grupos tanto em relação ao uso do recurso quanto à reação da Justiça. Também houve diferenças quanto à credibilidade da explicação de que Jair Bolsonaro não sabia que o material seria exibido. De maneira geral, o aviso de que o vídeo havia sido produzido com IA reduziu a percepção de que pudesse haver uma tentativa de enganar o público. Assim, a discussão se concentrou principalmente em outra questão: se o uso da tecnologia foi uma iniciativa legítima de campanha ou uma forma de contornar as restrições impostas ao ex-presidente. Entre os dois grupos bolsonaristas, o uso do vídeo foi relativizado e a reação do STF recebeu fortes críticas. Os bolsonaristas convictos interpretaram o episódio principalmente como mais um sinal de perseguição política, enquanto os bolsonaristas moderados demonstraram maior dúvida sobre Bolsonaro ter ou não conhecimento prévio do vídeo, mas não consideraram essa questão suficiente para condenar a iniciativa. Os indecisos conservadores ficaram em uma posição intermediária: a maioria também considerou a reação da Justiça excessiva, embora uma parcela tenha visto o uso da IA como uma possível tentativa de driblar as restrições judiciais. Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou a descrença na versão apresentada por Flávio e uma avaliação negativa da iniciativa. Os lulodescontentes destacaram principalmente que o vídeo era desnecessário e poderia trazer novos problemas políticos e jurídicos para os Bolsonaro. Já indecisos progressistas e lulistas entenderam mais claramente o uso da IA como uma tentativa de manter Jair Bolsonaro presente na campanha apesar das restrições impostas pela Justiça.
As declarações de Renan Santos tiveram recepção predominantemente negativa em todos os segmentos, sobretudo pela defesa da violência letal contra quem cometesse roubos. Mesmo entre os grupos mais conservadores, prevaleceu a avaliação de que a fala foi excessiva, pouco viável e incompatível com a lei. Isso não significou, porém, uma rejeição à defesa de maior rigor na segurança pública. A necessidade de punições mais severas apareceu de forma recorrente em todos os grupos, reforçando a importância da segurança pública entre as preocupações dos participantes. As diferenças apareceram principalmente na identificação com as críticas feitas por Renan Santos. Bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados concordaram mais com as críticas à insegurança, às punições consideradas insuficientes e à dependência de benefícios, embora tenham rejeitado as soluções mais radicais propostas por ele. Indecisos conservadores e indecisos progressistas ficaram em uma posição intermediária, defendendo maior rigor no combate ao crime, mas rejeitando o uso da violência como solução. Entre lulodescontentes e lulistas, a rejeição foi mais ampla: além das propostas mais radicais, esses grupos criticaram a própria forma como Renan Santos tratou os problemas sociais e de segurança pública, destacando a necessidade de respeitar a lei e preservar a proteção social.
A proposta de retirar benefícios também encontrou pouca adesão em sua forma mais radical. Mesmo entre os grupos mais críticos aos programas assistenciais, predominou a defesa de mudanças que criassem condições para que os beneficiários conquistassem emprego e renda e, assim, deixassem de depender dos programas. Nos grupos mais à esquerda, prevaleceu a defesa da manutenção da proteção social, diante das desigualdades e das situações de vulnerabilidade existentes no país.
A escolha de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro produziu mais desgaste do que fortalecimento da chapa entre os participantes. A gravidade da acusação foi o principal fator considerado nas avaliações. Mesmo entre aqueles que defenderam a necessidade de investigar e comprovar os fatos antes de qualquer julgamento, predominou a percepção de que uma denúncia dessa natureza já poderia trazer prejuízos políticos e eleitorais para uma candidatura presidencial. As diferenças entre os grupos apareceram principalmente no grau de confiança na acusação. Entre os bolsonaristas convictos, predominou a descrença na denúncia, vista como uma estratégia dos adversários para prejudicar candidatos da direita. Ainda assim, uma parcela reconheceu que a escolha poderia ser ruim eleitoralmente por oferecer argumentos para os adversários durante a campanha. Entre bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, prevaleceu uma postura mais cautelosa: mesmo sem considerar a acusação comprovada, os participantes avaliaram que a existência da denúncia já prejudicava a escolha, poderia afastar eleitores e exigia esclarecimentos. Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a indicação foi amplamente rejeitada e reforçou percepções negativas que esses grupos já tinham sobre Flávio Bolsonaro e suas alianças.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

