


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Desvio de emendas | A maioria dos participantes avaliou que a investigação era politicamente motivada contra a direita, embora parte do grupo também tenha manifestado desconfiança em relação a Valdemar. | Predominou a defesa de investigações e punição caso houvesse comprovação de ilegalidades. Também foi recorrente a expectativa de que o mesmo rigor fosse aplicado a todos os partidos. | O entendimento predominante foi o de que, se as acusações fossem confirmadas, a responsabilização seria necessária, reforçando críticas à corrupção como um todo. | Houve condenação da conduta atribuída a Valdemar, entendida como abuso de poder e mais um exemplo de corrupção política. Também apareceu a defesa de investigações rigorosas. | Os participantes rejeitaram a interferência de dirigentes partidários sobre decisões dos deputados e defenderam investigações, punição e ressarcimento dos recursos públicos. | Prevaleceu a rejeição a Valdemar e ao PL, expressando pouca dúvida quanto à plausibilidade das suspeitas. Também foi recorrente a defesa de responsabilização rigorosa dos envolvidos. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Decisão de Moraes | Predominou a percepção de que a decisão representou perseguição política e confirmou a atuação parcial do Judiciário contra Bolsonaro e a direita. | A percepção mais recorrente foi a de que houve perseguição política e tratamento desigual por parte da Justiça. A decisão foi interpretada como excessiva e motivada por interesses políticos. | A maioria dos participantes considerou legítima a punição pelo descumprimento da decisão judicial, mas parte do grupo avaliou que a proibição de visitas foi desproporcional. | Prevaleceu a avaliação de que a decisão representou o cumprimento da lei e não configurou perseguição política. Alguns reconheceram que a notoriedade política da família poderia contribuir para uma atuação mais rigorosa da Justiça. | O entendimento predominante foi o de que a decisão decorreu da aplicação das regras impostas pela Justiça, sem caracterizar perseguição política. Parte dos participantes manifestou preocupação com o rigor da atuação de Alexandre de Moraes. | Houve ampla concordância com a decisão, entendida como consequência do descumprimento de determinações judiciais. Também foi recorrente a rejeição à narrativa de perseguição política, interpretada como uma estratégia de vitimização da família Bolsonaro. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Início da taxação dos EUA | Os participantes atribuíram a responsabilidade quase integralmente ao governo Lula, frequentemente associado a Alexandre de Moraes. Defenderam que o Brasil deveria reduzir os conflitos com os EUA. Parte do grupo ampliou as críticas ao governo e às instituições. | A maioria dividiu a responsabilidade entre os dois governos, mas manteve críticas mais frequentes à condução diplomática do governo brasileiro. Também valorizou a negociação, a diversificação dos mercados e a redução dos impactos econômicos. | Predominou a avaliação de que o governo dos Estados Unidos foi o principal responsável pela crise, ainda que parte tenha reconhecido responsabilidades compartilhadas. Também foram propostas a manutenção do diálogo, o fortalecimento da economia brasileira e a ampliação de parceiros comerciais. | Os participantes apontaram Donald Trump como principal responsável pela escalada do conflito, atribuindo a medida a interesses políticos e econômicos dos EUA. Também endossaram a estratégia de negociação do governo brasileiro e a busca por novos mercados. | Prevaleceu a interpretação de que a decisão norte-americana representou uma iniciativa política do governo Trump voltada à defesa de seus interesses. Também foram defendidas cautela nas negociações, proteção aos setores afetados e diversificação das relações comerciais, admitindo reciprocidade apenas se o diálogo fracassasse. | Houve responsabilização predominante da família Bolsonaro pelo agravamento das tensões entre os dois países, com rejeição à ideia de culpa do governo Lula. Também foi reforçada a necessidade de ampliar mercados, fortalecer a autonomia econômica do Brasil e manter a negociação diplomática. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |


Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma leitura marcada pela desconfiança em relação à investigação e pela percepção de que ela ocorreu em um contexto de disputa política. Ainda que parte dos participantes tenha manifestado incômodo com a concentração de influência de um dirigente partidário sobre as decisões dos deputados e demonstrado baixa confiança em Valdemar Costa Neto, essas críticas foram frequentemente relativizadas pela avaliação de que a condução do caso poderia estar sendo motivada por interesses eleitorais. Nesse grupo, a interpretação do episódio foi fortemente condicionada por uma percepção mais ampla de seletividade das instituições, levando muitos participantes a questionarem a imparcialidade das investigações.
Também foi recorrente a compreensão de que a articulação de emendas e a influência de lideranças partidárias sobre suas bancadas faziam parte do funcionamento habitual da política, não sendo vistas, por si só, como evidência de irregularidade. Em geral, os participantes defenderam que eventuais ilegalidades deveriam ser comprovadas antes de qualquer condenação e sustentaram que práticas semelhantes ocorreriam em diferentes partidos, o que reforçou a percepção de que o episódio não representava um comportamento excepcional.
"Acho que o direcionamento de emendas pode seguir as linhas definidas pelo partido, desde que não sejam irregulares nem ilegais. Entretanto, no ponto em que estamos, em plena véspera de eleições, tudo serve de " munição" para tentar manchar candidatos de contrários, mesmo que tenham que forçar muito para ver se criam uma denuncia que cola..." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)
"Boa tarde! Eu não confio no Valdemar da Costa Neto, eu acho ele muito flexível ao sistema. O PT do Lula distribui emendas sempre que quer obter alguma vantagem e nada é investigado, mas estamos em ano de eleição pra presidente e vão investigar tudo que possa incriminar o PL, os candidatos e Flávio Bolsonaro." (BC, 24 anos, enfermeira, GO)
"Sinceramente, eu não gosto dessa interferência nas decisões dos deputados. Partido pode orientar, mas quando uma pessoa concentra tanto poder, fico desconfiada. Não confio no Valdemar e tenho dúvidas sobre a honestidade dele. Também acho que a população já perdeu a confiança em boa parte dos políticos por causa de tantos escândalos. Parece que sempre existe algum interesse por trás das decisões, e quem acaba pagando a conta é a população. Mas, tambem estamos nos aproximando da época de eleição, e a gente sabe que muitas investigações acabam sendo usadas como arma política. Infelizmente, a corrupção virou algo tão frequente no Brasil que é difícil acreditar que o dinheiro público esteja sendo usado da forma correta." (BC, 72 anos, pensionista, RJ)

Entre os bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e progressistas, predominou a defesa de que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas e, caso comprovadas, punidas. Houve ampla concordância de que dirigentes partidários não deveriam extrapolar suas atribuições nem interferir de forma ilegal nas decisões dos parlamentares, sendo recorrentes as demandas por maior transparência no uso das emendas e pela responsabilização dos envolvidos. Ao mesmo tempo, os participantes demonstraram forte ceticismo em relação ao funcionamento das instituições, expressando a percepção de que a corrupção é um problema disseminado e recorrente na política brasileira. Embora alguns participantes tenham levantado dúvidas sobre uma possível motivação eleitoral das investigações, essa percepção não se traduziu, em geral, em uma defesa incondicional de Valdemar Costa Neto pelos bolsonaristas moderados. Entre os indecisos, ele recebeu algumas críticas.
Também foi recorrente uma visão bastante crítica sobre a corrupção na política, frequentemente descrita como um problema estrutural e já naturalizado no país. Muitos participantes demonstraram baixa confiança nos agentes políticos e expressaram a expectativa de que investigações mais aprofundadas revelariam novas irregularidades, reforçando a percepção de que práticas ilícitas são disseminadas no sistema político. Apesar desse ceticismo, prevaleceu a defesa de que as acusações deveriam ser plenamente investigadas antes de qualquer conclusão definitiva, acompanhada da expectativa de que a aplicação da lei ocorresse de forma efetiva.
"Boa tarde...olha acho que ninguém deve interferir de forma irregular nas decisões dos deputados. Se houve algo ilegal, a Justiça deve investigar e, se for comprovado, os responsáveis devem responder por isso."
"Orientar a bancada é legítimo, mas controlar verbas públicas com fraude é irregular e abuso de poder.." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"O argumento dos advogados dele não vale de nada, porque independente do que ele fizer, esses advogados vão defender. Isso deve ser investigado por completo, porque o Waldemar tem um histórico de não ser uma pessoa confiável e que sempre esteve envolvido em polêmicas dessa natureza. Não dá para aceitar que deputados sejam usados apenas como fachada para conferir uma falsa legalidade a indicações que seriam dele." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Se um presidente de partido tá mandando mais que deputado eleito, acabou com tudo kkkkk. Articular política é uma coisa, mas se tiver usado cargo de bastidor pra mexer com dinheiro público, tem que investigar e se for culpado, responder igual qualquer um!!! Política não pode virar balcão de negócio de jeito nenhum..." IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Eu acho que os líderes partidários podem orientar deputados, porém, qualquer tipo de interferência que ultrapasse a lei, e desvie recursos públicos, deve ser investigado. Uma pena o Brasil ser tão fortemente marcado pela corrupção." (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

Entre os lulistas, predominou uma interpretação de que as acusações eram compatíveis com a imagem previamente construída sobre Valdemar Costa Neto e o PL, havendo pouca manifestação de dúvida em relação à plausibilidade das suspeitas. Os participantes avaliaram que a influência de dirigentes partidários sobre parlamentares pode fazer parte da dinâmica política, mas defenderam que essa atuação encontra limites claros quando envolve a gestão de recursos públicos ou possíveis benefícios particulares. Nesse grupo, prevaleceu a percepção de que o episódio representava mais um exemplo de práticas políticas incompatíveis com o interesse público.
Também foi recorrente a associação do caso a críticas mais amplas ao funcionamento da política brasileira e, em especial, ao campo político representado pelo PL. Muitos participantes interpretaram o episódio como evidência de um padrão de atuação marcado pelo uso do poder para atender interesses partidários ou individuais em detrimento da população. Em geral, defenderam o aprofundamento das investigações, o bloqueio de bens, a responsabilização dos envolvidos e o ressarcimento dos recursos públicos, demonstrando elevada confiança na legitimidade da atuação dos órgãos de investigação e pouca disposição para relativizar as acusações em razão do contexto político.
"Considero inadequada a interferência de Valdemar nas decisões dos deputados. Os presidentes de partidos podem dialogar com os deputados e sugerir aplicações, mas não podem controlar a aplicação de recursos como se fosse deputado. Abre precedentes perigosos para a democracia e a utilização de recursos públicos." (LD, 28 anos, vendedora, PA)
"Isso não devia acontecer, ainda mais se tratando de dinheiro público. É compreensível o contatão com os deputados, mas não dessa forma. Acredito que as suspeitas da PF serão confirmadas e espero que a lei seja feita e principalmente que os valores sejam ressarcidos para os cofres públicos" (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Infelizmente não me surpreende em nada, tudo o que o PL e os seus membros fazem é ruim para o Brasil, sejam suas decisões, falas, atitudes e ações. Ele diz que é natural que um líder de bancada influencie o congresso e realmente eu concordo com isso, desde que as regras sejam respeitadas e sabemos que o que o PL menos faz é respeitar as regras. Já houve diversos projetos que eram mega importantes para o Brasil sendo trocados por cargos ou emendas, então, o que o Valdemar faz não é pensar no melhor para o Brasil, mas sim no melhor para ele ou o seu partido, as prioridades estão totalmente invertidas. Que a PF faça o seu trabalho, bloqueio os bens do Valdemar e ressarça os cofre públicos, é o mínimo que espero para essa situação." (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)


Nos grupos bolsonaristas, predominou a avaliação de que a decisão de Alexandre de Moraes representou um episódio de perseguição política contra Jair Bolsonaro e sua família. Em ambos os grupos, os participantes interpretaram a medida como parte de um padrão de atuação direcionado a enfraquecer a direita, avaliando que o Judiciário deixou de atuar de forma estritamente técnica para assumir um papel ativo na disputa política. Também foi recorrente a percepção de que as decisões não decorreram apenas da aplicação da lei, mas de motivações políticas voltadas a restringir a atuação de Bolsonaro e de seus aliados.
Além disso, os participantes manifestaram forte desconfiança em relação ao funcionamento das instituições, especialmente do Poder Judiciário. Predominou a avaliação de que a Justiça passou a aplicar critérios diferentes conforme o ator político envolvido, comprometendo a isonomia e a imparcialidade das decisões. Em diversos momentos, a medida foi interpretada como evidência de um desequilíbrio entre os Poderes e de uma atuação considerada excessiva por parte do Supremo Tribunal Federal, reforçando a percepção de que adversários da direita receberiam tratamento privilegiado em comparação aos integrantes do campo bolsonarista.
"Alexandre de Moraes está cumprindo sua parte o trato para não deixar a direita, no caso, Bolsonaro e família, serem eleitos. Ele está fazendo o que for preciso para isso, seja legal ou ilegal, perseguindo, interferindo, desesperadamente. Tudo isso porque ele sabe que o fim dele e da esquerda no poder está próximo." (BC, 30 anos, engenheiro, SP)
"É uma perseguição total, contra Bolsonaro e contra a direita!! A ditadura do STF mais uma vez agindo a seu favor e contra a democracia! Apesar que eu tambem penso que nem é somente contra a democracia, tem a ver tambem com medo. Esse Alexandre de Morais está fazendo isso tambem para se livrar um impeachment no caso da vitória de Flavio Bolsonaro e de uma maioria de direita no senado. Simples assim! Eu acho é ótimo porque essas situações quando acontece somente torna o Flavio mais forte ainda. Quanto mais se persegue, mais força a direita tem." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Vejo como perseguição escancarada do ministro Alexandre de Moraes contra a família Bolsonaro. O presidente Lula quando esteve preso escreveu várias cartas e deu inúmeras entrevistas e nada aconteceu com ele, a esquerda faz o que quer nesse governo e tudo é permitido, não existe mais justiça no Brasil. Alexandre de Moraes está cumprindo sua parte o trato para não deixar a direita, no caso, Bolsonaro e família, serem eleitos. Ele está fazendo o que for preciso para isso, seja legal ou ilegal, perseguindo, interferindo, desesperadamente. Tudo isso porque ele sabe que o fim dele e da esquerda no poder está próximo." (BC, 32 anos, gerente de vendas, PA)
"Claramente perseguição. Alexandre já se provou ser da panelinha, e vai tentar de todos os jeitos prejudicar a família Bolsonaro, e um cabo de guerra aí difícil de vencer infelizmente." (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)
"Perseguição pura e simples! Interessante é que quando o ex-presidiario estava preso na carceragem da PF, pintava e bordava: dava entrevistas; recebia quem queria; Tinha ate inetrnet, tv por assinatura e ate serviços adultos disponiveis ( tai o Macron para rir).. Ja o Bolsonaro tem que por tem de viver na clausura, sem contato fisico, mental, espititual com ninguem.. tem que viver numa outra matrix que nao seja o Brasil. É muito ódio ou paixão do 1º Ministro por Bolsonaro. Vivi para ver o desfaçelamento do Poder Juduiiário no Brasil

Entre os indecisos conservadores e progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou a avaliação de que a decisão de Alexandre de Moraes possuía fundamento jurídico e decorria do descumprimento de determinações previamente impostas ao ex-presidente. Foi recorrente a defesa de que a lei deveria ser aplicada igualmente a qualquer cidadão, independentemente de sua posição política, e de que o episódio, em si, não configurava perseguição política. Também apareceu com frequência a percepção de que a divulgação da carta representou uma tentativa de contornar as restrições judiciais, legitimando a adoção de novas medidas.
Apesar dessa convergência, surgiram diferenças quanto à avaliação da proporcionalidade da decisão. Enquanto os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas tenderam a defender integralmente a atuação do ministro Alexandre de Moraes, os indecisos conservadores manifestaram maior desconforto com a suspensão das visitas familiares, considerando a medida excessiva ou potencialmente prejudicial à imagem de imparcialidade do Judiciário.
"As leis tem que ser iguais independente da pessoa. Se ele tá proibido de usar redes sociais até por terceiros tem que cumprir. O filho não é ingênuo, mas tudo deve fazer parte da politica certeza , como um esquema para a candidatura dele. Agora sobre proibir visitar , não concordo, independente da pessoa e do que fez , não podem proibir" (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)
"Acho que eles sabiam muito bem o que estavam fazendo quando decidiram divulgar uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, as leis são iguais para todos se fosse ao contrário tenho certeza que eles seriam os primeiros a pedir o cumprimento da pena que foi imposta. Agora o fato de proibir as visitas acho desnecessário pois até os presos de alta periculosidade tem direito a visitas de familiares, nesse ponto já acho que o ministro se excedeu e tem um pouco sim de perseguição política e pessoal." (IC, 72 anos, pensionista, RJ)
"Pra mim, se tinha uma regra proibindo usar terceiros pra passar recado, aí não dá pra reclamar muito da decisão. Se vale pra um, tem que valer pra todo mundo. Não vejo isso como perseguição só por ser Bolsonaro, vejo mais como consequência de uma decisão da Justiça. Agora, claro que é um caso que sempre vai dividir opinião." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Pelo que ouvi de especialistas, Moraes está aplicando a lei em caso de condenado com sentença transitado em julgado e preso cumprindo a pena. Assim , não vejo como perseguição, apesar de transparecer para seus seguidores. Mas a lei que vai para Chico deve valer para Francisco." (LD, 48 anos, servidor público, PA)
"Acho que o STF está correto em ter decidido dessa forma, as regras são claras. Não há perseguição política se as leis foram violadas." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)


Entre os grupos de bolsonaristas, predominou a percepção de que o governo Lula foi o principal responsável pelo agravamento da crise entre Brasil e Estados Unidos. Nos bolsonaristas convictos, essa interpretação apareceu de forma praticamente consensual, frequentemente associada também à atuação de Alexandre de Moraes e à condução da política externa brasileira. Já entre os bolsonaristas moderados, embora as críticas ao governo também tenham sido recorrentes, houve maior disposição para reconhecer que o conflito resultava de ações dos dois países, ainda que a responsabilidade do governo brasileiro permanecesse mais enfatizada.
Apesar das diferenças de intensidade na atribuição de responsabilidades, ambos os grupos convergiram na avaliação de que o Brasil deveria priorizar a negociação para reduzir os prejuízos econômicos decorrentes da crise. Também foi recorrente a defesa de uma postura mais pragmática nas relações com os Estados Unidos, seja por meio da retomada do diálogo, seja pela construção de acordos que evitassem o aprofundamento das tensões comerciais.
"O presidente Lula junto com o ministro Alexandre de Moraes são os únicos responsáveis pela taxação dos Estados Unidos sobre o Brasil, ele já falou muitas asneiras do presidente Trump, a Janja xingou o Elon Musk, Alexandre de Moraes censurou redes sociais americanas e brasileiros naturalizados que moram no EUA, pensavam que ficariam sem um resposta a todos esses insultos. Eu acho que eles são os únicos responsáveis pela taxação elevada." (BC, 43 anos, autônomo, MT)
""O principal responsável por isso é o presidente Lula, que tem como seu comandado Alexandre de Moraes. Trump está numa cruzada contra a esquerda mundial, atacando inclusive o narcotráfico ou narco terrorismo que financia vários governos de esquerda, incluindo o brasileiro." (BC, 28 anos, vendedora, AL)
"Na minha opinião, os dois governos tem parcela de culpa, porque as decisões e os atritos dos dois lados contribuíram para essa situação. O Brasil deve buscar uma solução por meio da negociação. Abrir mão de algo para ganhar em outro. E no final, a ponta da linha é sempre a mais prejudicada (o pobre)." (BM 30 anos, educador museal, RJ)
"O principal responsável é o nosso presidente,pois cabe a ele a negociação com o Estados unidos e de preferência pessoalmente,pois poderiam colocar tudo em pratos limpos e todos nós sabemos que uma boa negociação tem que ceder dos dois lados , senão for assim fica difícil chegar a um denominador comum." (BM, 38 anos, coordenadora , SP)

Entre os demais grupos (indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas), prevaleceu a percepção de que o governo Lula não era o principal responsável pela crise entre Brasil e Estados Unidos. A maior parte dos participantes atribuiu a origem do conflito ao governo de Donald Trump, entendido como o agente que tomou a iniciativa da taxação em defesa de interesses políticos e econômicos norte-americanos. Entre os lulistas, essa interpretação foi acompanhada pela responsabilização da família Bolsonaro, vista como corresponsável pelo agravamento das tensões diplomáticas, enquanto os indecisos conservadores apresentaram maior pluralidade de opiniões, embora também tenham concentrado suas críticas na decisão unilateral dos Estados Unidos.
Os quatro grupos convergiram na defesa de uma resposta baseada na negociação e na preservação dos interesses econômicos brasileiros. Foi recorrente a avaliação de que o Brasil deveria evitar uma escalada do conflito, ampliar seus mercados de exportação e reduzir a dependência comercial dos Estados Unidos. Também apareceram manifestações favoráveis à adoção de medidas de reciprocidade caso as negociações não avançassem, mas essa posição permaneceu secundária diante da preferência pelo diálogo e pela diversificação das relações comerciais.
"Na minha opinião é EUA, pois aplicaram tarifa unilateral sem acordo, gerando o conflito. A medida foi imposta por decisão americana, em meio a atritos comerciais e diplomáticos, sem negociação prévia. O Brasil deve Apoiar setores afetados, buscar novos mercados e manter a negociação sem retaliação imediata." (IC, 30 anos, autônoma, SP)
"Pra mim o principal responsável é o Donald Trump, ele se acha ""supremo"". Acho que o Brasil deveria não exportar nada pra lá, e sim buscar novos rumos, o que será do hambúrguer sem a nossa carne!? Mas sei não é tão simples assim, envolve muito mais."" (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Pra mim o maior responsável é o Trump. No fim ele tá defendendo os interesses dos EUA, não os nossos. Acho q o Brasil tem q negociar, abrir mercado em outros países e defender os próprios interesses. Entrar em guerra comercial só faz quem trabalha pagar a conta." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Acho que o principal culpado por essa situação não só no Brasil como também em outros países e o Trump, que quer transformar os Estados Unidos na maior potencial mundial sem se importa com os defites que os outros países terão. Só que aqui no Brasil ela está se fazendo de amiguinho dos Bolsonaros, os apoiando para quando eles chegarem a presidencia ( se acontecer mesmo) ele tomar conta de tudo que e do interesse dele e de benefícios para os Estados Unidos."" (BM, 72 anos, pensionista, RJ)
"Concordo que o principal responsável e o governo americano, sabemos que tem uma questão política envolvendo essa decisão do Trump, mas acho que precisamos negociar ou procurar outros mercados pra vender nossos produtos." (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Na minha opinião o grande causador disso tudo é o Flávio Bolsonaro, depois que ele foi para os EUA atrás do Trump tudo desandou. Agora o Brasil tem que realmente correr atrás de outros países para exportar e dessa forma o Brasil não ser mais prejudicado do que já foi, quanto a situação com os EUA, o presidente Lula está certo em não aceitar essa tarifa e estar tentando resolver a situação da melhor forma possível." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

Durante esta semana, as narrativas de perseguição política contra a direita voltaram a ocupar posição central nos grupos bolsonaristas.
Na questão sobre o desvio de emendas parlamentares, os bolsonaristas convictos interpretaram o episódio prioritariamente a partir do contexto político, atribuindo grande peso à possibilidade de perseguição à direita e de uso eleitoral das investigações. Ainda que parte do grupo tenha demonstrado desconfiança em relação a Valdemar Costa Neto e admitido a necessidade de punição caso houvesse comprovação de ilegalidades, o foco da discussão permaneceu voltado à seletividade institucional e à exigência de tratamento isonômico entre diferentes partidos. Nos demais grupos, esse enquadramento apareceu de forma muito menos intensa ou esteve praticamente ausente: os bolsonaristas moderados concentraram-se na necessidade de investigações imparciais e punição baseada em provas, enquanto indecisos conservadores, indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas direcionaram o debate principalmente para os limites da atuação de dirigentes partidários e para a gravidade da interferência sobre recursos públicos. À medida que os grupos se aproximavam do campo progressista, diminuía a preocupação com as motivações da investigação e aumentava a convicção de que as suspeitas eram plausíveis, especialmente entre os lulistas, que associaram o episódio a uma percepção bastante negativa, e já consolidada, sobre Valdemar Costa Neto e o PL.
Da mesma forma, na questão sobre a proibição de visitas de Flavio ao pai, decretada por Alexandre de Moraes, a interpretação foi fortemente condicionada pelo posicionamento político prévio dos participantes. Dessa vez, nos dois grupos bolsonaristas, convictos e moderados, prevaleceu a leitura de perseguição política, acompanhada de forte desconfiança em relação à imparcialidade do Judiciário e à atuação do Supremo Tribunal Federal. Nesses segmentos, a decisão foi interpretada como parte de um processo mais amplo de enfraquecimento da direita e de interferência na disputa eleitoral. Já entre os demais grupos, predominou o entendimento de que a decisão possuía fundamento jurídico e decorria do claro descumprimento de determinações judiciais. Nesses grupos, também apareceu com frequência a interpretação de que a narrativa de perseguição buscava transformar consequências jurídicas em instrumento de vitimização política da família Bolsonaro como um todo.
Por fim, a reação ao tarifaço dos Estados Unidos não alterou as percepções já encontradas nessa pesquisa entre os participantes em relatórios prévios. Os dois grupos bolsonaristas concentraram suas críticas no governo Lula, atribuindo à atual gestão a responsabilidade pelo tarifaço, enquanto os demais grupos atribuíram a origem da crise principalmente ao governo norte-americano, embora por razões distintas. Os indecisos conservadores apresentaram avaliações mais equilibradas e, em alguns casos, reconheceram responsabilidades compartilhadas entre os dois países. Já os indecisos progressistas e os lulodescontentes interpretaram a medida sobretudo como uma decisão política e econômica de Donald Trump, enquanto os lulistas acrescentaram a esse diagnóstico a atuação da família Bolsonaro, considerada corresponsável pelo agravamento das tensões diplomáticas.
Apesar dessas diferenças, houve maior convergência quando a discussão se voltou às possíveis respostas do Brasil. Independentemente da interpretação sobre as causas da crise, a maior parte dos participantes defendeu a negociação diplomática, a diversificação dos mercados de exportação e a proteção da economia brasileira, indicando consenso quanto à necessidade de reduzir os impactos econômicos do conflito.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

