


O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Lançamento das Campanhas Presidenciais | Os lançamentos reforçaram posições já consolidadas: Flávio gerou entusiasmo e esperança, enquanto o ato de Lula foi interpretado como sinal de perda de popularidade. | Predominou o baixo entusiasmo e ceticismo com o início da campanha. Os participantes disseram esperar por propostas concretas, sem ataques e desqualificação dos adversários. | Os lançamentos foram vistos como “mais do mesmo”, com discursos repetidos, promessas e espetáculo. Muitos cobraram propostas concretas e diálogo para além das bases já conquistadas. | Os atos foram percebidos como espetáculo eleitoral de pouco conteúdo. Houve maior expectativa pelos debates e pelas propostas, embora com forte desconfiança sobre promessas e o preocupações com o nível dos confrontos. | Os lançamentos tiveram pouca relevância e baixo impacto. O grupo cobrou propostas reais, transparência e demonstrou preocupação com a retomada da “polarização política”. | Houve baixo interesse e pouca mobilização com os lançamentos, inclusive o de Lula. A principal expectativa foi por propostas claras e uma campanha civilizada, com forte preocupação com fake news e ataques. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Caso Lulinha | O caso não mudou o voto, mas reforçou uma rejeição já consolidada a Lula, sendo interpretado como mais um episódio coerente com uma imagem anterior de corrupção. Houve percepção de que poderia pesar mais entre indecisos. | As informações apenas confirmaram a decisão de não votar em Lula, sem produzir mudança. A rejeição ao presidente, porém, não significou adesão automática a Flávio Bolsonaro, com sinais de indefinição eleitoral. | Predominou a manutenção da avaliação anterior, em geral negativa, mas com maior cautela por se tratar ainda de suspeitas. Parte separou os possíveis atos de Lulinha da responsabilidade de Lula e cobrou provas. | O caso não afetou significativamente Lula porque não houve ligação direta comprovada com o presidente. A postura foi de aguardar as investigações, embora uma eventual comprovação de envolvimento de Lula pudesse afastar votos. | Foi o grupo em que apareceu maior preocupação e potencial de desgaste da candidatura, pelas suspeitas de favorecimento e acesso ao governo. Ainda assim, predominou a necessidade de aguardar provas e o avanço das investigações. | O apoio a Lula permaneceu intacto, com forte separação entre os atos do filho e os do presidente. Parte viu exploração eleitoral do caso, mas admitiu que provas contra Lula ou proteção ao filho poderiam mudar a avaliação. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |
| Suspensão temporária da Discord | Predominou a defesa de Nikolas e a leitura de que a suspensão representou censura e restrição à liberdade. A crítica ao governo e a Janja se sobrepôs à justificativa de proteção dos menores, e houve forte reforço da imagem positiva de Nikolas. | Predominou a concordância com Nikolas Ferreira, sobretudo pela percepção de que a suspensão do Discord foi excessiva e poderia representar um precedente para novas restrições às redes sociais. | Houve forte defesa da proteção de crianças e adolescentes e críticas a Nikolas por minimizar os riscos e transformar o tema em disputa política. A maioria demonstrou ceticismo de que a insatisfação com a medida possa beneficiar Flávio Bolsonaro. | A rejeição à postura de Nikolas foi praticamente unânime, sobretudo por transformar uma questão de proteção dos menores em palanque eleitoral. A suspensão foi considerada legítima e o episódio reforçou avaliações negativas já existentes sobre o deputado. | Prevaleceu a crítica à politização de um tema considerado sério e que deveria estar centrado na proteção de crianças e adolescentes. Houve uma ressalva pontual à participação de Janja, sem que isso se convertesse em apoio mais amplo à postura de Nikolas. | Houve forte rejeição a Nikolas e defesa da suspensão como necessária diante dos riscos aos menores. Sua atuação foi interpretada como oportunismo para conquistar jovens, reforçando uma imagem negativa do deputado que já estava consolidada. | Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento. |

Ocorreram ontem, 16/8, os lançamentos oficiais das candidaturas de 2026. Muitos candidatos realizaram eventos grandiosos para dar início às suas campanhas. Entre os nomes mais mencionados, Lula (PT), candidato à reeleição, fez um ato em São Bernardo do Campo (SP); Flávio Bolsonaro (PL) fez uma passeata em Copacabana, no Rio de Janeiro; Ronaldo Caiado (PSD) realizou seu lançamento na região do Entorno do Distrito Federal; e Romeu Zema (Novo) escolheu a cidade de Montes Claros (MG).
Vocês acompanharam notícias sobre algum desses atos (ou de outros candidatos à Presidência aqui não listados? O que acharam e o que esperam deste início das campanhas nacionais?

Entre os bolsonaristas convitos, o início oficial da campanha foi interpretado principalmente a partir de preferências e rejeições políticas já estabelecidas. Os lançamentos não funcionaram como um momento de descoberta ou avaliação dos candidatos, mas como uma oportunidade para confirmar percepções anteriores. A disputa esteve fortemente concentrada em Lula e Flávio Bolsonaro, com entusiasmo e esperança associados a Flávio e uma leitura bastante negativa da capacidade de mobilização de Lula. O contraste percebido entre as duas candidaturas serviu para reforçar a expectativa de crescimento de um campo e de enfraquecimento do outro.
Mesmo com esse posicionamento mais definido, também apareceu a expectativa de que a campanha avançasse para propostas concretas, possíveis de serem realizadas e capazes de melhorar o país. A valorização de discursos e demonstrações de apoio não eliminou a cobrança por conteúdo, embora essa dimensão tenha ocupado um espaço menor do que a própria disputa política.
"Bom dia; Eu acompanhei, notei que o do Lula Foi um fiasco, afinal ele é presidente eleito, deveria está lotado o seu local, mas não estava, em relação aos demais também notei." (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)
"Não acompanhei, mas vi alguns trechos pelas redes sociais. Lula como presidente não conseguiu atingir um publico descente na sua campanha, mas ja era de se esperar. Sobre o Flávio, eu gostei sobre o que foi dito em relação a segurança, da pra sentir a esperança do povo acreditando novamente." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Boa noite! Acompanhei sim, o Flávio Bolsonaro em Copacabana, gostei do discurso dele e a praia estava lotada de apoiadores. Ao contrário do Lula que não conseguiu encher o estádio no ABC paulista, vi vários vídeos de pessoas que filmaram os ônibus que levou as pessoas que foram no evento do Lula, nunca é de graça, sempre gastando muito dinheiro com ônibus e pagando para receber apoio de pessoas humildes e vulneráveis. Os demais candidatos não acompanhei o comício." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Boa tarde. Eu não acompanhei os lançamentos de campanha, apenas vi alguns trechos de matérias sobre as campanhas do Lula e do Flávio. Vi o destaque dado ao estádio vazio no lançamento da campanha do Lula mas nada do que aconteceu me deixou espantado. Sobre o início e o andamento das campanhas, eu espero que sejam pacíficas, com propostas possíveis para melhorar o nosso País e sem promessas milagrosas que sabemos que nunca se realizam. E, principalmente, que sejam eleições honestas, que sejam realmente realizadas e auditaveis." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

Entre bolsonaristas moderados, indecisos conservadores e indecisos progressistas, o início oficial das campanhas despertou pouco entusiasmo e uma percepção predominante de repetição das práticas eleitorais já conhecidas. Os lançamentos foram vistos como eventos com muito investimento em mobilização, discursos e exposição, mas pouco conteúdo capaz de ajudar efetivamente na avaliação das candidaturas. Prevaleceu a expectativa de uma campanha marcada por promessas, ataques e tentativas de desqualificação dos adversários, reforçando um sentimento de desgaste e desconfiança em relação à disputa eleitoral.
A principal demanda comum foi por propostas concretas, plausíveis e bem explicadas, que mostrassem como os candidatos pretendiam enfrentar os problemas do país. Os debates foram percebidos como uma oportunidade mais relevante para conhecer e avaliar as candidaturas, especialmente entre os menos definidos eleitoralmente. Entre IC e IP, a crítica ao caráter de espetáculo e entretenimento dos atos apareceu com maior força, enquanto BM demonstrou um ceticismo mais antecipado sobre a possibilidade de a campanha superar ataques e oferecer um debate de maior qualidade.
"Impressionante como essas campanhas iniciais, a populacao nao sabe dos projetos...ai vai comecar os debates e pasmem!, ainda continaremos sem saber..so virao as baixarias...querem apostar qnt? Vou ate entrar no possivel site da campanha do meu candidato para ver se tem algo do projeto politico para as proximas decadas..." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Não acompanhei ontem, tirei o tempo pra ver um pouco de cada um hoje, e me parece mais entretenimento do que algo sério e que vai decidir os rumos do país. Não gostei, espero que melhore" (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Soube de alguns atos pelas redes sociais. E a impressão é que o jogo continua o mesmo, muitas promessas, de melhorias, acusações. O mais estranho é que os candidatos se fecham em seus nichos, ou seja, os votos já garantidos, eles não pensam em dialogar e se aproximar de alguma forma dos votos não garantidos." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Acompanhei! Pra mim foi aquele velho teatro eleitoral como sempre: Palco, bandeira, multidão, discurso inflamado e promessa pra todo lado... Agora quero ver quando começar a cobrança de proposta de verdade. Pq fazer barulho em lançamento é fácil, difícil é governar sem transformar o país em ringue de torcida." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

Entre os lulodescontentes e lulistas, os lançamentos das candidaturas tiveram baixo alcance e pouca capacidade de despertar interesse, mesmo entre participantes com preferências políticas mais próximas do campo governista. Os atos foram tratados como um momento inicial de campanha, sem grande relevância para a avaliação dos candidatos. A atenção esteve mais direcionada ao desenvolvimento da disputa e à expectativa de que os candidatos apresentassem propostas e projetos concretos, com clareza, transparência e capacidade de defendê-los.
Também apareceu uma preocupação importante com a forma como a campanha seria conduzida. Os participantes demonstraram receio de uma disputa novamente marcada por conflitos e divisão política, com desejo de maior civilidade e menos ataques. Entre LD, ganhou mais espaço a preocupação com a polarização entre direita e esquerda, enquanto LL enfatizou o risco de fake news e conteúdos enganosos. De forma geral, os dois grupos demonstraram mais expectativa pelo conteúdo e pela qualidade da campanha que viria pela frente do que pelos atos que marcaram seu lançamento.
"Não acompanhei os atos, mas vi a movimentação e a divisão das pessoas nas redes sociais eu acho que com isso começaram aqueles momentos turbulentos de direita x esquerda, um momento bem delicado" (LD, 29 anos, professora, RJ)
"Boa Noite! Acompanhei algumas notícias relacionadas às candidaturas. Não foi muito relevante os pronunciamentos, por ser um lançamento. Mas espero que os candidatos mostrem propostas e projetos reais, e que estejam nos debates e campanhas preparados para defender suas propostas com convicção."
"Eu não acompanhei nenhum desses atos. Espero que sejam campanhas civilizadas e sem fake news (mentiras, enganações e fakes via internet). Espero também que venham bons projetos." (LL, 61 anos, administrador, PR)
"Não cheguei a acompanhar as notícias sobre os atos em questão. Espero que agora, mas do que nunca, os candidatos mostrem para o que vierem, façam boas campanhas e apresentem suas propostas de forma clara, sem ficar atacando os outros candidatos, cada um cuidando da sua candidatura, sem polêmicas ou escândalos" (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

A Polícia Federal obteve novas mensagens que ampliam as investigações sobre a atuação da lobista Roberta Luchsinger. O caso já investigava a relação de Luchsinger com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, e agora inclui diálogos da lobista com Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula.
Segundo a investigação, Luchsinger teria enviado a Marcola uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A PF apura se essas relações teriam sido usadas para facilitar negócios ou obter influência dentro do governo federal. Marcola confirmou ter recebido o documento, mas negou qualquer favorecimento ou encaminhamento ao Ministério da Saúde. O caso segue sob investigação no STF, incluindo as possíveis conexões entre Luchsinger, Lulinha e pessoas ligadas ao governo.
Essas novas informações mudam a avaliação que fazem da candidatura do Lula?

Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, as novas informações sobre as investigações envolvendo Lulinha e pessoas próximas ao governo não produziram mudança na disposição de voto, porque Lula já estava fora do campo de escolha desses participantes. O episódio funcionou principalmente como reforço de uma imagem negativa construída anteriormente, associada à corrupção, à falta de credibilidade e à recorrência de denúncias envolvendo Lula, sua família, seu partido ou pessoas próximas.
A principal diferença apareceu entre os bolsonaristas moderados: embora a rejeição a Lula também estivesse consolidada, ela não se converteu necessariamente em apoio a Flávio Bolsonaro. Houve participantes que declararam estar pesquisando os candidatos, demonstraram dúvida sobre em quem votar e chegaram a considerar a possibilidade de não votar no filho de Bolsonaro. Entre os bolsonaristas convictos, a rejeição apareceu de forma mais abrangente, atingindo Lula, o Partido dos Trabalhadores, a esquerda e pessoas próximas ao presidente. Assim, o caso mostrou pouca capacidade de retirar votos de Lula nesses dois grupos, porque esses votos já não estavam disponíveis, mas reforçou argumentos e percepções que sustentavam sua rejeição.
"Essas novas revelações servem pra abrir os olhos de quem ainda pensa em votar num corrupto desse, cheio de escândalos de roubos, sem dizer da condenação que foi cancelada pra ele sair da cadeia e virar presidente. Lula tem que voltar pra cadeia e levar a família e amigos de partido e simpatizantes junto, não escapa nenhum que não esteja metido em corrupção." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
"Não, não muda. Na verdade, não me surpreendo com essas notícias, não espero nada além de roubo, desvios e enganação por parte da esquerda." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Estou fazendo uma pesquisa sobre os candidatos e é bem provável que eu não vote nem no filho do Bolsonaro." (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)
"Essas informações só confirmam quem são as pessoas que administram nosso país hoje. Nada disso me surpreende e , infelizmente,eu espero muito mais coisas a serem reveladas." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"ahhh como eu gostaria que no Brasil desse tudo certo...nem crios expectativa, pois neste caso em aprticular sobre o filho do camarada, bem sabemos no que vai dar..quem arrisca? Marguerita ou Portuguesa?" (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)

“Não muda porque já tenho opinião formada sobre o presidente Lula, porém, como ainda estão investigando, são apenas suspeitas, mas não podemos deixar de ficar com o pé atrás, onde há fumaça há fogo, alguém próximo no governo, facilitaria com certeza qualquer transação.” (Indecisos conservadores, 38 anos, coordenadora, SP)
“Não mudam meus pensamentos pois na minha cabeça eu consigo separar os atos do filho com relação ao pai. Claro que as coisas se ligam mas pra mim consigo ver isso de modo separado” (Indecisos conservadores, 29 anos, professor, RJ)
“Não muda não, são suspeitas ainda e não tem nada concreto. Mas não mudaria o jeito que já notei as coisas e tirei minhas conclusões” (Indecisos conservadores, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)
“Bom dia! Eu não me aprofundei nesse assunto ainda, mas vou pesquisar. Até o momento não vi o Lula nisso, mas o filho dele. Acredito que precisa ser mais investigado ou eu tenho que ler mais sobre isso, pra saber a ligação do Lula. Por enquanto me mantenho neutra, mas qualquer coisa que envolva corrupção me afasta sim do candidato.” (Indecisos progressistas, 26 anos, autônoma, RO)
“Pra mim, isso pesa sim na avaliação. Se tem investigação envolvendo o filho do Lula e gente que ocupava cargo próximo dele, é no mínimo preocupante. Mas ainda é investigação, não condenação. Acho que tem que apurar tudo sem passar pano pra ninguém.” (Indecisos progressistas, 28 anos, customer care analist, SP)
“Bom dia! Não influencia, até porque o que o filho faz, nem sempre o pai é conivente e se for comprovado que o pai sabe e tentar esconder essas informações, aí já é outro pensamento.” (Indecisos progressistas, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

"Olá, pessoal. Essas novas informações mudam a avaliação que faço da candidatura de Lula, pois a fragiliza e abre precedentes muito perigosos de tráfico de influências ou crimes decorrentes dessas facilidades de acesso às estruturas de poder instituídos” (Lulodescontentes, 48 anos, servidor público, PA)
“Acho muito cedo ainda, ainda é investigação, precisamos ver como isso tudo vai desenrolar” (Lulodescontentes, 59 anos, educador social, CE)
“Nao interfere na minha avaliação como presidente, mas vai ter interferência na sua reeleição pois com o decorrer das investigações, vai surgir mais provas. Isso mostra como é facil o favorecimento para os grupos que esta mais próximo do governo independente que seja de direita ou esquerda, tem corrupção envolvida.” (Lulodescontentes, 49 anos, vigilante, MT)
"“O que o filho do Lula fez não muda em nada meu apoio ao Lula ao menos que algo seja comprovado contra ele e o presidente o apoie, coisa que até o momento não aconteceu.” (Lulistas, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
“não mudei o meu pensamento com essas novas informações. não muda o meu apoio ao atual presidente. se não teve nenhuma movimentação errada por parte do governo, não tenho o que achar. Lula não está impedindo de alguma forma as investigações, pelo contrário, disse que poderia ser investigado e tudo mais, então, que continuem investigando e se tiver algo errado, que os envolvidos sejam punidos.” (Lulistas, 23 anos, auxiliar administrativo, RO)

Durante a discussão, uma participante do grupo de bolsonaristas convictos compartilhou espontaneamente conteúdos relacionados às investigações envolvendo Lulinha, incluindo material que destacava a reunião de Lula com o advogado do filho e, na sequência, a manifestação da Procuradoria-Geral da República favorável ao envio de investigações para a primeira instância. O conteúdo utilizava acontecimentos reais, mas os organizava de maneira a sugerir uma possível articulação para retirar os casos das mãos do ministro André Mendonça. A frase “não existe coincidência” reforçava essa interpretação. A checagem confirmou a reunião, a manifestação da Procuradoria-Geral da República e a existência das investigações, mas não encontrou evidências de que Lula tenha interferido na decisão da Procuradoria ou de que os dois acontecimentos tenham relação causal.
A circulação do conteúdo não permite afirmar que todos os participantes tenham aceitado a narrativa, mas mostra que esse tipo de enquadramento estava presente espontaneamente no ambiente informacional do grupo. Neste caso, a desinformação não ocorreu pela fabricação dos acontecimentos principais, mas pela construção de uma relação entre eles que não estava comprovada: a proximidade temporal entre a reunião e a divulgação da manifestação da Procuradoria-Geral da República foi apresentada de forma a alimentar a suspeita de interferência política.
“Poucas horas depois de Lula se reunir com o advogado de seu filho [...] A sequência dos acontecimentos chama atenção: Lula recebe o advogado do próprio filho enquanto as investigações avançam; poucas horas depois, torna-se público o pedido da PGR para retirar os casos das mãos de Mendonça.” (Bolsonaristas convictos, 46 anos, babá, PR)
“Espero que a farsa que é essa esquerda, desmorone logo. Muita mentira, manipulação, corrupção.” (Bolsonaristas convictos, 46 anos, babá, PR)
“Não, não muda. Na verdade, não me surpreendo com essas notícias, não espero nada além de roubo, desvios e enganação por parte da esquerda.” (Bolsonaristas convictos, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

Recentemente, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão temporária das transmissões ao vivo no Discord para usuários menores de 18 anos. A medida ocorreu após preocupações e investigações envolvendo a segurança de crianças e adolescentes na plataforma, incluindo casos de aliciamento de menores, exposição a conteúdos violentos e incentivo a comportamentos autodestrutivos.
Em um post e alguns vídeos, o deputado federal Nikolas Ferreira criticou a restrição e ironizou a participação de Janja no debate sobre a proteção de crianças e adolescentes nas redes, publicando a frase “Libera a tela, Janja”. Depois, afirmou que adolescentes estariam revoltados com a medida e sugeriu que essa insatisfação poderia beneficiar eleitoralmente Flávio Bolsonaro.
O que vocês acham dessa postura de Nikolas Ferreira?

Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, predominou uma leitura crítica à suspensão das transmissões no Discord. A medida foi percebida principalmente como uma restrição excessiva, associada à censura e à possibilidade de ampliação do controle sobre outras redes sociais. A justificativa de proteção de crianças e adolescentes teve menor força diante da percepção de que os riscos existentes no ambiente digital não estavam restritos a uma única plataforma e poderiam ser enfrentados por outros meios. Também apareceu forte desconfiança sobre as motivações da decisão e sobre a participação de Janja no debate.
Nesse contexto, a postura de Nikolas Ferreira foi majoritariamente aprovada e interpretada como uma reação legítima à restrição. Sua crítica encontrou respaldo principalmente por dialogar com uma preocupação já presente nesses grupos em relação à liberdade nas redes e à atuação do governo. A possibilidade de a medida gerar insatisfação entre os jovens e beneficiar eleitoralmente Flávio Bolsonaro também foi considerada plausível por parte dos participantes. Entre os bolsonaristas convictos, a adesão a Nikolas foi mais intensa e esteve ligada a uma imagem positiva já consolidada do deputado; entre os moderados, o apoio predominou, mas apareceu de forma menos homogênea.
“Achei a postura do Nikolas Ferreira muito justa, esse governo gosta de censurar redes sociais com desculpa de estar preocupados com nossas crianças e adolescentes, impedir de ter acesso ao Discord não vai proteger ninguém, se for assim teria que censurar todas as redes sociais porque gente ruim, psicopatas e pedofilos estão infiltrados em todas elas. Tem é que criar leis rigorosas para esse tipo de crime e não ficar defendendo bandidos e pedofilos como a esquerda faz. Ninguém gosta de censura e isso vai dar votos para o Flávio, o melhor cabo eleitoral do Flávio Bolsonaro é o Lula e a Janja com esse desejo vil de censurar tudo.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)
“Nicholas já provou em muitas situações que está no caminho certo! Assim como outras redes sociais deveria ter uma regra, uma normativa, não é assim, proibindo e dizendo que não vai mais funcionar, tenho certeza que existe algum interesse ou desinteresse em particular, isso com certeza eles perceberam que essa rede social poderia de alguma forma criar alguma estratégia contra eles mesmo, nada é por preocupação do povo ou dos adolescentes, aguardamos pra ver o que há de fato por detrás dessa proibição arbitrária.” (BC, 47 anos, administradora, BA)
“Bom dia, to com Nikolas nessa começa pelo Discord né ? Tudo gancho, pra ter controle de todas redes, as maldades e demais coisas ruins estão em todos meios de comunicações só não vê quem não quer porém existem outros meios de controlar isso de forma consciente,não sair suspendendo.” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)
“Mais uma vez, Nikolas tá sendo cirúrgico já que janja resolveu mexer simplesmente no canal que os jovens mais usam pra se comunicar quando estão jogando. Além de dar a dica pra todos os outros jovens do que eles vão fazer com as outras redes sociais caso ganhem a eleição.” (BM, 43 anos, administradora, GO)

Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, predominou a percepção de que a proteção de crianças e adolescentes deveria ter ocupado o centro da discussão, acima das disputas políticas e eleitorais. Os riscos associados ao uso da plataforma foram considerados suficientemente graves para justificar medidas de controle, restrição ou regulamentação. Nesse sentido, a atuação de Nikolas foi majoritariamente avaliada de forma negativa, principalmente porque sua reação foi percebida como uma tentativa de deslocar o debate da segurança dos menores para o confronto político.
A associação da insatisfação dos jovens a um possível benefício eleitoral para Flávio Bolsonaro reforçou essa avaliação, por transmitir a impressão de exploração política de um tema considerado sensível. Entre os indecisos conservadores, também houve pouco convencimento de que a medida pudesse produzir um efeito eleitoral relevante, enquanto entre os indecisos progressistas a crítica a Nikolas foi mais intensa e frequentemente reforçou avaliações negativas anteriores. Os lulodescontentes acompanharam a rejeição à politização do assunto, embora tenham demonstrado maior abertura para questionar a participação de Janja. No conjunto, porém, prevaleceu nos três grupos a cobrança por uma postura mais responsável e centrada na proteção dos menores.
"Olha, eu entendo que cada um tem sua opinião, mas acho que aqui a segurança e o bem-estar de crianças e adolescentes tem que vir antes de tudo. A ANPD suspendeu as transmissões justamente porque encontrou problemas sérios . Aliciamento, violência, comportamento prejudicial , então não é algo sem motivo. Quando o deputado ironiza e diz 'libera a tela, Janja', parece que tá minimizando todos esses riscos, e isso me preocupa. Também não concorda muito com a ideia de dizer que os adolescentes estão revoltados e que isso ajuda politicamente, porque cuidar dos nossos jovens não tem partido nem serve pra ganhar voto, é dever de todos nós...” (IC, 30 anos, autônoma, SP)
“Acredito que um eleitor com um mínimo de consciência e que tenha filhos menores, vão concordar com o debate que janja participou. Criança não vota, não vejo porque essa atitude irá beneficiar o candidato Flávio, não faz sentido. Não conheço essa plataforma, mas ouvi sobre suicídio ao vivo, então acredito que como todas as outras, precisa ser regulamentado. Penso que Nikolas poderia rever sua fala, ou contextualizar melhor o que quis dizer, pegou mal em um país que já tem tantas atrocidades com as crianças e adolescentes.” (IC, 38 anos, coordenadora , SP)
“Ele tá mais preocupado em transformar uma medida de segurança em palanque eleitoral. Se existe preocupação com criança e adolescente, o debate deveria ser sobre proteção, não sobre fazer piadinha com a Janja e já puxar voto pro Flávio. É deprimente o nivel da politica em nosso país...” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
“Para ser sincera, o deputado está querendo as atenções para fazer propaganda e se esquecendo que realmente aconteceu e essa medida não é para beneficiar ninguém e sim proteger nossas crianças e adolescentes.” (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
“Acho que esse debate vai muito além de politica e de pensamentos contrários entre esquerda e direita. Estamos falando de segurança de crianças e adolescentes numa plataforma que não possuem sistemas de segurança para esses jovens, que não limita tipo de público e o tipo de contato com eles, deixando a mercê de conteudos impróprios para idade deles. Acredito que Nikolas deveria ser mais favorável a essa medida, e procurar novas formas para que a plataforma seguisse padrões de segurança e depois sim, voltar a funcionar.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)
“Bom dia, pessoal. Considero esse debate importante demais para que seja puxado para a polarização eleitoral. Precisamos fazer um debate político público de regulamentação das redes para salvar vidas, pois como tudo nessa vida, precisamos de regramentos para disciplinar nossa vida em comunidade.” (LD, 48 anos, servidor público, PA)
“E um assunto de total responsabilidade pois estamos tratando de crianças e adolescentes.Tem sim que ser discutido pelas autoridades. Entendo que não deveria ser citado em campanhas políticas nessa época eleitoral. A atitude do Nicolas foi irresponsável para um tema tão sério como este.” (LD, 49 anos, vigilante, MT)

Entre os lulistas, a postura de Nikolas foi recebida com forte rejeição. A suspensão das transmissões foi considerada necessária e, para parte dos participantes, tardia diante da gravidade dos riscos envolvendo crianças e adolescentes. O grupo não demonstrou abertura significativa para interpretar a medida como censura e concentrou a discussão na necessidade de proteção dos menores, maior controle das plataformas e responsabilização diante de conteúdos e práticas consideradas perigosas.
A atuação de Nikolas foi interpretada principalmente como oportunismo político e tentativa de aproximação com o público jovem. Os participantes perceberam que ele buscou canalizar a insatisfação dos adolescentes para se apresentar como defensor de sua liberdade e, com isso, gerar identificação e possíveis ganhos eleitorais. A crítica foi particularmente intensa porque encontrou uma rejeição ao deputado que já estava consolidada e foi reforçada pelo episódio. Também pesou a percepção de que Nikolas explorou a controvérsia sem contribuir com alternativas para tornar a plataforma mais segura. Assim, sua estratégia foi reconhecida como potencialmente capaz de mobilizar parte dos jovens, mas considerada inadequada diante da seriedade do problema discutido.
“A suspensão das lives no Discord veio até tarde visto que não há nenhuma ferramenta da plataforma para observar e punir os casos criminosos que vinham acontecendo lá. A postura do Nikolas Ferreira é somente visando o eleitorado jovem e ainda sem opinião política.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
“Acho, mais uma vez, péssima a postura de nikolas. Aproveitando outra polêmica pra tentar surfar. Não o vi tentando ajudar com propostas de regulamentação/regulação/punição da plataforma para tentar viabilizar o uso” (LL, 25 anos, desempregada, BA)
“Tudo que é polêmico Nikolas usa para se autopromover. Acho um absurdo ele continuar fazendo esse tipo de declaração sem nenhuma punição.” (LL, 61 anos, administrador, PR)
“Acho de uma extrema falta de respeito e falta de informação sobre tudo o que está acontecendo e repercutindo a respeito do Discord. Tantas coisas ruins acontecendo nesse aplicativo, principalmente, a morte de uma adolescente, e ele me vem com esses discursos.” (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)
“Olha, alguém apoiar o Discord é um absurdo! Um aplicativo que mostra tortura e assassinato de animais, leva adolescentes ao suicídio! O que me parece é que esses políticos de extrema direita apoiam tudo o que é errado só para serem diferentes, não é possível! Já pensou um local aonde as pessoas possam demonstrar e colocar para fora todo o ódio que elas tem por dentro? Nikolas mais uma vez mostrou sua face.” (LL, 35 anos, analista sistemas, SP)

Os lançamentos oficiais das candidaturas tiveram alcance limitado e, de forma geral, pouca capacidade de mobilizar os participantes. A maioria acompanhou pouco os eventos ou teve contato apenas com trechos, notícias e conteúdos que circularam nas redes sociais. Fora dos bolsonaristas convictos, os grandes atos não foram percebidos como momentos particularmente relevantes para conhecer os candidatos ou formar uma avaliação sobre eles. Entre os grupos mais abertos à decisão do voto, predominou a sensação de que o início da campanha repetiu fórmulas já conhecidas, com grandes eventos, discursos, promessas e mobilização das próprias bases, mas ainda com pouco conteúdo capaz de despertar interesse mais amplo. A principal expectativa compartilhada pelos diferentes perfis foi por propostas concretas, plausíveis e bem explicadas, capazes de mostrar o que os candidatos pretendiam efetivamente fazer pelo país. Houve desgaste evidente com promessas genéricas, discursos repetitivos e campanhas centradas na desqualificação dos adversários. Os lançamentos pareceram ter servido mais para mobilizar públicos já conquistados do que para ampliar o diálogo com outros eleitores, enquanto os debates surgiram como uma etapa potencialmente mais relevante para conhecer propostas, comparar candidaturas e avaliar o preparo dos candidatos.
As novas informações sobre as investigações envolvendo Lulinha e pessoas próximas ao governo tiveram baixo impacto imediato sobre a intenção de voto em Lula. Na maior parte dos grupos, o episódio foi interpretado a partir de avaliações que já estavam formadas: entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, reforçou uma rejeição anterior, enquanto entre lulistas, não abalou o apoio. O caso encontrou maior possibilidade de repercussão entre os segmentos menos consolidados. Indecisos conservadores e indecisos progressistas evitaram responsabilizar Lula diretamente sem provas, ainda que os conservadores demonstrassem maior desconfiança prévia. Entre os progressistas, foi particularmente forte a separação entre os atos do filho e a responsabilidade do pai. Nos dois grupos, porém, apareceu uma condição importante: evidências de que Lula sabia, participou, favoreceu ou tentou proteger os envolvidos poderiam alterar a avaliação do presidente.
A reação à postura de Nikolas Ferreira foi fortemente condicionada pelo posicionamento político dos grupos. Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, sua manifestação encontrou respaldo porque a suspensão foi interpretada principalmente pela chave da censura, da restrição à liberdade e do receio de ampliação do controle sobre as redes sociais. Nesse campo, Nikolas conseguiu reforçar uma imagem já positiva de enfrentamento ao governo e de conexão com os jovens, com maior intensidade entre os bolsonaristas convictos. Nos demais grupos, a questão foi interpretada prioritariamente pela ótica da proteção de crianças e adolescentes. Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, predominou a percepção de que a gravidade dos riscos justificava algum tipo de intervenção e de que Nikolas errou ao deslocar a discussão para o confronto político. A tentativa de associar a insatisfação dos jovens a ganhos eleitorais para Flávio Bolsonaro pesou negativamente por transmitir a ideia de exploração eleitoral de um tema considerado sério. Os indecisos conservadores foram particularmente importantes por mostrarem que a crítica a Nikolas não ficou restrita aos grupos mais próximos da esquerda. Mesmo partindo de um perfil político mais conservador, colocaram a proteção dos menores acima da discussão sobre censura e demonstraram pouca adesão ao enquadramento proposto pelo deputado. Entre os lulistas, a reação negativa foi mais intensa e esteve apoiada em uma rejeição anterior já bastante consolidada.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

