Relatório 150

De 14 a 20/9/26

Temas:

  • Apoio de Cury no 2° turno
  • Julgamento de Ministros do STF
  • Aumento do Bolsa Família
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 14 a 20/9/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 171 interações, totalizando 8.244 palavras.
Bolsonaristas Convictos (BC)Bolsonaristas Moderados (BM)Indecisos Conservadores (IC)Indecisos Progressistas (IP)Lulodescontentes (LD)Lulistas (LL)Evangélicos
Posicionamento de CuryCury foi visto como confuso, pouco firme e pouco confiável. A mudança de posição reforçou a desconfiança, e parte do grupo continuou associando-o à esquerda.Parte considerou coerente não apoiar nenhum dos dois e liberar os eleitores, mas houve desconfiança de que Cury poderia mudar de posição conforme o cenário.Predominou a aprovação à decisão de não apoiar nenhum dos dois. O grupo valorizou a liberdade dos eleitores e viu a postura como compatível com a tentativa de romper a polarização.A postura foi vista principalmente como oportunismo e tentativa de não se comprometer. Houve desconfiança de que Cury poderia negociar seu apoio posteriormente.Para a maior parte do grupo, a proposta de romper com a polarização perdeu força quando ele descartou Lula de forma definitiva, mas inicialmente deixou aberta a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro.A neutralidade foi considerada pouco convincente. Predominou a percepção de que Cury tentava se apresentar como isento, mas estava mais próximo da direita e poderia acabar apoiando Flávio.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Julgamentos dos MinistrosViram o julgamento como evidência de proteção interna no STF, sobretudo em torno de Moraes. Mendonça não foi criticado. O pedido de vista de Dino foi interpretado como manobra para atrasar o caso e evitar responsabilizações.Enxergaram a sessão como um “circo”, marcado por conflitos, provocações e falta de seriedade. Predominou a percepção de que o adiamento teria sido proposital e de que o caso terminaria sem punições.Criticaram principalmente o tumulto e a falta de postura dos ministros, cobrando investigação e responsabilização igual para todos. Houve desconfiança sobre o adiamento, mas alguma abertura para entendê-lo como procedimento legítimo.Reprovaram a desorganização e a falta de imparcialidade, criticando todos os ministros. Fizeram cobranças por uma investigação rápida e responsabilização dos envolvidos.Interpretaram a sessão principalmente como uma disputa de poder atravessada por interesses políticos e econômicos. Predominou o pessimismo de que, diante do peso dos envolvidos, o caso terminaria sem consequências.Viram o episódio como vergonhoso e prejudicial à imagem do STF, mas sem rejeitar a instituição de forma homogênea. Cármen Lúcia e Dino foram mais preservados, enquanto os demais foram vistos dentro de uma disputa política interna.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
Aumento do Bolsa FamíliaViram o reajuste como uma tentativa explícita de comprar votos e reagiram com forte indignação. Apoiaram a oposição e associaram o episódio à percepção de tratamento desigual da Justiça entre esquerda e direita.Interpretaram o aumento como uma medida essencialmente eleitoreira, tomada por Lula para recuperar votos entre os beneficiários. Consideraram legítima a reação da oposição, embora com descrença sobre possíveis consequências.Consideraram o reajuste necessário, mas desconfiaram fortemente do momento escolhido por Lula. Dividiram-se sobre a oposição: parte apoiou o questionamento, enquanto outra criticou a tentativa de impedir que o benefício chegasse às famílias.Aprovaram majoritariamente o aumento por considerá-lo necessário, mesmo reconhecendo possível interesse eleitoral. Tenderam a rejeitar sua suspensão, defendendo que eventuais irregularidades fossem investigadas sem prejudicar os beneficiários.Aprovaram o reajuste em si, mas avaliaram negativamente sua concessão às vésperas da eleição. Houve maior respaldo à contestação da oposição, embora também tenha surgido o risco de ela parecer contrária aos mais pobres.Defenderam o reajuste mesmo reconhecendo que poderia haver cálculo eleitoral, pois priorizaram seu benefício concreto para as famílias. Criticaram fortemente a oposição por tentar suspendê-lo e entenderam que essa reação poderia favorecer politicamente Lula.Os participantes elaboraram suas respostas de acordo com seus grupos de pertencimento.
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Pergunta 88

Augusto Cury, que se apresenta como candidato à presidência que quer romper com a polarização, afirmou no último dia 10 que não apoiaria Lula “em hipótese nenhuma” em um eventual segundo turno. Já sobre Flávio Bolsonaro, inicialmente disse que poderia apoiá-lo caso ele “provasse que não é corrupto” e assumisse compromissos com propostas de seu programa de governo. No dia seguinte, porém, declarou que “não há condição de apoiar nenhum dos dois” e disse que seus eleitores estariam livres para escolher. O que vocês acham desse posicionamento de Augusto Cury?
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Desconfiança e a percepção de incoerência

Entre os bolsonaristas convictos, predominou uma reação negativa ao posicionamento de Augusto Cury, marcada principalmente pela desconfiança em relação à sinceridade e à firmeza de suas declarações. A mudança entre admitir inicialmente a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro e, depois, afastar o apoio aos dois candidatos foi interpretada como sinal de confusão e falta de convicção. Em vez de reforçar sua imagem de independência, o movimento alimentou a percepção de que Cury não sustentava claramente suas posições.

Ao mesmo tempo, a declaração de que não apoiaria Lula não foi suficiente para aproximá-lo desse público. Parte dos participantes continuou desconfiando de sua posição ideológica e percebendo proximidade com a esquerda, chegando a duvidar que ele realmente mantivesse a recusa a Lula em um eventual segundo turno. Assim, o problema não esteve apenas na mudança de discurso, mas em uma falta de confiança anterior em Cury, que fez com que mesmo uma posição potencialmente alinhada ao grupo tivesse pouca capacidade de convencimento.

“Cury não sabe nem o que ele quer e ta falando besteira. No primeiro debate que teve eu genuinamente achei que ele era um candidato que valesse a pena, mas depois vi que apesar de ter boas qualidades, ja ta meio doido das ideias.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)

“Eu acho que ele é Lula e não quer assumir porque subiu nas pesquisas, ele está jogando com os eleitores que estão enganados a respeito dele, pessoas que não pesquisam sobre o candidato e vota no primeiro que chega mentindo com palavras bonitas. Ele é de esquerda e não vai apoiar o Flávio Bolsonaro, sabe que Lula é corrupto e não se posiciona contra esse governo que destruiu o país.” (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

“Claramente perdido, confuso, sem conhecimento e sem contato com a realidade do nosso povo e sem o jogo de cintura necessário para a guerra suja que é a política hoje no Brasil.” (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

“Eu não confio em Augusto Cury e nem no partido dele. Augusto Cury e seu partido não irão contra Lula e a esquerda. Quando vi a primeira fala dele, já sabia que aquilo não iria acontecer. Foi dito e feito!” (BC, 46 anos, babá, PR)

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Aprovação à decisão, mas com ressalvas

Entre bolsonaristas moderados e indecisos conservadores, houve maior aceitação da decisão de Cury de não apoiar nenhum dos dois candidatos. Predominou a ideia de que ele não precisava orientar seus eleitores a escolher alguém com quem não concordasse e de que deixá-los livres preservava sua independência. Especialmente entre os indecisos conservadores, essa postura apareceu como coerente com a proposta de se manter fora da polarização e com a própria dificuldade de escolher entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Essa aprovação, porém, não significou confiança plena em Cury. A mudança entre as duas declarações gerou dúvidas sobre a estabilidade de sua posição, sobretudo entre os bolsonaristas moderados, que levantaram a possibilidade de uma mudança futura conforme o cenário político. Também apareceu a percepção de que uma eventual indicação de Cury teria influência limitada sobre a decisão de seus eleitores. Ainda assim, diferentemente dos demais blocos, prevaleceu nesses grupos uma leitura mais legítima da neutralidade, entendida menos como fuga de posicionamento e mais como uma escolha política possível.

“Acho que se ele não sente confiança em nem um dos dois ,ele está fazendo o certo.” (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)

“Acho que foi uma posição coerente, pois ele decidiu não apoiar nenhum dos dois candidatos e deixou seus eleitores livres para escolher. Isso mostra que ele preferiu manter sua independência política” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

“Augusto Cury não é político. Não sabe nem se proteger das perguntas "ciladas". Na verdade acredito que o eleitor dele no 2 turno não vai se ater a sinalização dele pra escolher” (BM, 38 anos, professor, SP)

“Ele pode adotar esse discurso agora, mais isso pode mudar totalmente se por algum motivo o cenário ser positivo ao lula, pelo menos e o que eu acho” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

“Acho que esta certíssimo, embora eu acredite que ele esteja indo bem nas pesquisas, mas deixar os eleitores livres é uma forma de dizer que, cada um assuma os seus riscos e arquem com suas escolhas.” (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

“Acho que assim como eu, num eventual segundo turno entre os dois candidatos fica inviável escolher. Acho correto não se vincular imediatamente a um candidato nesse momento, ainda mais ele que está crescendo nas pesquisas. Que ele se mantenha assim, sem declarar apoio a nenhum dos dois, pois acredito eu que teremos sim um segundo turno.” (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

“Os primeiros comentários foram sensatos e o segundo também, não vejo necessidade da parte dele de mobilizar seu eleitorado para votar nesses candidatos se eles não representam as ideias que ele propõe e acredita, ele pode proferir decisão pessoal ou não e o eleitor avalia se acompanha o voto dele ou não” (IC, 24 anos, estudante, MA)

“Acho que ele foi sensato na fala. Se ele não considera que vale apoiar pena a algum candidato melhor se abster. Infelizmente as pessoas colocaram na cabeça que elas são obrigadas a escolher entre o sujo e o mal lavado. Não escolher também é uma escolha” (IC, 37 anos, professor, RJ)

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Oportunismo, contradição e tendência à direita

Entre indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, predominou uma leitura negativa da tentativa de Cury de se colocar fora da polarização. A principal questão esteve na diferença de tratamento dada aos dois possíveis adversários: enquanto Lula foi descartado de maneira definitiva, Flávio Bolsonaro inicialmente permaneceu como uma possibilidade de apoio. Essa assimetria fez com que a alegada neutralidade fosse pouco convincente e alimentou a percepção de que Cury estava mais próximo da direita do que seu discurso de independência sugeria.

A mudança posterior para uma posição de não apoiar nenhum dos dois também não conseguiu desfazer essa impressão. Entre esses grupos, o recuo foi associado à falta de clareza, oportunismo ou tentativa de preservar uma imagem de candidato independente sem assumir integralmente suas inclinações políticas. A intensidade variou: entre os lulodescontentes apareceu mais uma crítica à contradição entre discurso e posicionamento, enquanto entre indecisos progressistas e lulistas houve maior desconfiança sobre as intenções de Cury. De forma geral, sua movimentação enfraqueceu, nesses públicos, a credibilidade da proposta de representar uma alternativa efetivamente distante dos dois polos.

“Oportunista. Essa questão dá pra responder com essa única palavra: Oportunista.” (IP, 32 anos, dentista, SP)

“Muito contraditório isso, não é claro e decidido o suficiente. Acredito que ficando "neutro" e dizendo que os eleitores estão livres pra decidir, ele não se compromete com nenhum, ainda mais agora dps das coisas sobre Flávio. Provavelmente está procurando oportunidades para mostrar ser "diferente" dos outros candidatos.” (IP, 26 anos, autônoma, RO)

“Pra mim apenas esta jogando o jogo. Ele sabe que a rejeição a ferro e fogo tende mais ao Lula, e em contrapartida, ele tb nao vai muito pro outro lado. Ta tentando pegar os eleitores indecisos e nao tomar muito um lado nem outro” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

“Sinceramente acredito que o candidatado Augusto Cury ainda estás encima do muro em relação ao Lula e Flávio,sinto como o que já aconteceu em diversas outras eleições após a redemocratização. No fim ele acabará apoiando o candidato quem der a ele um cargo ou que pegue uma de suas propostas para ser implementada.” (IP, 46 anos, vendedora, RS)

“E um posicionamento contraditório se ele diz que vai terminar com a polarização e tá tendencioso para um lado da polarização” (LD, 59 anos, educador social, CE)

“Eu acho meio contraditório ele dizer que quer romper com a polarização e, ao mesmo tempo, já descartar totalmente um dos lados. Ele deveria analisar os dois candidatos pelas propostas e pelo que apresentam, e não fechar a porta para um antes mesmo do segundo turno” (LD, 27 anos, entregadora, RS)

“Já era de se esperar isso do Augusto Cury, infelizmente. Ele tentou se botar como uma alternativa mais ao centro, mas esse tipo de posicionamento mais a direita é relativamente comum entre quem tenta se comunica como isento.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

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Pergunta 89

O Supremo Tribunal Federal julgou nesta terça-feira (15/9) uma questão de ordem procedimental sobre a separação ou o agrupamento de petições ligadas a investigações da Polícia Federal no âmbito do chamado caso envolvendo o Banco Master e mensagens atribuídas a ministros. O plenário discutia se os processos e petições envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça deveriam ser julgados em conjunto ou de forma separada. A sessão foi bastante tumultuada e, ao fim do dia, o julgamento foi interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, pausando a análise da questão procedimental por até 90 dias.

Vocês acompanharam alguma coisa do julgamento? Como vocês avaliam o comportamento dos Ministros?

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Proteção e descrédito

Entre os bolsonaristas convictos e moderados, o julgamento foi interpretado como uma demonstração de que os próprios ministros atuavam para proteger integrantes da Corte. O tumulto não foi percebido apenas como falta de organização ou perda de controle, mas como parte de uma movimentação interna para dificultar o avanço do caso. A desconfiança já existente em relação ao Supremo encontrou no episódio novos elementos para se fortalecer.

O adiamento reforçou essa leitura, sendo entendido principalmente como uma estratégia para ganhar tempo e evitar consequências. Também predominou uma expectativa muito baixa de responsabilização, com a percepção de que a posição ocupada pelos ministros lhes garantiria proteção. Nesse contexto, a sessão aprofundou uma visão do STF como uma instituição pouco imparcial, fechada em torno de seus próprios integrantes e distante das regras que os participantes esperavam que fossem aplicadas aos demais cidadãos.

“O que estamos vendo é a destruição da confiança no STF. Vejo muito gente que deixou de confiar nessa instituição que deveria ser honrosa e hoje se tornou uma vergonha nacional, eles deixaram de parecer um árbitro imparcial e passou a ser vista como parte do próprio conflito.” (BC, 47 anos, administradora, BA)

“Eu acompanhei o teatro todo e acho vergonhosa a atitude dos membros do STF. Fica claro que muitos lá tem o rabo preso e estão todos se protegendo para não sobrar para cada um tbm.” (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

“Boa noite! É uma vergonha ver como o STF está agindo com todos os brasileiros, acham que somos bestas e não vemos a injustiça acontencendo. Alexandre brinca com a constituição e os ministros que deveriam tomar de conta para parar com a palhaçada, ficam de rabo preso a ele.” (BC, 22 anos, vigilante, RO)

“Muito vergonhoso o que estão fazendo com nós brasileiros, Alexandre só faz povo de marionete brinca com cara de toda população 90 dias é muita coisa já que a eleição está ai” (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)

“Bom dia ..acompanhei sim..,achei uma verdadeira palhaçada. Esperava mais seriedade e clareza por parte dos ministros,e sinceramente parece que o Dino fez de propósito para ganhar tempo.Justo naquele momento ele pediu vista e o julgamento acabou sendo interrompido. Para mim, ficou uma impressão muito ruim, parecia que estavam tentando evitar uma decisão naquele momento.” (BM, 42 anos, gerente de vendas, MG)

“Acompanhei tudo, e achei bizarro virou um festival de ataques , e também ficou muito evidente que isso tudo vai enrolar e postergar, não vejo ninguém sendo punido não em” (BM, 33 anos, consultor de TI, SP)

“Acompanhei sim. Eles fazem o circo e nós somos os palhaços. Desanimador viver no Brasil, pois isso vai dar em pizza. E infelizmente pela constituição não dá para ngm intervir.” (BM, 29 anos, advogada, SP)

“Boa tarde. Vi alguma coisa sim, e achei que aquilo ali não vai dar em nada, o presidente do STF estava totalmente perdido e sem iniciativa ou pulso forte,Dino falou poucas e boas para ele , e pediu vistas ,sabemos muito bem que tudo isso já era esperado . Infelizmente vai terminar em pizza .” (BM, 54 anos, aposentado, PB)

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Investigação para todos

Entre os dois grupos de indecisos e lulodescontentes, a insatisfação também foi predominante, mas esteve menos concentrada na ideia de que existia um lado claramente correto e outro sendo protegido. O comportamento dos ministros foi visto como tumultuado, pouco equilibrado e inadequado para a importância do STF. As disputas internas acabaram transmitindo uma imagem de falta de seriedade e contribuíram para ampliar a desconfiança em relação ao funcionamento da Justiça.

A principal convergência esteve na cobrança para que todos os envolvidos fossem investigados e eventualmente responsabilizados, independentemente do cargo ou da posição que ocupassem. O adiamento gerou incômodo e alimentou o receio de que o caso se prolongasse sem consequências, mas houve menos consenso sobre as intenções dos diferentes ministros. Assim, a crítica se concentrou mais na necessidade de imparcialidade, agilidade e igualdade perante a lei do que na defesa ou condenação de um campo específico dentro da Corte.

“Eu acompanhei alguns trechos já que a transmissão foi bastante longa e depois desse pedido de vista que soa mais como atraso para o julgamento deixa claro que o recado é beneficiar a parte acusada, ouve interrupções de ministros em falas de outros ministros, um votou e deixou o plenário, outro queria que não tivesse transmissão ao público, o clima não está nada legal na Suprema Corte” (IC, 24 anos, estudante, MA)

“Só vi alguns pedaços nas redes mesmo. Pra mim isso é um escândalo enorme, não importa quem tá no meio. Todo mundo que erra tem que responder pelos atos, sem distinção, seja quem for. E deveria ter mudança mesmo, pra não ficarem muito tempo no poder e abusarem assim!...” (IC, 30 anos, autônoma, SP)

“Vi alguns cortes no Instagram E achei horrível, querendo se aparecer sabe Não acho isso legal Independente da pessoa , independente de cargo , cor , raça e ser rico ou não, precisa se responsabilizar pelos seus atos” (IC, 25 anos, auxiliar administrativa, SP)

“Vi sim. Achei uma bagunça e, sinceramente, esse negócio de ministro ficar discutindo desse jeito só aumenta a desconfiança do povo. Pra mim, não importa se é Moraes, Mendonça ou qualquer outro: tem que investigar tudo, sem passar pano pra rico, banqueiro ou autoridade. Justiça tem que valer igual pra todo mundo, não só pra quem é pobre.” (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

“Acompanhei por cima, e vi que o clima ficou tenso. E o que me chamou atenção, foi o fato de o Alexandre de Moraes ter votado em algo que era do interesse dele, além de que os ministros estavam com os ânimos exaltados, além de que não houve imparcialidade.” (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

“Vi pouca coisa sobre o assunto. O tumulto só chama mais atenção. Se tem que ser investigado acho que deveria ser logo.” (IP, 43 anos, autônomo, MT)

"Acompanhei vários momentos do julgamento e a repercussão no noticiário. Avalio o comportamento dos ministros como rasteiro e de esquina ou mesa de bar. Externa uma face triste de como o poder econômico interfere em todos os poderes para manter seus interesses. Tem braços no legislativo, no executivo e no judiciário, e as práticas decorrentes nem sempre são republicanas e/ou dignas de conhecimento público.” (LD, 48 anos, servidor público, PA)

“Eu acompanhei os noticiários e várias partes do julgamento, vi muita disputa de poder, e superioridade, o momento era de solucionar o problema pois tem provas suficientes, mas não aconteceu e ao que tudo indica não vão chegar a lugar nenhum.” (LD, 47 anos, professora, MT)

“Boa noite, Acompanhei pelos noticiários e entendo que deveria haver outra forma de condução do julgamento pois o que se viu ali foi uma disputa de poder, isso mostra para o país que esse e mais um dos casos que não vai dar em nada.” (LD, 49 anos, vigilante, MT)

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Crítica sem ruptura com o STF

Entre os lulistas, o julgamento também provocou vergonha, frustração e críticas ao comportamento dos ministros. O excesso de conflitos e a dificuldade de compreender o que efetivamente estava sendo discutido prejudicaram a imagem da Corte e deram ao episódio um caráter mais político e espetacularizado do que jurídico. Também apareceu preocupação com a demora e com a possibilidade de o caso permanecer sem uma resposta clara.

Apesar do desgaste, a crítica não se transformou em uma rejeição generalizada ao STF. Parte dos ministros foi preservada, e permaneceu o reconhecimento da importância institucional da Corte, inclusive como elemento de proteção da democracia. Também houve maior cautela diante das diferentes versões sobre o caso e menor consenso sobre quem estaria agindo de forma indevida. A expectativa foi menos de ruptura com o Supremo e mais de esclarecimento das acusações e recuperação da credibilidade da instituição.

“Estou acompanhando o caso e estou envergonhado com tudo que está acontecendo. A espetacularização de um caso sério como esse é no mínimo vergonhosa. A Ministra Carmen Lúcia demonstrou bastante do que o povo está sentindo no discurso dela, pedindo desculpas ao povo. Espero que o STF passe por cima disto e se fortaleça novamente, pois o país foi assegurado pelos ministros por diversas vezes na história recente.” (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

“Estou acompanhando um pouco. Temos que saber de quais ministros estamos falando? O grande problema é a disputa política interna do STF. O que realmente importa é o resultado final. Se vai virar pizza ou vai se resolver alguma coisa.” (LL, 61 anos, administrador, PR)

“boa noite. eu estou acompanhando em partes pelas redes sociais, estou até evitando um pouco ver muito sobre o assunto pq estou achando muito confusa toda a situação e o desenrolar, a internet tbm não ajuda pq os bolsonaristas só querem um motivo pra tirarem os deles da reta da mídia. estou esperando um desenrolar definitivo para julgar melhor. a postura da Ministra Carmem como sempre de respeito. pra mim, ela demonstrou a melhor postura que o cargo perde e diante da postura dos demais. enfim, o comportamento de todos ali é no mínimo vergonhoso para mim.” (LL, 23 anos, auxiliar administrativo, RO)

“estou acompanhando meio por cima, tanta coisa que é até difícil saber o que está efetivamente acontecendo. De qualquer forma demonstra quão corrompidos nossas autoridades estão” (LL, 45 anos, professor, PB)

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Pergunta 90

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um reajuste de 15% nos valores do Bolsa Família. Com a atualização, os novos valores começam a ser creditados na folha de outubro de 2026. De acordo com o governo federal, o aumento visa recompor as perdas decorrentes da inflação medida pelo INPC acumulada desde março de 2023. O valor subirá de R$ 600 para R$ 691 por família.

O senador e principal candidato da oposição na disputa presidencial classificou a medida como um ""ato de desespero"" e parlamentares e partidos da oposição acionaram formalmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O deputado Zé Trovão pediu uma liminar urgente para suspender os pagamentos reajustados até o fim das eleições.

O que acham dessa decisao de Lula? Como avaliam o comportamemto da oposiçao?

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Medida eleitoreira

Nos dois grupos bolsonaristas, o reajuste foi interpretado predominantemente como uma medida de caráter eleitoral, tomada para ampliar o apoio de Lula entre os beneficiários do Bolsa Família. O momento do anúncio teve peso central nessa avaliação: a proximidade da eleição alimentou a percepção de que, se a recomposição fosse motivada apenas pela inflação ou pela necessidade das famílias, poderia ter ocorrido anteriormente. Assim, o benefício social da medida ficou em segundo plano diante da suspeita sobre sua finalidade política.

A reação da oposição foi considerada legítima e necessária, com apoio à tentativa de impedir que o reajuste entrasse em vigor durante o período eleitoral. Também apareceu uma forte desconfiança em relação à atuação das instituições, sobretudo pela expectativa de que Lula não sofreria consequências por uma medida que os participantes consideraram irregular. Entre os convictos, essa percepção assumiu um tom mais intenso de indignação e de tratamento desigual entre os campos políticos; entre os moderados, prevaleceu uma crítica mais concentrada no oportunismo eleitoral, acompanhada também por preocupação com as contas públicas.

"Eu acho essa decisão de aumento do bolsa família eleitoreira, porque não aumentou o ano passado, porque vai fazer isso agora a poucos dias das eleições, é claramente desespero de saber que vai perder a eleição pro Flávio Bolsonaro no 1° turno. A cara de pau desse ex-presidiário não tem limites, quando o presidente Bolsonaro quis anunciar na televisão uma vacina para as crianças em 2021, logo STF impediu porque falou que era propaganda eleitoreira, e isso agora é o que. Pior é que a esquerda pode tudo, eles fazem o que querem e não podemos fazer nada pra impedir, isso tudo está causando uma revolta na população, tenho conversado com amigos e familiares e todos unidos num só sentimento de impunidade, descaso e deboche com a nossa cara, eles estão insultando a nossa inteligência, ainda acham que a maioria está dormindo que não estamos ligados nos bastidores desse sistema podre que se apoderou do nosso país. Avalio o comportamento da oposição como: debochada, sem medo de nada porque sabe que tem todos corruptos de todas repartições em seu poder ou debaixo de chantagens." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

"Isso não me surpreende de forma alguma! Não tem como não questionar dessa decisão. Se era algo tão importante, por que não foi feito antes? Há para pura ação levada pelo desespero do que está ocorrendo, eles já entenderam a ameaça que está acontecendo e já estão agindo levados pelo desespero igual como eles fizeram com as taxas da blusinha e depois de eleito ele tirou o direito da população! Só uma tentativa de melhorar a imagem desse desgoverno junto aos eleitores. Mas as pessoas já entenderam que ele só tomou essa decisão agora pra influenciar o calendário político. Eu acredito que benefícios sociais devem ser tratados com seriedade e responsabilidade, não como ferramentas de disputa eleitoral. Quem governa deveria tomar decisões pensando no país durante todo o mandato, e não apenas quando os votos começam a entrar em jogo. Ele já faz isso, já se tornou algo até normal, é um covarde se utiliza ainda da ideia de voto comprado através do aumento do benefício para conseguir se reeleger." (BC, 47 anos, administradora, BA)

"O Brasil é as contas públicas já estão no limite aí o Lula resolver estourar mais ainda pra fazer ação eleitorais até pq se tivesse preocupado com os mais pobres teria feito antes. Uma irresponsabilidade" (BM, 38 anos, professor, SP)

"Ato desesperado já q as pesquisas já colocam Lula em risco de perder já no primeiro turno. Sabe que é proibido pela lei, nem precisa da oposição fazer nada o próprio ministério público deve agir." (BM, 43 anos, administradora, GO)

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'Timing' problemático

Entre os indecisos conservadores e lulodescontentes, predominou uma posição intermediária, que separou o mérito social do reajuste de sua oportunidade política. O aumento foi reconhecido como necessário ou justificável diante da inflação e das dificuldades enfrentadas pelas famílias, mas sua concessão às vésperas da eleição gerou forte desconfiança. A proximidade do pleito enfraqueceu a justificativa apresentada pelo governo e fez com que a medida fosse percebida, em diferentes intensidades, como oportunista ou eleitoreira.

A reação da oposição encontrou respaldo relevante, mas não irrestrito. Parte considerou legítimo recorrer à Justiça e até adiar o reajuste para depois das eleições, enquanto outra avaliou que impedir o pagamento acabaria penalizando justamente quem precisava do benefício. Surgiu, assim, um risco político para a oposição: mesmo diante da desconfiança em relação às motivações de Lula, a tentativa de suspender o aumento poderia deslocar o debate da conduta do governo para a imagem de uma oposição que estaria impedindo a chegada de recursos às famílias mais pobres.

"O aumento é muito bom mesmo, as famílias precisam realmente , mas a verdade é que devia ter feito isso há muito tempo, né? Deixou acumular tanto e só agora!? Bem na época da eleição, que resolveu ajustar!? Parece mais jogada política do que preocupação de verdade. E a oposição também não ajuda, em vez de pensar no povo, só quer brigar e impedir que o dinheiro chegue!..." (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"O aumento é válido, sim. Ser feito perto das eleições talvez seja jogada política, talvez seja. Não temos como ter certeza. A oposição sempre vai querer alarmar e criar um grande circo, e vice e versa. A política no Brasil é muito cansativa." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Bom dia, eu acho o aumento válido considerando a inflação. A questão é que essa foi uma estratégia oportunista que só aconteceu pra aumentar o índice de votos.

Nesse sentido, eu acho que a decisão do Lula foi feita em momento inoportuno, e a oposição está certa em reivindicar ao TSE. Ao meu ver agora o que poderia ser melhorado (aproveitando o momento de eleições) seria a averiguação cadastral, atualmente esse é um dos maiores problemas do bolsa família, eu li numa pesquisa que nesses últimos anos aumentou consideravelmente o número de pessoas morando sozinhas e o MDS conseguiu descobrir que muitos desses cadastros de 1 pessoa só são famílias que se dividiram no papel pra receber +1 cota do bolsa família, isso sem contar com vários apontamentos da TCU e CGU sobre falha no cruzamento de dados, ou seja, é necessário automatizar os dados cadastrais de modo continuo, verificar todas as auto declarações, auditorias mais frequentes e tornar mais ágil o processo de devolução de recursos por parte de quem recebeu de má-fé.. (Eu sei que algumas pessoas precisam devolver porque comprovadamente se verificou má fé, mas esse sistema ainda é muito falho, e é necessário um pente fino maior e até uma responsabilidade legal maior pra quem comete esse tipo de fraude." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Não tenho informações se esse aumento já estava previsto, mas considero que essa decisão tem características que podem eleitorais, apesar de não ser determinante. A tentativa da oposição de barrar o aumento é ruim, pois expõe um posicionamento contrário ao benefício de muita gente." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

"Na realidade não questiono o aumento e sim o momento eleitoral, a oposição tem todo direito de reclamar sim" (LD, 59 anos, educador social, CE)

"Infelizmente foi um tiro no pé, ele poderia ter aguardado a eleição para dar o aumento. A proposta é boa ? Sim! Tem fundamento? Sim! Outros candidatos, até mesmo o Bolsonaro, já fizeram isso? Com TD certeza! Mas e se for o lula? manda o André Mendonça caça a chapa" (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)

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Mérito social do reajuste

Entre os indecisos progressistas e lulistas, prevaleceu uma avaliação que colocou o efeito social do reajuste acima das suspeitas sobre sua motivação eleitoral. O aumento foi considerado necessário diante da inflação e da perda de poder de compra, especialmente para famílias mais dependentes do benefício. A proximidade da eleição não passou despercebida e, inclusive entre apoiadores de Lula, houve reconhecimento de que a decisão poderia ter sido influenciada por cálculo político. Ainda assim, essa suspeita não foi suficiente para invalidar uma medida percebida como materialmente positiva para a população mais pobre.

A reação da oposição foi vista de forma mais crítica do que o próprio momento escolhido por Lula. Embora parte dos indecisos progressistas tenha considerado legítimo questionar a medida eleitoralmente, predominou a resistência à suspensão do reajuste, porque ela transferiria o custo da disputa política para os beneficiários. Entre os lulistas, essa crítica foi ainda mais intensa e associou a oposição a uma postura contrária aos interesses dos mais pobres. Dessa forma, a tentativa de barrar o aumento apresentou potencial de produzir um efeito político inverso, preservando o mérito atribuído à decisão de Lula e expondo a oposição ao desgaste de parecer responsável pela retirada de um benefício considerado necessário.

"O bolsa família ajuda muita gente, embora o aumento tenha sido em época de eleição, eu acho que foi uma boa decisão do Lula esse reajuste. Teve aumento nas contas, aumento no mercado, aumento do salário e o bolsa ficou igual. Tem famílias que ficaram muito felizes cm isso, pq ajuda muito. Acho que a decisão de revogar esse aumento é desnecessária. Vão revogar o aumento das outras contas também? Outros rejeitam pq não querem que diminua o dinheiro que eles podem mexer." (IP, 26 anos, autônoma, RO)

"Concordo que seja uma medida desesperada, afinal, estamos às vésperas das eleições, porém, muitas famílias em situações precárias serão beneficiadas, então discordo da decisão da oposição, pous se fosse reajuste que beneficiasse a eles próprios, eles não seriam contra," (IP, 29 anos, empreendedora, RJ)

"Eu acho certo aumentar, porque o mercado tá caro pra caramba e R$ 600 hoje não compra a mesma coisa de antes. Agora a oposição ficar querendo barrar o aumento é complicado pq quem paga a conta é o pobre. Se acham que tem problema por causa das eleições que investiguem mas deixar a família sem esse dinheiro não resolve nada..." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"É óbvio que esta direita verá um pouco mais de dignidade ao povo como uma medida eleitoreira, e pode até ser verdade, mas Lula aproveitando o momento para mostrar quem eles realmente são: não se importam com quem precisa, se importam se isso vai trazer ou tirar votos deles. Apoio a decisão de Lula, apesar do momento delicado pra isso, não deixa de ser uma jogada política inteligente e que beneficia o povo." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)

"Está claro que é um ato eletoreiro, mas não ligo para isso! Em 2022 o presidiário fez coisas muitos piores e estourou o orçamento em 6525252525 vezes, deixando uma bomba para o Governo Atual. Agora, tenho certeza que por mais eleitoreira que seja essa medida, ela passou pelo crivo da Fazenda e não vai ser algo que onere os cofres públicos e nem gere prejuízos para o futuro presidente. O Brasil paga juro absurdos para os bancos, gera bilhões para a elite e aí quando dá R$80,00 a mais para quem realmente precisa, vem esse chororo todo. O que mais me irrita é que a indignação não é pelo ato e pela data no qual ele foi realizado, mas justamente por dar aos mais necessitados o mínimo. Ver gente que sofre tendo condições mínimas de vida irrita demais esses deputados e senadores que se dizem cristões!" (LL, 33 anos, tradutor, SP)

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Considerações finais

O posicionamento de Augusto Cury dividiu as opiniões principalmente pela forma como sua neutralidade foi interpretada. Somente entre os conservadores indecisos houve maior aceitação da decisão de não apoiar nenhum dos dois candidatos e deixar os eleitores livres. Nos demais, a mudança de discurso pesou mais e gerou dúvidas sobre sua firmeza e coerência. A desconfiança apareceu em sentidos opostos. Entre os bolsonaristas convictos e moderados, Cury foi percebido como alguém potencialmente próximo da esquerda, mesmo descartando Lula em suas falas. Já entre os indecisos progressistas, lulodescontentes e lulistas, a abertura inicial para apoiar Flávio, enquanto Lula foi descartado de imediato, reforçou a percepção de maior proximidade com a direita. No geral, a tentativa de se colocar fora da polarização não conseguiu produzir uma imagem clara de equidistância.

O julgamento de Moraes e Mendonça repercutiu negativamente em todos os perfis, sobretudo pelo tumulto, pelas disputas entre os ministros e pela percepção de falta de seriedade na condução da sessão. O episódio ampliou a desconfiança no STF e fortaleceu o receio de que o caso se prolongasse sem responsabilizações. A principal diferença esteve na interpretação do que havia por trás do conflito. Entre bolsonaristas convictos e bolsonaristas moderados, predominou a leitura de proteção deliberada entre ministros e de que o adiamento buscava ganhar tempo. Entre indecisos conservadores, indecisos progressistas e lulodescontentes, prevaleceu uma cobrança mais ampla por investigação e responsabilização de todos os envolvidos, sem consenso sobre quais ministros estariam agindo corretamente. Já entre lulistas, apesar do forte desgaste com a sessão, houve maior defesa da preservação da instituição e de alguns ministros, mantendo-se a expectativa de que o STF pudesse esclarecer o caso e recuperar sua credibilidade.

O reajuste do Bolsa Família foi percebido de forma ampla como uma medida com componente eleitoral, inclusive entre segmentos que aprovaram a decisão. A principal diferença entre os grupos esteve menos em reconhecer ou não esse cálculo político e mais em quanto ele comprometeu a legitimidade do aumento. Entre os bolsonaristas convictos e moderados, o caráter eleitoral praticamente anulou o mérito da medida: predominou a leitura de tentativa de conquistar votos, acompanhada de apoio à reação da oposição. Entre indecisos conservadores e lulodescontentes, houve maior separação entre conteúdo e momento: o reajuste foi considerado necessário, mas sua proximidade com a eleição gerou desconfiança e abriu espaço tanto para apoiar quanto para questionar a tentativa de suspensão. Já entre os indecisos progressistas e lulistas, o benefício concreto às famílias pesou mais do que a suspeita eleitoral. Mesmo admitindo possível oportunismo de Lula, o fato de o aumento ser pautado no reajuste de valores ajudou a validar a sua concessão. Além disso, esses grupos tenderam a considerar mais problemático barrar o reajuste do que concedê-lo às vésperas da eleição.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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MDP - Relatório 150