Relatório 164

21/10/22

Temas:

  • Ideologia de Gênero
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o segundo turno das eleições de 2026, reorganizamos os participantes em cinco grupos focais contínuos no WhatsApp, definidos a partir do voto no primeiro turno e da principal motivação desse voto.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

G1 – Bolsonaristas: votaram em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, motivados por considerá-lo a melhor opção.

G2 – Antipetistas: votaram em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, motivados principalmente por tirar o PT e Lula do poder.

G3 – Outsiders Indecisos: votaram em outros candidatos que não Lula nem Flávio Bolsonaro no primeiro turno e estão indecisos quanto ao segundo turno.

G4 – Antibolsonaristas: votaram em Lula no primeiro turno, motivados principalmente por impedir a vitória de Flávio Bolsonaro.

G5 – Lulistas: votaram em Lula no primeiro turno, motivados por considerá-lo a melhor opção.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

p 2/12

Síntese dos Principais Resultados

No dia 21/10/26, os cinco grupos debateram suas percepções sobre o termo ideologia de gênero. No total, foram coletadas e analisadas 53 interações, totalizando 3.077 palavras.
Bolsonaristas (G1)Antipetistas (G2)Outsiders Indecisos (G3)Antibolsonaristas (G4)Lulistas (G5)
Ideologia de GêneroRejeitaram fortemente a chamada “ideologia de gênero”, percebida como imposição de valores de uma minoria e ameaça às crianças e à autoridade dos pais. Aceitaram a narrativa de sua introdução nas escolas, responsabilizaram a esquerda e o PT pela divisão da sociedade e atribuíram o desaparecimento do tema ao receio dos candidatos de perder votos.Rejeitaram predominantemente a abordagem do tema nas escolas, considerada prejudicial à formação das crianças e uma interferência na educação familiar. Compartilharam a percepção de uma ameaça real, mas deram menor ênfase à responsabilização da esquerda e consideraram o assunto pouco relevante para a política.Consideraram a pauta secundária diante de problemas econômicos e sociais e rejeitaram predominantemente sua abordagem nas escolas. Criticaram a exploração eleitoral do tema, mas divergiram sobre sua origem: alguns reproduziram a narrativa conservadora, enquanto outros denunciaram a fabricação do “kit gay” pelo bolsonarismo.Defenderam a importância do debate sobre diversidade, direitos LGBTQIA+ e combate ao preconceito, inclusive nas escolas. Interpretaram a chamada “ideologia de gênero” como uma pauta distorcida pela direita para mobilizar eleitores conservadores, atribuindo sua menor presença na campanha a mudanças de estratégia eleitoral.Interpretaram a chamada “ideologia de gênero” como uma construção política utilizada sobretudo pela direita para alimentar preconceitos e mobilizar eleitores, questionando a própria existência do “kit gay”. Parte considerou que a pauta não desapareceu, mas foi substituída por novos ataques às pessoas trans e aos direitos das minorias.
p 3/12

Pergunta 107

Nos últimos anos, em vários pronunciamentos de discussões políticas apareceu o termo “ideologia de gênero” para falar sobre “kit gay” nas escolas, direitos de grupos LGBTQIA+ e outras pautas que ferem a moralidade cristã dos brasileiros, mas o tema desapareceu do debate político nessas eleições. Como você vê o tema da ideologia de gênero e sua importância para a política no Brasil?
p 4/12

A chamada “ideologia de gênero” nas eleições

Entre bolsonaristas e antipetistas, predominou a rejeição à chamada “ideologia de gênero”, percebida como uma tentativa de impor valores e comportamentos contrários às convicções familiares e religiosas. A preocupação concentrou-se na suposta introdução desses conteúdos nas escolas, entendida como ameaça à inocência das crianças e à autoridade dos pais. Os participantes defenderam que a educação sobre sexualidade deveria permanecer sob responsabilidade das famílias, enquanto às escolas caberia o ensino das disciplinas tradicionais. Embora reconhecessem o direito de cada pessoa viver conforme suas escolhas, distinguiram o respeito às diferenças da aceitação de ideias que consideraram impostas. Em ambos os grupos, prevaleceu a crença de que essa ameaça escolar era real, sem questionamentos significativos sobre a narrativa do “kit gay”.

Na dimensão política, os grupos compartilharam críticas à exploração eleitoral do tema, mas diferiram na intensidade e na atribuição de responsabilidades. Os bolsonaristas apresentaram uma rejeição mais ideológica e combativa, responsabilizando a esquerda e o PT pela promoção dessas pautas e pela divisão da sociedade. Os antipetistas concentraram suas críticas na interferência sobre a educação familiar e na percepção de que o assunto não deveria ocupar espaço na política, embora parte também identificasse seu uso para atrair eleitores. O desaparecimento da discussão foi interpretado como resultado de cálculos eleitorais para evitar conflitos e perdas de votos, sobretudo entre os bolsonaristas. Assim, a menor visibilidade da pauta não representou uma revisão das crenças anteriores, mas sua permanência fora do centro da disputa eleitoral.

“É uma pauta de uma minoria q tenta se impor sobre a maioria, que nega a ciência, tenta se fazer valer pelo grito. Como nenhum dos candidatos parecem querer perder votos da maioria precificaram que não convém falar do assunto nesse momento.” (G1, 46 anos, administradora, GO)

“Eu acho que cada um é livre pra fazer o que quiser, só acho que isso não tem que ser imposto a ninguém, o respeito tem que ser igual para os dois lados, acho que escola é para aprender as matérias do currículo escolar e não pra ensinar sobre escolhas de vida, se quer ser gay ou não.” (G1, 58 anos, empreendedora em serviços elétricos, RJ)

“Acho um absurdo escola e alguns professores induzindo crianças a esse tipo de coisa. Isso é uma violência contra criança e até pais que fazem esse tipo de coisa deveriam ser punidos. Criança tem que ser criança. O que ele será no futuro, pertence ao futuro e não devemos induzir a nada.” (G1, 48 anos, cuidadora de crianças, PR)

“Eu sou contra esse tema nas escolas. Acho que nessa fase de formação, isso acaba ainda mais confundindo a cabeça das crianças. Eu como mãe de uma menina de 3 anos, não gostaria que ela tivesse isso como pauta escolar. Não acho que isso seja importante para a política.” (G2, 30 anos, advogada, SP)

“Acredito que a família é a base da sociedade e que os pais devem ter o direito de participar ativamente da educação dos filhos, transmitindo valores morais e princípios que consideram fundamentais. A escola deve priorizar o ensino, respeitar a autoridade dos pais e evitar impor visões ideológicas às crianças. Isso não significa desrespeitar ninguém, mas defender que todos sejam tratados com dignidade.” (G2, 34 anos, autônomo, PE)

“Acredito que determinados assuntos devem ser abordados em casa, pela família, e não como uma matéria nas escolas. A escola deve pregar valores como igualdade, dignidade e respeito. Em relação à política, percebo que esse tema ganhou espaço mais por mídia do que por um interesse dos políticos em buscar soluções. Acredito que muitas vezes essa pauta acaba sendo utilizada para atrair atenção.” (G2, 36 anos, coordenadora, AM)

p 5/12

Uma pauta secundária, marcada pela desconfiança dos políticos

Entre os outsiders indecisos, predominou a percepção de que a chamada “ideologia de gênero” era uma discussão desnecessária, que desviava a atenção de problemas considerados mais urgentes, como economia, saúde, segurança e qualidade de vida. A maioria rejeitou sua abordagem nas escolas, sustentando que questões relacionadas à sexualidade deveriam permanecer sob responsabilidade das famílias e ser tratadas conforme a idade e a maturidade das crianças. Assim como nos grupos conservadores, muitos aceitaram a ideia de que haveria uma tentativa de introduzir esses conteúdos no ambiente escolar, sem questionar a existência do chamado “kit gay”. Ao mesmo tempo, defenderam o respeito às diferenças e à liberdade individual, desde que isso não implicasse, em sua percepção, a imposição de valores aos demais.

A desconfiança dos políticos foi o principal elemento distintivo do grupo. Os participantes interpretaram a exploração do tema como uma estratégia para conquistar votos, provocar conflitos e desviar a atenção das dificuldades enfrentadas pela população. Entretanto, não houve consenso sobre os responsáveis por essa instrumentalização. Parte reproduziu argumentos conservadores, atribuindo aos movimentos LGBTQIA+ e à esquerda a tentativa de impor reivindicações à sociedade, enquanto outros responsabilizaram o bolsonarismo pela criação de uma controvérsia artificial. Também apareceu a percepção de que os políticos adotaram posições oportunistas, sem compromisso genuíno com o assunto. Dessa forma, a menor presença da pauta na eleição foi recebida com pouca preocupação, reforçando a preferência por discussões consideradas mais concretas e relevantes para o país.

“Sinceramente, acho totalmente desnecessário esse tipo de discussão ou pauta. O que se tem que ter é respeito pela opção de cada indivíduo. Mas as crianças não precisam ter esse tipo de ensino de forma obrigatória na escola não. Existem pautas mais urgentes e necessárias como segurança, inflação, saúde, educação e melhor qualidade de vida a todos os cidadãos. O que devemos ter dentro de nós e passarmos a nossos filhos, é o respeito a todos tipo de diferença e escolhas das pessoas. Agora forçar minhas filhas a terem informações, que não acho necessário elas terem ainda , não é respeitoso e democrático. O direito de escolha deve ser de todos, e não somente um grupo. Eu como mãe também devo ter o direito de decidir quando e como minhas filhas terão acesso a informações relacionadas a isso.” (G3, 49 anos, vendedora, GO)

“Essa ideologia é apenas, ao meu ver, uma cortina de fumaça para afastar os olhos do principal que é a economia (inflação desenfreada que vivemos) desvalorização da nossa moeda, juros absurdos, taxas absurdas, segurança pública um caos, etc. Enquanto focarmos em ideologia de gênero e esquecermos do principal, continuaremos a andar para trás.” (G3, 35 anos, advogado, MT)

“Eu não acho que seja algo necessário, temos coisas mais importantes pra ser discutidos e colocados em prática...” (G3, 37 anos, promotora de vendas, TO)

“Eu acho esse tópico um surto coletivo da direita, impulsionado pelo bolsonarismo. Por mais que eu tenha procurado, nunca achei o tal "kit gay" como política pública nas escolas. Isso foi um espantalho moral criado para gerar pânico, angariar votos através do medo e polarizar a sociedade. Como vocês mesmos disseram esse tema "desapareceu do debate político nessas eleições", o que evidencia que a pauta nunca foi uma preocupação genuína com a educação, mas sim uma ferramenta eleitoreira temporária.” (G3, 31 anos, educador, RJ)

“A maioria dos políticos nem tem preparo para lidar com esses assuntos, fazem esses joguinhos que parecem estar interessados no assunto mas é tudo jogada dos partidos. O Brasil tem tantos problemas, e os políticos colocam umas pautas tão fraquinhas, mas vamos fazer o que, precisamos escolher um candidato.” (G3, 50 anos, almoxarife, SC)

“As pessoas estavam aproveitando um assunto sério para taxar ou utilizar frases de efeito, pejorativas em busca de falas que vão trazer "benefícios" com as pessoas.” (G3, 30 anos, analista de TI, GO)

p 6/12

Uma pauta distorcida pela direita para mobilizar preconceitos e conquistar votos

Entre antibolsonaristas e lulistas, predominou a interpretação de que a chamada “ideologia de gênero” havia sido explorada politicamente pela direita, sobretudo pelo bolsonarismo, para mobilizar eleitores conservadores por meio do medo e da rejeição às diferenças. Os participantes questionaram a legitimidade da narrativa, associando-a à distorção de discussões sobre diversidade, educação e direitos LGBTQIA+. Diferentemente dos grupos conservadores, não perceberam a abordagem desses assuntos nas escolas como uma ameaça às crianças, mas como uma oportunidade de promover respeito, combater preconceitos e prevenir discriminações. Os antibolsonaristas enfatizaram a importância de ampliar o debate e garantir direitos, inclusive por meio da educação escolar, enquanto os lulistas apresentaram críticas mais diretas à construção política do termo e à sua utilização para alimentar preconceitos.

A menor presença do tema na campanha não foi interpretada necessariamente como o abandono dessas disputas. Entre os antibolsonaristas, prevaleceu a percepção de que a direita havia deixado a pauta em segundo plano por conveniência eleitoral ou pela necessidade de mobilizar os eleitores em torno de outras questões. Entre os lulistas, apareceu também a avaliação de que a estratégia havia assumido novas formas, especialmente por meio de discursos dirigidos às pessoas trans e à defesa de valores tradicionais. Apesar da importância atribuída ao combate à discriminação, parte dos participantes criticou a transformação dessas questões em instrumentos de disputa eleitoral e defendeu que a política também priorizasse problemas econômicos e sociais. Assim, os grupos distinguiram a importância da garantia de direitos da exploração política do tema, considerada responsável por ampliar conflitos e preconceitos na sociedade.

“Bom dia, o termo ideologia de gênero é um termo criado pela extrema direita para conter o avanço de leis a favor da diversidade LGBTQIAP+, diretos conquistados desde os anos 80/90, que ainda são ameaçados pela bancada evangélica e conservadora. Os direitos LGBTQIAP+ são extremamente importantes para uma sociedade mais democrática e que promova igualdade.” (G4, 26 anos, autônomo, SE)

“A ideologia de gênero é vista como um conceito negativo. Bolsonaro utilizou muito esse termo em 2018 pra usar a seu favor e atacar a esquerda. Hoje, me parece que há outras pautas que a direita está utilizando e acabaram deixando essa questão mais de lado. Para aliciar as pessoas mais tradicionais, é uma ótima forma de conquistar votos, porém, quem possui consciência e um pouco de discernimento entende que esse assunto abordado da maneira correta ensina sobre o respeito sobre a diferença, evita preconceito e a disseminação de ódio contra os homossexuais, etc.” (G4, 29 anos, assistente administrativo, DF)

“Esse tema é importantíssimo sim, dever dos governantes essa lição nas escolas, assim como racisto e demais preconceito. Sabemos que qualquer tipo de educação vem de casa , mas o papel da escola tem um valor e causa grande impacto nas crianças. Ter esse assunto nas escolas não vai mudar o genero e sim , mostrar que devemos respeitar todos independente das suas escolhas.” (G4, 36 anos, analista financeira, RS)

“Ele não desapareceu, na realidade, só mudou o formato. Como foi comprovado que o "kit gay" não existia e que na verdade era uma medida de educação sexual, mais do que necessária, para evitar abusos e também conscientizar meninas sobre os perigos dos toques não autorizados, eles mudaram a estratégia.” (G5, 36 anos, professor, SP)

“Pra mim, isso tudo sempre foi mais cortina de fumaça do que assunto real. Criaram esse pânico moral nas eleições passadas só pra fugir dos problemas estruturais do país, como a fome, o desemprego, a inflação e a saúde pública. Respeito, inclusão e educação contra a discriminação são o básico da nossa Constituição, têm que ser ensinados como cidadania no dia a dia, e não usados como palco pra circo ideológico. O Estado deve garantir os direitos de todo mundo, enquanto a política tem que ser o que muda a vida do povo: emprego, salário digno, descanso, saúde e comida na mesa.” (G5, 35 anos, pesquisadora, PR)

“A ideologia de gênero é um termo usado no debate político para gerar polêmicas e mobilizar eleitores. Na minha visão, é importante discutir questões de gênero com respeito e responsabilidade, garantindo os direitos humanos, a igualdade e o combate à discriminação. A política deve priorizar a educação, o respeito à diversidade e a liberdade de cada pessoa, sem usar o tema para espalhar preconceitos ou dividir a sociedade.” (G5, 20 anos, backoffie, SP)

p 7/12

Considerações finais

Embora a chamada “ideologia de gênero” tenha perdido protagonismo no debate eleitoral, as opiniões revelaram que as narrativas construídas nas eleições anteriores continuaram presentes. A principal divisão esteve entre aqueles que perceberam uma ameaça real às crianças e aos valores familiares e aqueles que interpretaram a pauta como uma estratégia política de mobilização do medo e do preconceito.

Entre bolsonaristas e antipetistas, predominou a rejeição à suposta introdução desses conteúdos nas escolas, acompanhada da defesa da autoridade familiar. A narrativa do “kit gay” permaneceu amplamente aceita, especialmente entre os bolsonaristas, que associaram a pauta à atuação da esquerda e do PT. Os outsiders indecisos compartilharam parte dessas preocupações, mas demonstraram maior desconfiança da exploração eleitoral do tema e defenderam a prioridade de problemas econômicos e sociais.

Em sentido contrário, antibolsonaristas e lulistas questionaram a construção política da chamada “ideologia de gênero” e defenderam a discussão sobre diversidade como instrumento de combate ao preconceito.

O principal achado foi que a redução da visibilidade eleitoral do tema não desfez as percepções consolidadas entre os participantes. A controvérsia permaneceu marcada por interpretações opostas sobre a existência de uma ameaça às famílias e sobre a legitimidade das discussões de gênero nas escolas, indicando que sua retirada do centro da campanha não representou uma superação dessas divergências.

p 8/12

MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

p 9/12

Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

p 10/12

INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

p 11/12
p 12/12
MDP - Relatório 164