
O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Voto em Flávio Bolsonaro | Todos declararam voto em Flávio, vários com a família inteira, por ser o candidato indicado por Jair Bolsonaro e por compartilhar os princípios de "Deus, Pátria, Família e Liberdade". Citaram segurança pública, fim da saidinha de presos e redução de impostos, além da necessidade de tirar o PT do poder. A única ressalva foi a de um participante que disse que Flávio não tem a garra do pai. | Todos votam em Flávio, mas a razão principal foi derrotar Lula e o PT, com menções à economia, ao STF e ao risco de o Brasil "virar uma Venezuela". Dois disseram que votariam em qualquer candidato de direita competitivo, e uma participante afirmou votar nele mesmo achando que ele não é a melhor opção. | Nenhum pretende votar em Flávio. As razões foram o envolvimento com Vorcaro e o Banco Master, as rachadinhas, a imagem de "marionete" ou "cópia" do pai, propostas vagas e a ausência nos debates. Dois disseram concordar com algumas propostas ou críticas dele ao governo, mas avaliaram que os escândalos tiram a credibilidade do candidato. | Rejeição unânime e enfática. Citaram discurso de ódio e discriminação, escândalos de corrupção da família, ligação com milicianos e submissão a Trump e aos Estados Unidos; um participante disse que votaria num cachorro caramelo antes de votar nele. | Nenhum votará em Flávio. Apontaram discordância com a direita e com as propostas para economia e segurança, falta de preparo, a sombra do pai, as rachadinhas e o caso Vorcaro; um participante justificou a escolha pela defesa da democracia e de políticas para os mais vulneráveis. | Rejeição total, com falas duras sobre corrupção (rachadinha, Queiroz, Vorcaro), milícias, desrespeito a pessoas LGBT e entrega do país aos Estados Unidos. Lembraram o governo do pai como motivo para não querer mais quatro anos, e um participante disse que votaria até em Caiado contra ele. | As falas acompanharam o campo político de cada participante. Os evangélicos bolsonaristas votam em Flávio pelos princípios, contra o PT e contra o que chamaram de "ditadura do judiciário"; os dos demais grupos o rejeitam por causa do caso Master, das rachadinhas, da ligação com o pai e do discurso de ódio. Nenhum deles mencionou a religião como razão para votar ou não votar nele. |

Chegando ao fim da campanha eleitoral, ao longo dos próximos dias falaremos dos principais candidatos, de modo separado.
Começando com o Flávio. Você pretende votar nele ou não? Quais a razões para a escolha do seu voto? E quais as razões para não votar nele?

Entre os bolsonaristas mais convictos, todos declararam voto em Flávio, e vários disseram que a família inteira votará com eles. A razão mais citada foi a ligação com o pai: Flávio seria o candidato indicado por Jair Bolsonaro, que estaria impedido de concorrer por perseguição da esquerda, e seguiria a mesma linha de governo. Participantes disseram que ele compartilha os princípios de "Deus, Pátria, Família e Liberdade", que é o único capaz de tirar a esquerda do poder e que poderá acabar com o que foi chamado de "ditadura do judiciário". Entre as propostas, foram lembradas a segurança pública, com destaque para o fim da saidinha de presos, a redução de impostos e juros e a parceria com os Estados Unidos.
As ressalvas foram raras e não afetaram o voto. Um participante disse que Flávio não tem a mesma garra do pai, mas lembrou que sempre votou nele e na direita. Outro fez uma longa lista de expectativas, como menos impostos, presos trabalhando para se sustentar e a permanência das riquezas minerais no país, e disse haver "grande probabilidade" de votar nele, desde que ele consiga fazer essa estruturação. Nenhum participante do grupo apontou razão para não votar em Flávio, e várias falas repetiram que não há motivo algum para isso.
"Meu voto é do Flávio Bolsonaro, por vários motivos.
Flávio é filho de Jair, indicado pelo pai, simplesmente pq o pai é perseguido pela esquerda e não pode concorrer para presidente.
Flávio tem basicamente os mesmos princípios que eu: Deus, Pátria, Família e Liberdade.
Flávio é o único candidato que pode e vai tirar essa esquerda do trono que pensar serem donos.
Flávio é o único que vai poder mudar os rumos do Brasil e tentar reconstruir aquilo que essa esquerda destruiu.
Eu não tenho nenhum motivo para deixar de votar em Flávio Bolsonaro." (BC, 46 anos, babá, PR)
"Pretendo sim. Votar em Flavio, tanto eu quanto toda a minha família. Primeiro porque sou declaradamente da Direita e ele é o candidato que melhor me representa e representa os meus princípios. Vou votar nele por ter sido o candidato indicado por Bolsonaro que é de fato o melhor presidente que este país já teve, Flavio sempre esteve próximo ao pai, sabe exatamente o que fazer e como fazer. Além disso também é o único candidato pronto e preparado desde sempre para tirar o PT do poder, reconstruir nosso país, fazer nosso país caminhar de novo a prosperidade, ao cuidado e a segurança que precisamos ter. Chega de tanta corrupção, roubalheira, precisamos voltar a ter o controle de nosso país e Flavio sabe exatamente disso." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Boa noite vou votar sim no Flávio não tenho outra opção gosto das proposta dele junto com EUA o que mais me faz votar nele é questão da segurança ele é bem rígido nesse quesito ainda mais quando se fala de saidinha de preso sou a favor de não ter isso." (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)
"Bom dia! Apesar de sempre dizer que o Flavio não tem a mesma garra que o pai dele tem, meu voto sempre foi nele, sempre foi de direita. Não tenho razões para não votar nele." (BC, 22 anos, vigilante, RO)
"Eu vou votar no Flávio Bolsonaro, não só eu como minha família e meus parentes e muitos amigos que tenho também. Atualmente Flávio Bolsonaro é o candidato que pode acabar com a ditadura do judiciário e pôr fim nos anos terríveis que passamos vendo o PT acabar com o Brasil." (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

Entre os bolsonaristas moderados, o voto em Flávio também foi unânime, mas a justificativa se concentrou na rejeição ao PT e a Lula. Participantes disseram que o país não suporta mais quatro anos de governo de esquerda, que a economia estaria "em ruínas" e o STF "uma baderna", e que, se o adversário vencer, o Brasil "vai virar uma Venezuela". Dois afirmaram que votariam em qualquer candidato de direita com chance de derrotar o PT. O mesmo argumento apareceu entre os convictos, com críticas à "roubalheira", ao número de ministérios e aos gastos da primeira-dama.
O que distinguiu os moderados foi a franqueza sobre os limites do candidato. Uma participante disse votar nele somente por ser o único capaz de derrotar Lula, "e não por achar que ele é a melhor opção"; outro afirmou votar nele "não pq acho excelente". Poucos mencionaram afinidade própria com Flávio, e quem o fez disse que as ideias dele são as mais parecidas com as suas ou que ele defende os princípios em que acredita.
"Pretendo votar nele, sendo uma forma de não eleger o Lula, pois acredito que é o único candidato que tem o poder de derrotá-lo. Somente por este motivo o meu voto irá nele. E não por achar que ele é a melhor opção, pois não é." (BM, 29 anos, advogada, SP)
"Votarei nele. Não pq acho excelente mas sim por que não dá pra continuar com o petismo no poder. A economia está em ruínas, o STF uma baderna por isso voto Flavio"
(BM, 38 anos, professor , SP)
"Pretendo votar sim. E votaria em qq um de direita que tivesse ou tiver cacife para derrubar esse poder malefico do sistema, principalmente o PT. Fora isso, nao votaria em nenhum dos demais" (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Sim voto em Flávio Bolsonaro,por que quero ver acabar está farra que o governo está fazendo com nosso dinheiro,e ver se mudando melhora alguma coisa,por que se o adversário ganhar nosso Brasil vai virar uma Venezuela." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"Sim, principal razão é que o país não suporta +4 anos de governo de esquerda." (BM, 43 anos, administradora, GO)
"Pretendo sim. A razão é pq não dá pra ter um partido desse tomando de conta do Brasil, muita roubalheira, aumento de feminicídio, 39 ministérios, a primeira dama tirando onda com o dinheiro brasileiro, e tantos outras descaso. Eu só tenho motivo pra voltar nele." (BC, 36 anos, assistente jurídico, BA)

Fora do bolsonarismo, ninguém declarou voto em Flávio, e a razão mais citada nos quatro grupos foi o histórico de escândalos associados a ele e à família. Participantes mencionaram as rachadinhas, Queiroz, a compra de imóveis em dinheiro vivo, a mansão, o relacionamento com Daniel Vorcaro e o Banco Master, o filme Dark Horse e supostas ligações com milicianos no Rio de Janeiro. Um lulodescontente disse que as explicações sobre as rachadinhas, a compra da mansão e o envolvimento com Vorcaro não o convenceram.
Entre os indecisos conservadores, o caso Master teve peso particular. Dois participantes disseram concordar com algumas propostas de Flávio ou com parte de suas críticas ao governo atual, mas afirmaram que o envolvimento com o banco tira a credibilidade do candidato, inclusive do seu discurso contra a corrupção; um deles concluiu que, se está assim sem ser presidente, seria pior se fosse. Outro disse que o caso do filme e do Master apenas reforçou uma rejeição que vem da época das rachadinhas, e um terceiro colocou Flávio e Lula no mesmo plano, como políticos envolvidos em escândalos.
"Não pretendo votar em Flávio Bolsonaro, acho que a política do Brasil precisa de alguém diferente para tenta mudar um pouco o quadro em que o nosso país se encontra. Por mais que algumas propostas de Flávio tenha meu apoio, os escândalos envolvendo o nome dele com Vorcaro e o banco Master descredibilizaram muito a sua candidatura, fica difícil acreditar em um político envolvidos em um escândalo tão grande , se esta assim sem ser presidente imagina, só fosse." (IC, 72 anos, pensionista, RJ)
"Não pretendo votar no flavio pois o cara não apresenta propostas concretas e execuções viáveis para o seu mandato, sem contar que vejo mais marketing do que de fato verdade. Além disso, uma de suas propostas de desvincular o MEC das universidades, te pergunto; por que e pra que? Questiono como ele algumas linhas sobre o governo atual, todavia suas falas a respeito do governo sobre corrupção são descredibilizadas simplesmente pelo fato do seu envolvimento no banco master" (IC, 29 anos, professor, RJ)
"Não pretendo, antes de começar as eleições eu já não pretendia e o caso filme/master só reforça isso. Não gosto dele desde a época das rachadinhas, acho ele mau caráter." (IC, 30 anos, educador museal, RJ)
"Eu não vou votar no Flávio, a razão de eu não votar nele é porque as explicações de sobre as rachadinhas não me convenceram, como a compra da mansão, o envolvimento com vorcaro e as cartas que ele escreveu para o Estados Unidos." (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Não pretendo votar no Flávio Bolsonaro. Escolho não votar nele por ser um candidato corrupto,preconceituoso e por representar tudo que abomino num politico,não me transparece ser um homem diplomático, responsável e respeitador. Uma das principais razões que me fazem não querer votar nesse canditato seria seu envolvimento junto de sua família em grandes esquemas de corrupções como: As rachadinhas em seu gabinete, relacionamento com Vorcaro e o Banco Master, DarkHorse, também a possível relação que ele possui com Melicianos no estado do Rio de Janeiro e por sua idolatria pelo Presidente Trump e seu jeito de governar." (IP, 46 anos, vendedora, RS)
"Não pretendo votar em Flávio, jamais votaria neste ser. Ele é da rachadinha, do Queiroz e hoje do Vorcaro." (LL, 61 anos, administrador, PR)

Outra razão frequente foi a dependência em relação a Jair Bolsonaro, que aqui pesou contra o candidato. Indecisos conservadores descreveram Flávio como "marionete do pai" e como alguém que "faz questão de querer ser a cópia"; uma participante disse lembrar muito do que o pai fez e não se sentir confiante. Lulodescontentes afirmaram que ele está "na sombra do pai" e não tem preparo para o cargo, e uma delas disse que a propaganda eleitoral o mostrou ainda mais despreparado. Lulistas citaram o governo do pai como motivo para não querer mais quatro anos do mesmo.
A crítica às propostas completou esse quadro. Participantes apontaram propostas vagas, falta de projeto de país, baixa produtividade legislativa, ausência nos debates e mais marketing do que conteúdo; um indeciso conservador questionou a proposta de desvincular o MEC das universidades. Entre os lulodescontentes, várias falas foram de discordância programática, com críticas às propostas para economia e segurança pública e à identificação com a direita e o bolsonarismo. Alguns indecisos conservadores disseram preferir alguém novo ou diferente.
"Não, não pretendo votar no Flávio, pois pra mim ele é apenas uma marionete do pai Jair Bolsonaro. Não gosto do pai e muito menos do filho. E o principal os planos de governo e as muitas polêmicas da família. As falas e posicionamentos muitas não me representam." (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Boa tarde ! Nao votaria nele. Apesar de concordar com algumas linhas de raciocínio dele sobre o governo atual, mas prefiro que seja alguém novo, sem manias, ele carrega o legado do pai, e faz questão de querer ser a cópia." (IC, 38 anos, coordenadora , SP)
"Não pretendo votar nele, acho o seu discurso incoerente com o que ele pratica no exercício do mandato, tem escândalos de corrupção em seu histórico e baixa produtividade legislativa, propostas vagas e falta de um projeto de país a longo prazo, não tenho apreço pela sua candidatura pois o mesmo foge dos debates" (IC, 24 anos, estudante, MA)
"Boa tarde, não votarei nele pois não concordo com as propostas e acho muito inexperiente para o cargo, nesse tempo de propaganda política se demonstrou ainda mais despreparado" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"Não vou votar no Flávio Bolsonaro, porque ele não tem preparo nenhum para o cargo, esta na sombra do pai, e está envolvido em várias polêmicas e assuntos que só vai prejudicar a economia e andamento do país." (LD, 47 anos, professora, MT)
"Boa tarde. Eu não vou votar no Flávio porque não me identifico com as ideias e propostas dele, principalmente na área econômica, na segurança pública, entre outras. Também não me identifico com o projeto político ligado ao bolsonarismo" (LD, 27 anos, entregadora, RS)

Entre os indecisos progressistas e os lulistas, a rejeição ganhou tom mais pessoal e se apoiou na avaliação de que Flávio não respeita parte da população. Uma participante disse que não pode votar em quem dissemina discurso de ódio, "como mulher preta e servidora e pobre"; outra fala mencionou a falta de respeito por pessoas LGBT; outros citaram o "ódio discriminatório" da família e o "discurso do ódio em nome de Deus e do brasil". As críticas vieram acompanhadas de adjetivos duros, como "mal caráter", "bandido" e "miliciano", e um participante disse que, entre Flávio e um cachorro caramelo, votaria no caramelo.
A soberania nacional apareceu em várias falas: participantes acusaram Flávio de querer entregar o país e suas riquezas aos Estados Unidos, de tentar "se vender" a Trump e de querer fazer no Brasil o que Milei faz na Argentina; um lulodescontente citou as cartas que ele escreveu para os Estados Unidos. Também houve quem justificasse a rejeição pela defesa da democracia e de políticas públicas para os mais vulneráveis. Um lulista disse que, num segundo turno contra Flávio, votaria até em Ronaldo Caiado, a quem afirmou odiar, e outra fala expressou "muito medo" de que ele vença a eleição.
"Não pretendo votar no Flávio Bolsonaro, porque ele dissemina discurso de ódio, como mulher preta e servidora e pobre. Não posso votar em uma pessoa dessa." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Não pretendo votar em Flávio de forma alguma. A escolha do meu voto vai de acordo com o candidato que mais me respeita como cidadão e demonstra respeito pelo povo, coisa completamente oposta de Flávio, que nunca teve respeito por pessoas LGBT como eu." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Não pretendo. Não representa os valores sociais, culturais e morais que acredito. É uma pessoa que tem o discurso do ódio em nome de Deus e do brasil. Falacioso, enganoso, mentiroso. Escolho meu voto quando me vejo no candidato e quando sinto que ele representa a realidade que estou. O Flávio passa longr disso" (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Nossa, essa para mim é a pergunta mais fácil de todas: não votei, não votarei e jamais votaria em milicianos, que atacam a nossa democracia, nossa fé, nossa soberania e a nosso país de forma geral. Não consigo conceber quem irá votar nele, mesmo sabendo de tudo, nem falo da corrupção, pois isso é sabido desde das compras das casas em dinheiro vivo, mas todo o resto. A entrega do Brasil para os Estados Unidos, a falta de cultura, de inteligência, de qualquer plano de Governo que vise os pobres e a busca por uma igualdade social no Brasil. Enfim, se tivesse ele e qualquer outro candidato no segundo turno, até o Caiado, que odeio, votaria nos adversários." (LL, 33 anos, tradutor, SP)
"Bom dia ,eu jamais votaria num homem desse. Se os candidatos fossem ele e um caramelo. Com certeza votaria no caramelo. Sei que algumas pessoas não pensam assim. Mais pra mim esse homem,não merece meu apoio ou respeito. Ele não tem sequer um diálogo descente. Imagina uma proposta." (IP, 43 anos, autônomo, MT)
"Olá, pessoal. Não pretendo votar no Flávio Bolsonaro. As razões para minha escolha pra votar são a defesa da democracia e de políticas públicas para a grande maioria da população, principalmente os segmentos mais vulneráveis. Não votaria em Flávio porque vejo como um candidato que tem proposta de políticas públicas que vão na contra mão do que acredito." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

Os bolsonaristas convictos declararam voto em Flávio sem hesitação, muitos dizendo que a família inteira fará o mesmo. A principal razão foi a continuidade de Jair Bolsonaro: Flávio seria o herdeiro indicado pelo pai, defensor dos mesmos princípios e o único capaz de tirar o PT do poder. Citaram propostas de segurança pública, redução de impostos e aproximação com os Estados Unidos, e ninguém apontou razão para não votar nele; a única ressalva foi a de que ele não tem a garra do pai.
Os bolsonaristas moderados também votam em Flávio, mas com menos entusiasmo pelo candidato. O voto foi justificado sobretudo pela rejeição a Lula e ao PT, pela situação da economia e pelo STF, e alguns participantes disseram que votariam em qualquer nome de direita competitivo; uma participante afirmou claramente que Flávio não é a melhor opção.
Nenhum indeciso conservador ou progressista pretende votar em Flávio. Os indecisos conservadores concentraram as críticas no caso Master e em Vorcaro, nas rachadinhas, na imagem de cópia do pai e na falta de propostas concretas, e alguns reconheceram concordar com parte das críticas dele ao governo, sem que isso mudasse o voto. Os indecisos progressistas foram mais enfáticos, com acusações de discurso de ódio, discriminação, corrupção, ligação com milicianos e subordinação aos Estados Unidos.
Lulodescontentes e lulistas também rejeitaram Flávio por unanimidade. Os lulodescontentes deram mais peso à falta de preparo, à dependência do pai e à discordância com as propostas e com a direita, enquanto os lulistas usaram linguagem mais dura, falando em milícia, rachadinha, desrespeito a pessoas LGBT e entrega do país, e lembraram o governo de Jair Bolsonaro como motivo para não querer mais quatro anos. Entre os evangélicos de todos os grupos, as falas acompanharam o campo político de cada participante, e nenhum deles mencionou a religião como razão do voto.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

