Relatório 166

23/10/26

Temas:

  • Fim do Segundo Turno
Realização:
Apoio:

Metodologia

O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Para o segundo turno das eleições de 2026, reorganizamos os participantes em cinco grupos focais contínuos no WhatsApp, definidos a partir do voto no primeiro turno e da principal motivação desse voto.

O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:

G1 – Bolsonaristas: votaram em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, motivados por considerá-lo a melhor opção.

G2 – Antipetistas: votaram em Flávio Bolsonaro no primeiro turno, motivados principalmente por tirar o PT e Lula do poder.

G3 – Outsiders Indecisos: votaram em outros candidatos que não Lula nem Flávio Bolsonaro no primeiro turno e estão indecisos quanto ao segundo turno.

G4 – Antibolsonaristas: votaram em Lula no primeiro turno, motivados principalmente por impedir a vitória de Flávio Bolsonaro.

G5 – Lulistas: votaram em Lula no primeiro turno, motivados por considerá-lo a melhor opção.

Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.

Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

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Síntese dos Principais Resultados

No dia 19/10/26, os cinco grupos comentaram sobre o debate na Band. No total, foram coletadas e analisadas 57 interações, totalizando 3.620 palavras.
Bolsonaristas (G1)Antipetistas (G2)Outsiders Indecisos (G3)Antibolsonaristas (G4)Lulistas (G5)
Fim do 2° turnoPredominaram a esperança e a confiança na vitória de Flávio, reforçadas pelas mobilizações populares. Ao mesmo tempo, expressaram indignação com as supostas fake news, o tratamento desigual da Justiça e as promessas de Lula.Prevaleceu o desgaste com uma campanha marcada por ataques, fake news e falta de propostas concretas. Apesar da frustração e das críticas à polarização, parte manteve a esperança de mudança.Predominaram a preocupação, a decepção e a falta de confiança nos dois candidatos, criticados pela ausência de propostas e pelo excesso de ataques. A escolha do “menos pior” expressou a falta de alternativas satisfatórias.Prevaleceram a ansiedade, a apreensão e a percepção de acirramento da polarização, com críticas às fake news e aos conflitos entre eleitores. A esperança de vitória de Lula coexistiu com a incerteza sobre o resultado.O medo e a frustração iniciais deram lugar à esperança e ao sentimento de mobilização e dever cumprido. Destacaram positivamente a atuação da esquerda nas ruas e nas redes sociais, embora persistissem preocupações com uma eventual derrota.
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Pergunta 110

Estamos no penúltimo dia da campanha. Como você se sentiu durante o segundo turno? Teve alguma coisa que chamou mais a sua atenção nas duas campanhas presidenciais? E teve alguma coisa que você sentiu falta? Qual o sentimento que fica?
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Esperança de mudança e confiança na vitória de Flávio

Os bolsonaristas encerraram o segundo turno com um sentimento predominante de esperança e confiança na vitória de Flávio Bolsonaro. A mobilização dos apoiadores fortaleceu a percepção de crescimento da candidatura e alimentou o otimismo em relação ao resultado eleitoral. A possibilidade de alternância no poder foi associada à expectativa de recuperação econômica, melhoria da segurança pública e transformação dos rumos do país. Apesar da ansiedade diante da apuração, prevaleceu a convicção de que a população desejava uma mudança.

Ao mesmo tempo, a campanha despertou indignação e desconfiança em relação à atuação dos adversários e das instituições. Os participantes denunciaram o que consideraram disseminação de notícias falsas, tratamento desigual pela Justiça e uso eleitoral de promessas governamentais. Essas críticas reforçaram a rejeição a Lula e a percepção de que a disputa ocorreu em condições desfavoráveis à direita. Assim, a esperança de vitória coexistiu com o receio de interferências no processo eleitoral e de continuidade do atual governo.

“Durante essa última semana eu me senti mais esperançoso com relação ao futuro do país, vê todas essas mobilizações lotadas, tem um significado muito especial, o povo já não aguenta mais tanta patifaria sendo feita, a situação financeira do país em crise, juros abusivos. Do outro lado temos o Lula desesperado, oferecendo vários projetos, perdoando dívidas, comprando influenciadores achando que o povo vai ser besta novamente e aceitar tudo calado. O Brasil acordou 🇧🇷” (G1, 29 anos, vendedor de comércio varejista, AL)

“O que mais me chamou atenção foi a quantidade de fake news sobre o candidato Flávio Bolsonaro, coisas absurdas que estão espalhando para tirar votos das pessoas mais humildes, que não tem acesso a internet e pode acabar acreditando nessas falsas narrativas. Outra coisa que chamou muita atenção foi o STF e TSE fazer vista grossa contra essas fake news e as acusações da Roberta Lushinguer contra o Lula. Nenhuma atitude foi tomada, parece que só um lado, o da direita são penalizados por falas e atitudes. Senti muita falta da justiça agindo contra os absurdos que o Lula falou e ainda fala, ele está livre, leve e solto pra espalhar as mentiras dele como se não houvesse amanhã, sem sofrer punição. O sentimento que fica é que estamos vivendo momentos muito difíceis de injustiça e se a população não abrir os olhos, poderemos acordar numa ditadura do judiciário se o Lula ganhar essa eleição de novo, nosso país cairá num poço sem fundo, num abismo do comunismo que está logo ali, vai depender de nós, de votar contra tudo isso que a estrema esquerda prega sobre democracia e no final das contas oferecem o fascismo, comunismo disfarçado.” (G1, 58 anos, empreendedora em serviços elétricos, RJ)

“Boa noite! Meu sentimento ainda é de esperança e fé, mas tbm me sinto ansiosa e apreensiva, pq não sabemos o que vêm da esquerda quando sair o resultado da eleição e durante a apuração dos votos. Nessa campanha a direita trabalhou bastante com a questão do nordeste, com o povo sofrido que se sente abandonado e vêem uma única esperança achando que Lula poderia fazer algo por eles e não fez em mais de 20 anos. A direita mostrou que pode e vai fazer muito mais por eles. Eu acho que mudou bastante a mentalidade de muitas pessoas do nordeste. Um povo que vivia preso a uma ideia de melhoria. Não senti falta de nada, pois esclareceram bastante dúvidas de eleitores. A melhoria vai ser geral. Até aqueles que hj são contra Flávio Bolsonaro, irão ver que não era como eles diziam e pensavam. O sentimento que fica, é a certeza de que estou do lado certo. A política é fundamental em um País.” (G1, 48 anos, cuidadora de crianças, PR)

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Desgaste com a campanha e frustração com a falta de propostas

Os antipetistas e os outsiders indecisos convergiram na avaliação negativa do segundo turno, percebido como uma disputa desgastante, marcada por ataques pessoais, acusações e polarização. A ausência de propostas concretas e de explicações sobre a viabilidade das promessas alimentou a frustração com os candidatos e a percepção de que a campanha deixou de discutir os problemas do país. Também criticaram a disseminação de notícias falsas e o acirramento dos conflitos entre eleitores, que contribuíram para um ambiente de tensão e descrédito na política.

Apesar dessas convergências, os sentimentos finais foram distintos. Entre os antipetistas, o desgaste não eliminou a esperança de mudança, embora parte tenha demonstrado ceticismo quanto à possibilidade de melhorias. Já os outsiders expressaram maior preocupação com o futuro do país e desconfiança em relação aos dois candidatos, considerados incapazes de oferecer alternativas satisfatórias. Nesse grupo, a escolha do “menos pior” sintetizou o sentimento de resignação diante das opções disponíveis, enquanto a proximidade do fim da campanha trouxe alívio para alguns participantes.

“Bom dia, senti falta de propostas de ambos os lados, e bontade de realmente querer mudar o país, a política virou uma guerra no Brasil, como se estive disputando uma partida de futebol e não à presidência de um país, muito ataque dos dois lados e baixaria, não é isso que o povo brasileiro precisa!” (G2, 46 anos, vendedora, GO)

“Foi muito intensa e desgastante. O que mais chamou a minha atenção foi a quantidade de ataques interpessoais e trocas de acusações entre os lados. Senti muita falta de propostas claras para unificar o país e resolver problemas práticos do dia a dia da população. O sentimento final é de esperança.” (G2, 50 anos, do lar, MS)

“O que mais me chamou atenção, que nao foi surpresa, foique houve mais um confronto pessoal entre os candidatos do q discussão sobre propostas concretas , senti falta de debates mais produtivos e de explicações sobre como essas promessas realmente seriam colocadas em prática.

Também tive mais certeza do meu voto,pelas atitudes de intolerância e hipocrisia de pessoas que pregam amor, respeito e liberdade de expressão, mas não conseguem respeitar opiniões contrárias.Nas redes sociais vi muito extremismo. Apesar de tudo, o sentimento que fica é de esperança.” (G2, 36 anos, coordenadora, AM)

“Bom dia , o sentimento que fica é que precisamos de canditados mais preparados , porém vamos ter que votar no menos pior pela democracia.

O que chamou atenção foi muitas atitudes de Flávio Bolsonaro que não condiz com minha ética moral” (G3, 27 anos, serviço gerais, PE)

“No primeiro turno estava mais segura do meu voto, mas infelizmente esse segundo turno me fez repensar várias vezes. É como se a rivalidade fosse pessoal, ate os projetos que foram propostos deixaram várias lacunas, mas enfim domingo está chegando, temos que tentar votar o mais consciente possível.” (G3, 44 anos, guia de turismo, SE)

“Me senti preocupado com o futuro da nação, não sabemos como será. Percebi que as duas campanhas foram fracas no sentido de seriedade e técnica política. Antigamente havia mais seriedade e propostas mais factíveis. Sentia mais confiança nas campanhas, não sei se antigamente eu era enganado mais facilmente ou se realmente eram melhores. As duas campanhas de agora pouco acrescentam em termos de fluxo de gestão, são paradas e lm eles dizerem que podemos confiar. Prometeram muitos pontos mas não parecem se possíveis de serem executados, principalmente sem cortes. O sentimento que fica é ansiedade. Não ansiedade de quando se espera algo tão sonhado acontecer mas aquela ansiedade de preocupação mesmo. O peso do amanhã né preocupa dimais. Espero que seja como for possamos esperar um ano que vem melhor do que o atual. Um abraço a todos.” (G3, 30 anos, analista de TI, GO)

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Apreensão com o resultado e preocupação com a polarização

Os antibolsonaristas vivenciaram o segundo turno com sentimentos de ansiedade, medo e incerteza, associados à percepção de uma disputa cada vez mais acirrada. O crescimento da polarização e o envolvimento intenso dos eleitores foram acompanhados de preocupação com o aumento dos conflitos, da agressividade e da circulação de notícias falsas. A campanha foi percebida como um ambiente de tensão crescente, no qual as divergências políticas ultrapassaram a disputa entre os candidatos e afetaram as relações entre as pessoas.

Apesar desse cenário, a esperança de vitória de Lula permaneceu presente, embora acompanhada de insegurança quanto ao resultado. Parte dos participantes valorizou o engajamento popular e a mobilização política, enquanto outros expressaram frustração com a falta de propostas, de diálogo e de alternativas à polarização. Assim, o sentimento final combinou o desejo de vitória eleitoral com a expectativa de redução dos conflitos e de melhorias para o país.

"No segundo turno senti que a polarização aumentou ainda mais , com muita emoção debates tensos e uma grande adesão da sociedade duas torcidas calorosas. Vi o aumento das notícias falsas explodirem para botar medo na população de um modo geral. O sentimento que tenho e de esperança é de melhoras para toda a população.” (G4, 45 anos, vigilante, PE)

“Conforme os dias vão passando, senti um clima de tensão ficando mais forte, me senti um pouco ansiosa. Chamou minha atenção o vídeo que Fábio Porchat fez sobre o esquema de laranjas, o crescimento do canal do exército do Lula, a verificação de dados ao vivo que será realizado hoje no debate e essa questão do sigilo bancário no TSE. Não percebo nenhuma falta. Sobre o sentimento que fica é o de esperança e ao mesmo tempo, incerteza.” (G4, 29 anos, assistente administrativo, DF)

“O que mais chamou atenção foram as acusações, polarização da política no Brasil, senti muita falta de propostas, coerência nas falas e o sentimento que fica é de completa frustração, chegamos ao ponto de tentar escolher o menos pior, está muito clara a intenção de cada, mas não conseguimos eleger uma terceira opção, pois está tão polarizada que quem vier e não for de "esquerda" ou de "direita" provavelmente não conseguira se eleger.” (G4, 33 anos, supervisor de produção, PA)

“Sentimento de insegurança é uma ansiedade para chegar logo esse dia, que eu jamais havia sentido antes. Um lado positivo que eu vi pessoas nas manifestações que eu jamais imaginaria que estaria presente e o negativo que muitas pessoas próximas destilaram bastante ódio. Achei lindo muitos vídeos que eu vi, maioria com um engajamento enorme.” (G4, 36 anos, analista financeira, RS)

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Da frustração à esperança, impulsionada pela mobilização da esquerda

Os lulistas relataram uma trajetória de transformação dos sentimentos ao longo do segundo turno. O medo, a tristeza e a frustração iniciais deram lugar a uma esperança crescente, alimentada pela percepção de fortalecimento da campanha de Lula. A mobilização dos apoiadores nas ruas e, principalmente, nas redes sociais foi interpretada como uma demonstração de capacidade de reação da esquerda e de recuperação do entusiasmo político. O engajamento coletivo fortaleceu a confiança na possibilidade de vitória e estimulou a participação ativa na campanha.

Apesar do otimismo crescente, permaneceram preocupações com o resultado eleitoral e críticas à condução da disputa, especialmente à falta de propostas e ao ambiente de ataques e acusações. A rejeição a Flávio também sustentou o sentimento de apreensão diante de uma eventual derrota. Ainda assim, prevaleceu a percepção de que os apoiadores fizeram sua parte para tentar reverter o resultado do primeiro turno. O sentimento de dever cumprido apareceu associado à disposição de manter a mobilização política independentemente do resultado das urnas.

“Eu passei por todos os sentimentos possíveis! De raiva a frustração, de tristeza a alegria e agora estou confiante de que iremos virar. A campanha foi linda, voltamos para as ruas e dominamos as redes, um campo no qual sempre perdíamos!! Que essa energia se mantenha durante os 4 anos de Governo, pois ganhando ou perdendo, teremos muito pelo que lutar!! O que mais me chamou a atenção foi certamente o Exército do Lula!! Colocar dez milhões de pessoas em um grupo é gente demais e só demonstra o quanto a campanha acertou!!!” (G5, 36 anos, professor, SP)

“Olá, colegas. Fui da tristeza à mobilização, passando pelo medo e entusiasmo. Penso que o que chamou minha atenção foi a maior adesão das campanhas nas redes sociais, equilibrando a disputa. O sentimento que fica é de que vencendo ou perdendo, viveremos dias de luta e é preciso continuar "atento e forte".” (G5, 48 anos, servidor público, PA)

“Estou me sentindo tranquila, sinto que tudo que estava ao meu alcance eu fiz. Durante o segundo turno as minhas expectativas e esperanças de virar a eleição foram aumentando conforme o passar dos dias. A mobilização em massa da esquerda capitaneada por Janones deu um fôlego extra que a campanha precisava e havia perdido. Chamou-me muita a atenção do poder que a esquerda consegue exercer nas redes, quando se mobiliza massivamente. A percepção de que as redes são campo de domínio da extrema direita foi altamente questionada agora no segundo turno. Senti falta de mais propostas sendo discutidas, mas compreendo que, pela pouca qualidade do adversário do Lula, isso acabou ficando prejudicado. Fica o sentimento de que sempre poderíamos ter feito um pouco mais, mas também de dever cumprido, principalmente no segundo turno.” (G5, 35 anos, pesquisadora, PR)

“Eu me senti determinado a virar o máximo de votos que conseguisse. Sim, o que me chamou atenção foi a força que as redes sociais está tendo nesse segundo turno, muita gente empenhada em fazer os outros “acordarem”. Sentimento de dever cumprido, independente do resultado das eleições.” (G5, 28 anos, operador de telemarketing, BA)

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Considerações finais

O segundo turno foi vivenciado como um período de forte tensão emocional, marcado pelo acirramento dos conflitos e pela circulação de notícias falsas. Apesar das diferenças políticas, houve uma percepção relativamente disseminada de que os ataques e as acusações ocuparam o espaço das propostas, deixando em segundo plano o debate sobre os problemas do país e as soluções apresentadas pelos candidatos.

Os sentimentos finais, entretanto, variaram conforme o posicionamento político. Entre os bolsonaristas, permaneceram os sentimentos de esperança de mudança e a confiança na vitória de Flávio, fortalecidas pelas mobilizações da direita. Os antipetistas demonstraram maior desgaste com a campanha, mas ainda preservaram expectativas de mudança.

Já os outsiders indecisos encerraram o período com preocupação, descrença nas alternativas disponíveis e a sensação de que precisariam escolher o “menos pior”.

Entre os antibolsonaristas, predominaram a apreensão e a incerteza diante de uma disputa percebida como acirrada, embora a esperança de vitória de Lula permanecesse presente. Os lulistas, por sua vez, destacaram a recuperação do entusiasmo ao longo do segundo turno, impulsionada pela mobilização nas ruas e nas redes sociais, que fortaleceu a confiança e o sentimento de dever cumprido.

A principal diferença esteve na relação entre esperança e confiança nas alternativas eleitorais. Enquanto os eleitores mais identificados com os candidatos encontraram na mobilização de seus respectivos campos motivos para renovar as expectativas, os segmentos menos identificados com as candidaturas expressaram maior frustração e insegurança. Assim, a campanha terminou fortalecendo o engajamento dos apoiadores mais convictos, mas sem dissipar o desencanto daqueles que esperavam um debate mais propositivo e menos conflituoso.

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MDP

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.

O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.

Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.

O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.

Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.

O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.

O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

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Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

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INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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