
O Monitor do Debate Público (MDP) acompanha, semana a semana, como diferentes segmentos do eleitorado brasileiro reagem a temas importantes da agenda pública. A análise se apoia no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela equipe do LEMEP (IESP-UERJ) que opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Para o ano eleitoral de 2026, renovamos o quadro de participantes e ampliamos de cinco para seis o número de grupos focais contínuos no WhatsApp. O antigo grupo de eleitores flutuantes deu lugar a dois grupos de indecisos — conservadores e progressistas. Na maioria das eleições, os indecisos cumprem papel decisivo: por serem mais propensos a mudar de opinião, com frequência definem o resultado.
O projeto conta com 50 participantes, distribuídos em grupos com as seguintes características:
BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8 de janeiro.
BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8 de janeiro.
IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.
IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou em branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.
LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022 e reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.
LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.
Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de captar tendências específicas desse contingente demográfico.
Todos os grupos foram compostos de modo a reproduzir, em proporções próximas às da população brasileira, variáveis como sexo, idade, cor/raça, renda, escolaridade, região de moradia e religião.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas no momento que lhes for mais conveniente — liberdade inexistente nos grupos focais tradicionais, presos à sincronia do roteiro conduzido pelo mediador. Ao se acomodar à rotina de cada participante, o instrumento reduz a artificialidade da coleta e gera resultados mais próximos das interações reais do cotidiano.
Cabe salientar que os resultados derivam de metodologia qualitativa, voltada à análise de narrativas, argumentos e opiniões. Ainda que eventualmente quantificados, não possuem validade estatística: devem ser lidos como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é integralmente garantido. Todos consentiram previamente com a divulgação dos resultados, desde que preservado o anonimato.

| Bolsonaristas Convictos (BC) | Bolsonaristas Moderados (BM) | Indecisos Conservadores (IC) | Indecisos Progressistas (IP) | Lulodescontentes (LD) | Lulistas (LL) | Evangélicos | |
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| Destituição da Padroeira do Brasil | Trataram a informação como fake news criada pelo PT e espalhada pela Globo, que teria se retratado tarde da noite para que pouca gente visse. Um participante pediu punição e indenização para quem divulgou o boato; o grupo afirmou que nada muda o voto e disseram esperar a vitória de Flávio no primeiro turno. A conversa se estendeu para ataques a Flávio Dino, ao STF, a Lula e a Janja. | Também consideraram o caso fake news, atribuída ao PT ou à esquerda, e o classificaram como sinal de desespero na última semana da campanha. Todos disseram que a informação não influencia o voto; um participante lamentou que o fator religioso tenha entrado num debate já pobre em propostas. | A maioria soube do caso por alto e admitiu que pode ser fake news, mas disse que a notícia não influencia porque não vota em Flávio. Houve críticas à mistura entre religião e política e a observação de que o tema pode pesar para outros eleitores, sobretudo católicos. | Todos disseram que a informação não influencia, porque não votariam em Flávio de forma alguma. Vários defenderam o respeito a todas as religiões e o Estado laico; uma participante do candomblé considerou a fala desrespeitosa e disse que ela piora ainda mais sua visão do candidato. | Quase todos declararam voto já decidido e disseram que a notícia não muda nada. Ainda assim, vários classificaram o episódio como preocupante, por passar impressão de controle ou ferir a liberdade religiosa. Um participante gostou de ver Flávio "provar do próprio veneno" e outro avaliou que esse tipo de notícia influencia o voto. | Disseram que nada muda o voto, já definido contra Flávio. Alguns comemoraram o desgaste da campanha dele e o descreveram como alguém que age "nas sombras" e não assume o que faz; um participante, porém, criticou a esquerda por usar boatos como a extrema direita. | As falas dos evangélicos acompanharam o grupo político de cada um. Os bolsonaristas evangélicos chamaram o caso de mentira da Globo e da esquerda e disseram que o voto não muda; os evangélicos dos grupos indecisos e lulodescontentes disseram que não votam em Flávio ou que já decidiram o voto, e vários criticaram a mistura entre religião e política. Uma participante avaliou que a proposta agradaria aos evangélicos, mas que Flávio parece hesitar entre católicos e evangélicos. |

Na semana passada, circularam na internet informações de que Flávio Bolsonaro apoiava a destituição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira. Os conteúdos publicados nas redes sociais utilizaram falas de Flávio Bolsonaro feitas em agosto, em que afirmou que "quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Flávio Bolsonaro desmentiu a informação, chamou o boato de fake news e afirmou que respeita todas as religiões. Ele também culpou o PT e setores ligados à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) por espalharem a história.
Vocês acompanharam esses acontecimentos? Essa informação influencia o voto de vocês?

Entre os bolsonaristas mais convictos, a reação foi unânime: a informação seria falsa, uma montagem ou uma fala distorcida, produzida pelo PT e amplificada pela Globo. Um participante disse ter pesquisado por conta própria para confirmar a falsidade, e duas participantes reclamaram que a emissora divulgou o boato durante o dia e só se retratou tarde da noite, quando a maior parte do público já dormia. Houve pedido de punição e indenização para quem espalhou a história, ataques a Flávio Dino por supostamente ter passado por cima de uma decisão de André Mendonça, e a previsão de que o episódio não impediria uma vitória de Flávio no primeiro turno. Um participante chegou a dizer que não se surpreenderia se o governo tentasse impedir as eleições.
Apesar da confiança no resultado, alguns admitiram que o boato pode prejudicar a candidatura entre quem não busca informação, e uma participante afirmou que a esquerda estaria tentando jogar católicos contra evangélicos. Os bolsonaristas moderados seguiram a mesma leitura, com tom mais contido: chamaram o caso de fake news do PT, falaram em "desespero" na reta final e um deles lamentou que a religião tenha entrado num debate já sem propostas. Mais tarde, a conversa entre os convictos passou para outros assuntos, com críticas a Lula, a Janja (que teria usado um medalhão de Nossa Senhora) e a Romário.
"Boa tarde! Eu vi sobre esse assunto. Esse fake news foi soltada pela Globo News. Fazem de propósito. Soltam durante o dia a mentira. A esquerda que assiste esta emissora, espalha a mentira fazem videozinho e ali atingiram o objetivo deles. Depois voltam tarde da noite quando todos estão dormindo, para se retratarem. Flávio Bolsonaro não falou nada disso e o assunto já foi totalmente esclarecido." (BC, 46 anos, babá, PR)
"Acompanhei e fica evidente o fato de que a Globo e outros do "clube" patrocinado pelo governo está seguindo as ordens sujas que o governo determinou à essa "imprensa" . Notícias falsas, forjadas para atender as ordens de quem pagou por elas, com objetivo de enganar o povo mais desavisado. A cada dia a esquerda e seus órgãos de imprensa mostra mais um pouco da sujeira que são capazes de fazer prá tentar subir um pouco na intenção de votos. Desespero puro da esquerda, que parou de se esconder e passou a mostrar a cara e as táticas sujas que usam sempre que a mentira de esquerda boazinha cai por terra devido aos fatos criminosos comprovados que eles utilizam. Não me surpreendo se coisas piores e mais mentirosas contra a direita surjam nos próximos dias. Também não me surpreenderia se o governo der um jeito de declarar GLO ou coisa parecida e impedir a realização de eleições. Mas me surpreenderia se o STF, senado e Câmara mostrassem, pela primeira vez, que honram a confiança que o povo lhes deu através do voto e resolvam fazer a coisa certa, colocando ordem nessa bagunça sem tamanho." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)
"Bem eu acompanhei e fiz uma pequena pesquisa para verificar os fatos ,e vi que é falsa essa acusação que a globo espalhou jogando isso também na Internet pessoas da oposição dele se aproveitou para mexer com a cabeça das pessoas que não buscam informações, deu certo e na minha mente uma calunia dessa que mexer com a cabeça de muitas pessoas deveria ter uma ênfase maior de pedido de desculpas, flavio obviamente iria ratificar que não teria esse envolvimento com esse suposto projeto mas logicamente tem gente que já acatou na mente que ele realmente fez esse projeto e isso atrapalha sua candidatura, a oposição fez com que essa mentira entre na cabeça das pessoas como se fosse verdade, por isso quem espalhou essa fakenews deveria ser punida e pagar indenização, pois até hoje o pessoal fica falando de um suposto roubo de joias por parte de seu pai ,nesse momento qualquer notícia gera uma grande repercussão negativa e pode sim prejudicar ." (BC, 39 anos, administrador, RJ)
"Gente, é reta final, estão desesperados, apelando para tudo que é lado. Os infelizes estão desesperados com o aumento do Ibope de Flavio para presidência, simples assim. Já se comprovou que essa situação foi um fake News criado ai por eles mesmos, até a globo já se retratou. O problema desses hipócritas é que depois que eles mentem correm para pedir desculpas e as pessoas acabam infelizmente ficando em dúvida, sem falar que a agora pelo que eu vi também a esquerda quer ganhar voto do povo evangélico, querendo jogar os católicos contra os evangélicos e vice versa, mas, se eles soubessem o quanto isso é um tiro no pé, não tem como católico apoiar e continuar votando no maior corrupto da história do Brasil chamado Lula Inácio Lula da silva o maior mentiroso de todos os políticos desse país." (BC, 47 anos, administradora, BA)
"Venho acompanhando. Mas essa fake news vem sendo disseminada pelo PT. Logo, credibilidade zero para informacao. Estamos a uma semana do pleito eleitoral e o PT vai comecar a usar de toda baixaria que puder para avacalhar ...normal vindo de onde vem. Isso mso mudara meu voto, que sera para tirar essa podridao do poder." (BM, 53 anos, eletrotécnico, RN)
"Acompanhei e vejo isso como uma fake news, frase tirada do contexto para tornar ainda mais raso o debate na última semana da eleição. Essa eleição já está sendo marcada por falta de propostas e debate público agora colocam o fator religioso na questão. É desespero." (BM, 38 anos, professor , SP)

Nos seis grupos restantes, quase todos os participantes disseram que a informação não influencia o voto. A razão apresentada variou conforme o campo político. Entre os bolsonaristas, o voto em Flávio não muda porque o boato seria falso ou porque ele mesmo o desmentiu. Entre os indecisos conservadores, os indecisos progressistas, os lulodescontentes e os lulistas, a notícia não pesa porque o voto já estava decidido contra ele; várias falas usaram expressões enfáticas como "nem amarrada eu votaria nele" e "não há nada que ele faça que me convença".
Parte expressiva dos participantes fora do bolsonarismo disse ter visto o caso só de passagem, pelo rádio ou pelas redes, sem ter ido atrás de detalhes, e muitos reconheceram que o boato pode ser falso. As exceções foram poucas: um lulodescontente afirmou que informações desse tipo influenciam o voto, e uma indecisa progressista disse que a fala piorou ainda mais sua opinião sobre o candidato.
"Bom dia. Não acompanhei por completo,mas.o.pouco que vi e ouvi ,sei que é mentira Flávio é evangélico e como tal jamais diria que o Brasil não é de Jesus,e ele mesmo desmentiu estes boatos. Isso não muda em nada minha decisão de voto." (BM, 54 anos, aposentado, PB)
"Bom dia. Ouvi a notícia pela rádio e pelo que entendi, era realmente fake news a suposta fala. E sinceramente mesmo que fosse verdade não iria interferir em minha decisão." (IC, 37 anos, professor, RJ)
"Bom dia. Vi a repercussão sobre isso, porém não vi nenhum vídeo dessa fala, apenas os boatos, acredito que possa ser realmente uma fake news. Meu voto não e dele, e não há nada que ele faça que me convença a votar nele" (IC, 30 anos, maquiadora, RJ)
"Bom dia! Eu vi sim, eu não pertenço a religião nenhuma e tbm não julgo nenhuma. Acredito que isso deveria ser a Lei; respeitar a religião de todos. Nada influência meu voto pra esse homem, pq nem amarrada eu votaria nele." (IP, 26 anos, autônoma, RO)
"Boa tarde, Não acompanhei essa notícia, mas ela não tem influência, pois já tenho a convicção do meu voto." (LD, 49 anos, vigilante, MT)
"Acompanhei o caso, mas isso não influencia em nada, pois não voto neste beócio mesmo." (LL, 61 anos, administrador, PR)

Nos grupos de centro e de esquerda, a pergunta abriu espaço para uma defesa do Estado laico e do respeito a todas as religiões. Participantes sem religião, evangélicos e uma adepta do candomblé disseram que religião não deveria ser pauta de político e que não cabe colocar uma fé acima da outra. Alguns consideraram a ideia "desnecessária" ou "preocupante", por passar uma impressão de controle; uma participante reconheceu que essa mistura existe justamente para atingir determinados públicos.
As avaliações sobre o efeito religioso do episódio variaram. Um indeciso conservador da Assembleia de Deus disse não entender como um católico ainda confiaria em Flávio; uma lulodescontente evangélica avaliou que, se confirmada, a proposta seria boa para os evangélicos, mas que Flávio parece hesitar e pode perder votos dos dois lados; um lulista manifestou preocupação com o recuo do catolicismo diante do neopentecostalismo ligado à extrema direita. Entre os bolsonaristas, o argumento religioso apareceu em sentido inverso: Flávio nunca iria contra a fé do povo, e o pai dele é católico.
"Bom dia ! Não vi nada verídico sobre essa fala do Flávio, ouvi disse que me disse , e fiquei sabendo que o presidente não gostou e se pronunciou sobre isso. Eu acho que religião nao deveria jamais se pauta de políticos, mas também sei que há essa mistura afim de atingir determinados públicos. De forma alguma interfere no meu voto." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)
"Boa tarde! Acompanhei sim, vivemos em um país laico e de maneira nenhuma podemos julgar a religião do outro. Não influencia, já tenho minha opinião sobre o candidato." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)
"Eu achei um absurdo. Nossa Senhora tem um significado enorme pra muita gente, inclusive dentro da minha religião (Candomblé) então esse tipo de fala é muito infeliz e desrespeitosa. Pra mim, política não pode virar disputa de religião nem ficar colocando uma fé acima da outra. Isso pesa sim na minha visão sobre o candidat, negativamente. Mais ainda. É um asqueroso racista." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)
"Eu acompanhei a notícia sim, mas não vai influenciar no meu voto eu já tenho convicção do meu voto, mas é preocupante porque isso passa uma impressão de controle" (LD, 59 anos, educador social, CE)
"Bom dia, não influencia meu voto mas considero preocupante a fala já que para evangélicos se confirmado é uma excelente proposta mas como Flavio Bolsonaro está no muro e indeciso pasa ideia que não está decidido e acabar perdendo voto de ambos os lados que não se toleram : católicos x evangélicos" (LD, 40 anos, turismóloga, SP)
"O Flávio Bolsonaro nunca faria uma coisa dessa de ir contra a fé do povo brasileiro, e o pai dele, nosso querido presidente Bolsonaro é católico, isso é um absurdo essa mentira que inventaram" (BC, 56 anos, gerente de prestação de serviços, RJ)

Entre os lulistas e um lulodescontente, o episódio foi recebido com satisfação. Participantes disseram que é bom ver a direita sofrer com boatos, que Flávio estaria "provando do próprio veneno" e que o caso tira fôlego da campanha dele. Houve também avaliações de que, verdadeira ou não, a proposta combina com o candidato, descrito como alguém que age "nas sombras" e não tem coragem de assumir o que faz; uma participante disse que Flávio piorou a situação ao atacar a Igreja Católica. Uma indecisa progressista reagiu com dureza, chamando-o de "pessoa pequena e sem caráter".
A ressalva veio de dentro do próprio campo lulista: um participante afirmou ser "muito feio" a esquerda usar a mesma estratégia de boatos e notícias falsas da extrema direita, já que haveria muitas ações de Flávio passíveis de crítica sem necessidade de recorrer a isso.
"Bom dia a todos. Vi a notícia sim, não influencia no meu voto,pois já tenho convicção de quem votar. Mas acho legal ele provar do seu próprio veneno, e melhor ainda é a igreja católica se posicionando por seus valores e a diretoria alegando que estão fazendo campanha para o Lula" (LD, 29 anos, balconista de farmácia, RJ)
"bom dia. não há chance alguma de algo desse tipo de acontecido mudar meu voto, acredito que teria que acontecer um absurdo envolvendo a esquerda para que eu mudasse. considerando que a direita é ótima em cometer crimes, meu voto não mudará. eu não havia visto nada sobre essas supostas fakes news, tive que pesquisar em alguns sites jornalísticos para entender o contexto. fake ou não, não é difícil de saber que esse seria o tipo de coisa que Flávio facilmente faria. achei ótima a fala pública dele para tentar estabilizar a situação, ele fez piorar atacando a Igreja Católica kkkkk a burrice desse povo me encanta e me entristece ao mesmo tempo. sobre o assunto religioso em si, não me importa em nada, o país deveria ser laico, eu não sou religiosa, não possuo religião e mesmo que fosse, religião e política não devem se misturar. um outro ponto é que me agrada muito a direita passar por ataques de supostas fakes news, para que eles sintam como é passar por isso, já que é algo que fazem com frequência." (LL, 23 anos, auxiliar administrativo , RO)
"acompanhei um pouco. Não influencia meu voto, Flavio novamente tenta fazer as coisas meio "nas sombras", é descoberto e não tem caráter e coragem suficiente pra assumir" (LL, 45 anos, professor, PB)
"Não influencia muito meus votos pois não sou religioso, apesar de me preocupar com a diminuição do catolicismo em detrimento deste neopentescostalismo incentivado pela ultradireita, que é com quem Flávio conversa. Acompanhei e honestamente acho ótimo que algo tire um pouco do fôlego da campanha dele." (LL, 25 anos, auxiliar fiscal, SC)
"Bom dia!Vi sim e achei um absurdo,mais vindo dele,já era de se esperar,pessoa pequena e sem caráter nenhum. Não influência,pois meu voto nunca foi,nem nunca será dele." (IP, 28 anos, vendedora, AL)
"Para mim não influencia nada meu voto, pois ele já está previamente definido faz alguns meses. De qualquer forma, é muito feio a esquerda utilizar a mesma estratégia de boatos e notícias falsas da extrema direita. Já existe muitas ações do Flávio para se questionar, não é necessário ainda mais para descrebilizar a sua candidatura." (LL, 33 anos, tradutor, SP)

Entre os bolsonaristas convictos e moderados, o boato foi tratado como fake news produzida pelo PT e divulgada pela Globo. Os convictos se estenderam mais: citaram a retratação da emissora tarde da noite, um deles pediu punição para quem espalhou a história, atacaram Flávio Dino e o STF e disseram esperar a vitória de Flávio no primeiro turno. Os moderados usaram tom mais contido, falando em desespero da esquerda e em um debate eleitoral pobre em propostas. Em nenhum dos dois grupos alguém disse que a informação afetaria o próprio voto, embora alguns convictos tenham admitido que ela pode prejudicar Flávio entre eleitores menos informados.
Entre os indecisos conservadores e progressistas, a maioria soube do caso só de passagem e admitiu que ele pode ser falso. A notícia não mudou o voto de ninguém, porque ninguém nesses grupos pretende votar em Flávio. Os indecisos progressistas defenderam com mais ênfase o respeito a todas as religiões e o Estado laico, e uma participante do candomblé considerou a fala desrespeitosa. Entre os indecisos conservadores, dois participantes da Assembleia de Deus disseram que não votam nele, e uma delas questionou como um católico ainda confiaria no candidato.
Os lulodescontentes declararam voto decidido, mas vários classificaram o episódio como preocupante, pela impressão de controle religioso ou pela ameaça à liberdade religiosa. Um participante gostou de ver Flávio provar do próprio veneno, outro considerou que notícias assim influenciam o voto, e uma evangélica avaliou que a proposta agradaria aos evangélicos, mas que Flávio parece indeciso entre católicos e evangélicos.
Os lulistas disseram que nada muda o voto e, em sua maioria, receberam o desgaste de Flávio com satisfação, descrevendo-o como alguém que não assume o que faz. Um deles, porém, criticou a esquerda por recorrer a boatos. Entre os evangélicos de todos os grupos, as falas acompanharam o campo político de cada participante: os bolsonaristas defenderam Flávio e denunciaram a mentira, e os demais afirmaram que não votam nele ou que já decidiram o voto.

O Monitor do Debate Público (MDP) é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), sediado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (IESP-UERJ). Baseia-se no Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), metodologia desenvolvida pela própria equipe.
O POMT permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens em torno de temas da agenda pública, preferências, valores e recepção de notícias, entre outros. Opera por meio de grupos focais contínuos no WhatsApp, com participantes selecionados e moderação profissional.
Como nos grupos focais tradicionais, o formato permite que o moderador aprofunde temas sensíveis, dificilmente acessíveis por pesquisas quantitativas ou questionários estruturados.
O caráter assíncrono, próprio da comunicação no WhatsApp, favorece respostas mais refletidas — vantagem tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, já que o voto é também uma decisão que costuma exigir reflexão.
Sua continuidade temporal favorece situações deliberativas, em que cada participante é levado a elaborar suas razões em diálogo com as dos demais.
O celular é hoje o meio de comunicação mais acessível e disseminado. Por isso, participar dos grupos não exige computador nem que as pessoas interrompam suas atividades para interagir.
O MDP aplica o POMT à análise semanal do debate público brasileiro, segmentado em seis grupos de diferentes orientações ideológicas, da extrema direita à esquerda — recorte justificado por sua relevância demográfica no cenário atual.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições de 2018. Foi consultora da UNESCO e coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Presta consultoria em desenho de pesquisa qualitativa e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo, do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela Unicamp e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York (Graduate Center). Foi professor do antigo IUPERJ (2003–2010) e é, desde 2010, professor titular de Ciência Política do IESP-UERJ. Coordena o LEMEP, o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e o Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista social, mestre em Sociologia pela UFPR e doutoranda em Sociologia no IESP-UERJ, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Tem formação em UX Research e em gestão e monitoramento de redes sociais, mídias digitais e estratégias eleitorais. Atua em pesquisas de mercado e campanhas políticas e conduz moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte e em manutenção de servidores web, com especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.
Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador do INCT ReDem e dos grupos de pesquisa NUSP e Observatório das Elites, ambos vinculados à UFPR. Dedica-se à representação política parlamentar e à metodologia científica, com experiência no uso de inteligência artificial na pesquisa e na construção e análise de bancos de dados prosopográficos.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

