
O Monitor do Debate Público (MDP) deriva do Monitor da Extrema Direita (MED). O escopo original, restrito a grupos focais de bolsonaristas convictos e moderados, foi expandido mediante critérios de seleção mais sofisticados, estruturando cinco grupos que cobrem a maior parte do espectro ideológico da população brasileira atual:
G1 – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno e aprovam as invasões de 08/01.
G2 – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno e desaprovam as invasões de 08/01.
G3 – Preferências Flutuantes: não votaram em Lula nem em Bolsonaro no primeiro turno e anularam ou votaram em branco no segundo turno.
G4 – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno, mas reprovam a atual gestão.
G5 – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno e aprovam sua gestão.
Dessa maneira, o Monitor do Debate Público (MDP) capta um espectro bem mais amplo da opinião pública e dos fenômenos que orientam o comportamento político no Brasil comtemporâneo.
Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas colocados no tempo que lhes for mais conveniente, liberdade essa inexistente nos grupos focais tradicionais, que são presos à sincronia do roteiro de temas e questões colocados pelo mediador. O instrumento de pesquisa, assim, se acomoda às circunstâncias e comodidades da vida de cada um, reduzindo a artificialidade do processo de coleta de dados e, portanto, produzindo resultados mais próximos das interações reais que os participantes têm na sua vida cotidiana.
É importante salientar que os resultados apresentados são provenientes de metodologia qualitativa, que tem por objetivo avaliar posicionamentos e opiniões. Mesmo quando quantificados, tais resultados não podem ser tomados como dados estatísticos provenientes de amostragem aleatória, ou seja, as totalizações dos posicionamentos de grupos específicos não devem ser entendidas como dotadas de validade estatística mas como dado indicial.
O sigilo dos dados pessoais dos participantes é total e garantido, assim como sua anuência prévia com a divulgação dos resultados da pesquisa, desde que respeitado esse anonimato.

Entre os dias 19//05 a 25/05, dois grupos foram monitorados a partir de suas opiniões sobre questões do momento.
Compõem esses grupos 36 participantes, todos eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, divididos entre bolsonaristas radicais (G1) e bolsonaristas moderados (G2).
Cada grupo foi composto de modo a combinar variáveis como sexo, idade, etnia, renda, escolaridade, região de moradia e religião em proporções similares às da população brasileira.
Três temas foram explorados ao longo dessa semana: i) a cassação do deputado Deltan Dallagnol; ii) os atos racistas sofridos por Vinicius Jr e a intervenção política do governo Lula na questão; e iii) a avaliação da imagem de Michele Bolsonaro e de seu envolvimento no caso das joias recebidas.
Ao todos, foram analisadas 169 interações, que totalizaram 6840 palavras.
| G1 (Bolsonaristas Radicais) | G2 (Bolsonaristas Moderados) | |
|---|---|---|
| Cassação de Dallagnol | O grupo ficou dividido entre quem apoiava a cassação, seguindo a premissa de que a lei deveria ser aplicada igualmente a todos – sejam civis ou políticos – e os que avaliavam que ele havia sido preso por uma "vingança" de Lula e parcialidade do STF. | A maioria do grupo apoiou a cassação, como resultante do combate à corrupção e irregularidades eleitorais, validando a importância da aplicação da Lei da Ficha Limpa. Muitos fizeram ressalvas acerca da parcialidade das ações, indicando que outros políticos também deveriam ser cassados (inclusive Lula). |
| Atos racistas contra Vini Jr | O grupo mostrou-se solidário ao jogador e repudiou os atos sofridos por ele, defendendo assim os princípios de igualdade, respeito e amor ao próximo. A maioria do grupo aprovou as ações de Lula, mesmo fazendo questão de ressaltar que eram contra seu governo. | Unanimamente o grupo mostrou-se indignado com os fatos e avaliou que medidas mais fortes de punição (inclusive com intervenção diplomática) deveriam ser adotadas como forma de combate ao racismo dentro do esporte. O grupo seguiu favorável à intervenção política realizada por Lula e Anielle Franco. |
| Imagem de Michele Bolsonaro | Unanimamente e com afinco o grupo defendeu Michele Bolsonaro das acusações, afirmando se tratar de perseguição política contra ela, que seria uma pessoa totalmente honesta e foi uma primeira-dama de comportamento exemplar. | A maioria do grupo posicionou-se de modo a aguardar pela conclusão das investigações, não inocentando a ex-primeira dama prontamente. |

Essa semana, por unanimidade (7 votos), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu pela cassação do mandato de deputado federal de Deltan Dallagnol ex- procurador da República. O motivo: fraude à Lei da Ficha Limpa.
O que vocês acharam dessa decisão? Vocês concordam com ela? Por que?

A maioria dos participantes apoiou a decisão da cassação, avaliando que se tratou de uma medida efetiva ao combate da corrupção e irregularidades do país, sobretudo na área política. Houve valorização e fortalecimento das medidas da Lei da Ficha Limpa.
O discurso de que a lei deveria ser para todos foi recorrente entre os argumentos de aprovação à cassação.
Houve quem mencionasse ser um efeito do governo Bolsonaro, que muito se mobilizou no combate à corrupção.
"Eu achei essa decisão ótima, pois o Brasil só vai pra frente se acabar com a corrupção e roubo que tem no governo, com certeza concordo porque as coisas só vão melhorar se tiver honestidade é compromisso no governo!" (G1, 40 anos, pedagoga, RS)
"Eu concordo totalmente com a punição dele,porque a lei tem que ser cumprida para qualquer um" (G1, 26 anos, especialista em TI, PR)
"Achei eficaz ele ter sido preso! Eu concordo com a decisão porque o antigo governo já estava trabalhando em prol do combate à corrupção! Ser corrupto neste país têm suas vantagens para os políticos, a população é que sofre com a escolha indevida dos mesmos por troca de migalhas!" (G1, 42 anos, técnica administrativa, PA)
"Sim concordo .Diante de tudo q ele fez das fraudes q ele cometeu q foi gravissima foi a melhor decisão q as autoridades tomaram. porque se esse deputado continuar no mandato a corrupçao e as fraudes vão continuar acontecendo. não há como defender uma pessoa q denegriu as leis . as lei no brasil tem q ser cumprida. " (G2, 29 anos, desempregada, PI)
"Já tava na hora, lei é pra ser cumprida, concordo sim. Acho que tem que investigar mais políticos nesse Brasil." (G2, 28 anos, autônomo , AL)
"Concordo plenamente pois essa lei da ficha limpa deve ser seguida a risca pois o que vale para um vale para todos sendo assim tem que ser seguida. É uma lei que passa confiabilidade nas lei que daqui um tempo todos podem confiar que será seguida. Sem exceções" (G2, 38 anos, vendedor, RS)
"Concordo devido os crimes já cometidos por ele e já que tem a lei da ficha limpa nada mais justo que sejam para todos cumprirem. Foi essencial a cassação do seu mandato." (G2, 31 anos, contadora, BA)

Embora em minoria quantitativa, os argumentos de quem reprovava a cassação foram elaborados com mais justificativas.
A primeira delas foi sobre Dallagnol estar sendo perseguido "a mando" de Lula, que buscaria por vingança contra um dos responsáveis por sua prisão.
Outro argumento foi o de que, se a lei fosse realmente justa e aplicada universalmente, Lula e muitos outros políticos também deveriam ser cassados e pagar por seus crimes.
Ambos os discursos derivavam de certezas de que o STF estaria corrompido e agiria em parceria com o atual governo, perseguindo todos que eram contrários a atual gestão.
Segundo essa linha de pensamento, em breve, a cassação dos direitos políticos de Bolsonaro será efetivada.
"A questão é o Deltan Dallagnol, só resta dizer que esse é o governo da vingança, e vão colocar todos que estavam envolvidos com a prisão em 3° instância do maior ladrão do Brasil, eu acho que é tudo vingança em se tratando de lei da ficha limpa." (G1, 55 anos, gerente de serviços elétricos , RJ)
"Tbm acho é tudo vingança do Lula ele está com ódio de todos e quer prejudicar um por um." (G1, 47 anos, secretária, MG)
"Lei é lei e serve para absolutamente todos. É bom que ocorra situações assim, mas quantos que já deveriam ter seu mandato cassado, mas ainda não foram por influência política, por ser aliado e ter as costas quentes. Conclusão: Eles venceram, em apenas QUATRO meses. Deltan Dallagnol foi o PRIMEIRO e NÃO HÁ o que se possa fazer!" (G1, 39 anos, dona de salão de beleza, BA)
"No Brasil tem sido assim, os bons perdem e os maus vencem, o que dá certo é a corrupção. Graças aos seres iluminados dos Tribunais Superiores, o Brasil vai se consolidando o país onde a corrupção é exaltada e quem a combate é humilhado. Infelizmente estamos vivendo o pior momento da política onde ministros do STJ se dobram diante de um partido e de um presidente corrupto ladrão. Para mim, tudo se trata de vingança. E o que vem por ai? É o que tudo indica que Bolsonaro não escapará da inelegibilidade." (G1, 39 anos, cabelereira, PE)
"Vejo com temor essa cassação! Porque, claramente, estamos vivendo uma perseguição política em todo as esferas, especial no STF, que se uniu ao Partido que ganhou a Presidência para destruir politicamente todos que foram ou são oposição a ele! É absurdo! Claro que existem leis e que todos nós estamos sujeitos à ela, mas o princípio básico da Justiça é a imparcialidade e não é o que estamos vendo nesse STF! Temo pelo que pode nos acontecer com esse país!" (G1, 39 anos, contadora, BA)
"Achei uma decisão injusta, não houve fraude, ele pediu exoneração e foi dada. Ele mandou todas as provas e nem foi aceito, nem ouviram os advogados dele. Hoje toda a justiça está aparelharada por pessoas que querem comandar o país e que estão do lado de Lula." (G2, 39 anos, administradora, BA)
"É difícil concordar ou discordar dessa decisão. Por um lado há uma clara perseguição política por ele ter sido relator da lava jato e os processos que haviam conta ele já haviam cessado. Por outro lado a lei da ficha limpa deve ser cumprida mas não só pelo lado de um partido e sim por todos. As manobras políticas limpam a ficha de quem o supremo quer e suja de quem é contra suas atitudes." (G2, 43 anos, comerciante, TO)
"Acho que se fosse por conta disso que era o certo, nem presidente deveria estar em seu cargo, a única diferença é que tem ministro acobertando o mesmo! Tem que ser ficha limpa mesmo, mas para todos!" (G2, 24 anos, eletrotécnico , GO)


Em ambos os grupos, unanimamente, os participantes repudiaram as ofensas racistas sofridas por Vinicius Jr.
Além da solidariedade prestada ao jogador e da reprovação dos atos cometidos - tanto pela torcida quanto pela arbitragem e jogadores - os participantes discursaram em prol da criação de mais medidas punitivas, como formas de combate ao racismo, além da intensificação das cobranças para que as instituições envolvidas viessem a agir em prol da reparação dos danos sofridos e repreensão efetiva dos envolvidos.
No grupo 2 (bolsonaristas moderados), alguns participantes mencionaram a necessidade de o país tomar providências políticas. Ainda neste grupo, outras formas de intolerância foram lembradas, com lembretes de que a sociedade precisa atuar em conjunto para combater qualquer forma de discriminação.
"Nossa é triste !! Tenho nojo de pessoas racistas e homofóbicas!! Enquanto a lei lá fora e aqui não for mais perversa e mexer no bolso, nunca acabará" (G1, 29 anos, empregada doméstica , SP)
"Não vi o episódio, mas eu acho que o racismo tem que ser combatido porque todos nós somos iguais, ninguém é melhor que o outro, e racismo tem que ser combatido de berço, desde pequeno ensinar que não existe ninguém superior a outro, é lamentável esse tipo de coisa!" (G1, 55 anos, gerente de serviços elétricos , RJ)
"Um absurdo enorme que me faltam palavras para descrever ? Doeu na pele ver aquele vídeo ele chorando , meu coração sangrou .. o pior de tudo ele ser expulso sem ter feito nada , juíz , o dono do time todos conveniente ?"" (G1, 33 anos, assistente administrativa , SP)
"O racismo é um crime tão insano que jamais poderia ser aceito por nenhuma sociedade! Mas, em pleno século XXI, um povo se comportar dessa forma é inadmissível! Acho que toda sociedade mundial, bem como os comitês esportivos em geral, deveriam se unir em massa, não só com repúdio a esse fato - que não é isolado, como tbm com punições contra os clubes, arbitragem, jogadores e torcedores, que se envolveram direta ou indiretamente nesses crimes! Não dá mais! Chega!! Aquela partida era pra ter sido interrompida e o clube punido para jogar sem torcida por um bom tempo! Só assim eles, talvez, entenderiam a importância de ser *antirracista*!" (G1, 39 anos, contadora, BA)
"Eu quando vi a situação, eu sinceramente chorei, porque me identifiquei em situações passadas, de pessoas que duvidavam do meu trabalho e me botaram à prova... É uma vergonha para o futebol, é uma vergonha para o esporte, é uma vergonha para La Liga. Racismo é uma causa de todos, independentemente do time que você torce!! Espero que Vinicius Junior possa conseguir contornar essa situação e que se for o melhor para ele, que saia do Real Madrid!" (G1, 39 anos, dona de salão de beleza, BA)
"Ninguém deve ser vítima de injúrias e ofensas por causa de sua cor de pele, etnia, nacionalidade, orientação sexual, gênero ou qualquer outra característica pessoal. É importante que as autoridades esportivas e governamentais tomem medidas sérias para punir os responsáveis por esses atos de racismo e implementar políticas para prevenir futuras ocorrências. Além disso, é fundamental que a sociedade como um todo se engaje na luta contra o racismo e promova a diversidade, a inclusão e o respeito mútuo." (G2, 38 anos, gerente de imobiliária , SP)
"Um absurdo, a punição deveria ser cadeia para eles. A liga espanhola não tomou nenhuma providência, são pessoas nojentas, a luta contra o racismo não pode parar. Chegou a hora da diplomacia do Brasil apertar as autoridades espanholas, não adianta esperar que essa liga resolva o problema, o governo Brasileiro e CBF tem obrigação de defender um atleta Brasileiro que é vítima de crime no exterior." (G2, 39 anos, administradora, BA)
"Um negro brasileiro vindo das favelas brasileiras ,sambando e incomodando toda uma Europa racista ,pra quem pensou que um dia o racismo acabou está muito enganado, tudo isso acontecendo em um dos maiores campeonato do planeta e diante do mundo e da Fifa ,o maior órgão do futebol mundial se cala, uma vergonha. É inaceitável." (G2, 34 anos, técnica de enfermagem , AP)
"Adorei que seja um tema mencionado aqui, infelizmente é algo que se tornou recorrente na Europa, o desrespeito tem sido visto dentro e fora de campo, mais a mudança tem que ocorrer, pessoas precisam ser punidas, torcidas também e se nada adiantar também os times, deve ser tomada posições duras e severas para que isso não seja algo mais banalizado, muito triste com isso.. De verdade" (G2, 28 anos, autônoma, DF)
"Acredito que uma política de penas mais severas deveriam ser imputadas as pessoas que cometem tais crimes. Pois só assim conseguiremos de diminuir tais crimes" (G2, 54 anos, gerente senior, PA)

Muitos participantes falaram em providências mais sérias em relação ao caso do jogador Vini Jr.
O presidente Lula discursou com os seguintes termos: “É importante que a Fifa e a liga espanhola tomem sérias providências, porque nós não podemos permitir que o fascismo e o racismo tomem conta dos estádios de futebol."
E a ministra do Ministério da Igualdade Racial – Anielle Franco – também está agindo para que o caso seja tratado por entidades governamentais.
Vocês concordam com essas ações? O governo deve intervir para que providências sejam tomadas?

A maioria dos participantes concordou com as ações do governo, como forma de intensificar as cobranças para que medidas fossem tomadas pelas entidades responsáveis.
Houve o reconhecimento de que Lula estaria agindo dignamente no caso, mesmo reforçando seus posicionamentos contrários a ele e a seu governo.
"Até que enfim fez alguma coisa útil !! Acho muito importante pois só assim diminuirá o preconceito, não é a primeira também não será a última, então tomar medidas sérias e cabíveis será q melhor coisa, mexer no bolso da FIFA " (G1, 29 anos, empregada doméstica , SP)
"Com certeza! desta vez tenho que concordar, o governo deve sim intervir e tomar providências, porque só assim vamos combater o fascismo e racismo! " (G1, 40 anos, pedagoga, RS)
"Acho que em fim o governo está fazendo uma coisa útil. Porque assim muitos veram que o governo está fazendo parte e tentando tira o racismo do Brasil,mais embora sempre vai haver com o sem governo mais eles estão mostrando a sua atitude pelo o jogar para todo mundo ver que isso não é certo a se fazer " (G1, 26 anos, especialista em TI, PR)"
"Sou uma mulher de direita, conservadora e nacionalista, não gosto do Lula, mas tenho que admitir que foi um gesto nobre da parte dele reconhecer isso pelo Vinicius Jr. O fascismo, homofobia, misoginia e o racismo, são recursos desumanos que somente existem para depreciar e atacar os mais desfavorecidos. O governo deve intervir sim para que providencias sejam tomadas, porque o que estamos falando agora é algo que vai além de preferências políticas e o presidente está corretíssimo." (G1, 39 anos, cabeleleira, PE)
"Sinceramente, já passou da hora de tomarem providências, ele pode ser apenas um indivíduo, mais também é o Brasil lá fora, somos nós pessoas negras.. acho sim muito necessário que o presidente e a ministra tomem parte, acho super correto a posição dela e torço para que tomem sim os dois governos medidas para que isso não seja esquecido" (G2, 28 anos, autônoma, DF)
"Concerteza, ótima atitude do governo .. a união faz a força.. sendo o Brasil um países que luta pela igualdade cada dia , ainda sendo ele Vini Jr Brasiileiro, Devemos mostrar nossa força." (G2, 32 anos, autônoma, AP)
"Com certeza deve intervir, a voz dele é majoritária aqui dentro e sempre tem um peso muito grande, ainda mais que ele influencia muitas pessoas" (G2, 31 anos, contadora, BA)
"Concordo, o governo deve sim intervir nesse caso, visto que já são diversos ataques a Vini Jr e essa é a primeira vez que o governo brasileiro se manifesta a respeito disso. O racismo não deve ser tolerado em esfera alguma, espero que a liga espanhola e o governo tomem alguma providência o mais rápido possível." (G2, 26 anos, administrador , GO)
"Concordo, mas só acho desnecessário que em todo discurso use o termo fascista. Essa palavra voltou a moda. E sabemos mto bem que ele usa pra atingir o ex presidente, até quando não tem nada a ver." (G1, 34 anos, artesã , SC)
"Lula é uma raposa e sabe que não pode deixar passar essa repercussão toda sem ele se envolver e foi o que ele fez! Qdo ele se posicionamento publicamente, todos que são contra o racismo vão de certa forma ouvi-lo! E é isso que ele quer, espaço na mídia mundial! Mas, de qualquer maneira, eu achei mto necessário a colocação dele enquanto Presidente te do nosso país!" (G1, 39 anos, contadora, BA)

Exclusivamente no grupo 1 (bolsonaristas radicais), e por poucos participantes, houve críticas às ações de Lula no caso, julgando que ele estaria apenas aproveitando o momento "para fazer média com a população".
Colocações acerca de pessoas da esquerda serem fascistas, racistas e homofóbicas também foram feitas, numa clara inversão de posicionamentos ideológicos.
"Esse governo que está aí quer lacrar em cima do que aconteceu com o jogador de futebol, se quisesse realmente combater o racismo teria tomado providências quando o deputado Hélio foi chamado de capitão do mato e o juiz não viu racismo nessa fala, e ficou por isso mesmo, não acredito em nada de bom que venha desse governo, eles são os verdadeiros fascistas e racistas, não enganam mais ninguém. Seria muito bom se fosse verdade que vão combater o racismo mas não vão porque eles próprios são racistas, homofóbico e tudo de ruim contra a minoria." (G1, 55 anos, gerente de serviços elétricos , RJ)
"Eu concordaria se suas palavras fossem realmente de verdade. Quando sabemos que não é. Esse é o verdadeiro político, o que fala, é só para fazer média e passar por bom rapaz! O negócio é sério, Vinícius passando por momento de perseguição e o Lula vem com discurso de aproveitador. Tudo fascismo! Muitas palavras para um homem sem atitude. Um verdadeiro político..." (G1, 39 anos, dona de salão de beleza, BA)


Todos o grupo 1 (bolsonaristas radicais) e alguns participantes do grupo 2 (bolsonaristas moderados) partilham a opinião de que Michelle seria totalmente inocente perante as acusações, pois ela seria alvo de perseguição política e de notícias falsas - tal qual seu marido.
A ex-primeira dama foi caracterizada pelos participantes a partir de princípios condizentes à ideológica conservadora: dona de uma moral ilibada, religiosa, honrada e potencialmente futura ocupante de cargos públicos (foi citada para o senado e para a própria presidência).
Alguns sequer entendiam as acusações que estavam sendo feitas, avaliando como normal ela ganhar presentes.
Comparações veladas foram feitas com a atual primeira dama (Janja), essa sim acusada de gastar dinheiro público em viagens e lojas de grife.
"Acho que todo mundo têm direito de ganhar presentes, não acho que foi ilegal! Na minha opinião, ela é uma mulher que têm um trabalho social muito forte com a comunidade surda e com os especiais! Ela é uma mulher honrada, de caráter e temente a Deus. É uma forte candidata ao Senado❤️" (G1, 42 anos, técnica administrativa, PA)
"Tudo fake News e intriga que já foram desmascaradas. Basta seguir as redes sociais e fazer uma pesquisa a respeito desse assunto que você descobre a verdade, porque a mídia esquerdista que só sabe queimar reputação das pessoas da direita não se dão ao trabalho de desfazer as narrativas mentirosas, quem quiser que se lasque pra espalhar a verdade. " (G1, 55 anos, gerente de serviços elétricos , RJ)
"Tenho a melhor imagem possível da Michelle Bolsonaro ela é uma mulher de Deus que ora pelo Brasil, luta pelas surdos e mudos, ajuda muitas crianças, fez um excelente trabalho como primeira Dama, a esquerda quer manchar a reputação dela pois eles estão com medo dela ser a nova Presidente do Brasil. Ela tem o meu voto." (G1, 47 anos, secretária, MG)
"Eu tbm acho , difícil acreditar nisso. Agora se fosse o atual Presidente com a mulher q só faz comprar em lojas de grife eu ia acreditar kkkk" (G1, 33 anos, assistente administrativa , SP)
"Jair e Michelle Bolsonaro tem todas as características que valorizamos: competentes, mãos limpas, determinados, engajados, criativos e amam o Brasil. Enquanto isso Lula e Janja esbanjam, viajam pelo mundo torrando nosso dinheiro, isso sim é que é notícia." (G1, 39 anos, cabeleleira, PE)
"na minha opinião a familia de bolsonaro esta sofrendo uma perseguiçao da esquerda .a esquerda esta tentando incriminar bolsonaro e sua esposa por questoes politicas .michele bolsonaro e considerada uma mulher de carater e de respeito muito dedicada ao seu trabalho e ao seu esposo. Nao ha provas suficientes contra ela , desde o presente q ela recebeu e o dinheiro q supostamente apareceu na conta dela. enquanto as provas nao forem confirmadas michele será considerada inocente." (G2, 29 anos, desempregada, PI)
"A imagens dela é de uma pessoa de caráter. Até que se prove ao contrário." (G2, 32 anos, autônoma, AP)
"Na minha opinião não tem nada provado para incriminar Michelle isso é perseguição da esquerda acho q deveriam investigar a fundo antes de querer incriminar .." (G2, 43 anos, motorista de aplicativo , GO)

Como de costume, no grupo 2 (bolsonaristas moderados), os participantes colocaram-se em uma posição de espectadores, aguardando que a investigação fosse conduzida e finalizada, para então julgarem com propriedade a imagem de Michelle.
Afirmações de que, caso ela fosse culpada, deveria pagar pelos crimes cometidos foram recorrentes, mantendo as características do grupo, de que apoiam Bolsonaro e sua família, mas não os idolatram acima de tudo e de todos.
Poucos participantes mostraram-se em posição contrária a ela, criticando intensamente suas ações e acusando-a de ter enganado a população, por ter fingindo ser honesta e moralmente correta.
"Pelo que se sabe tudo está sendo esclarecido. E infelizmente é pura perseguição política. Lula tente que devolver 559 presentes que recebeu em viagens internacionais e pagou pelos desaparecidos já no caso da Michele ela não rende que devolver porque não estavam em poder dela. Quanto aos pagamentos foi divulgado os valores e não chega a 100 mil reais o que pelo salário recebido por parlamentares por mês é pouco e está sendo investigado. Concordo que se deve investigar tudo que indicar corrupção mas não só do lado de um político e sim de todos. Estamos cansados de políticos sendo livres de seus atos de corrupção e ainda são eleitos por pessoas desinformadas." (G2, 43 anos, comerciante, TO)
"Devem ser averiguados os fatos, sendo comprovado, deve ser punida dentro da lei conforme qualquer cidadão." (G2, 24 anos, promotora de eventos , DF)
"O fato de ser uma figura pública não a isenta de pagar por seus crimes. Se realmente ela tive culpa tem que pagar por seus crimes perante a lei. Pois ninguém deve ficar impune. E que sirva de exemplo para todos. Pois a Justiça tem que ser feita independente de quem quer seja. Pobre rico não importa" (G2, 54 anos, gerente senior, PA)
"Se existem escândalos devem existir provas, se ela realmente cometeu esses crimes deve pagar por isso." (G2, 26 anos, administrador , GO)
"Sinceramente também acho que seja mais por perseguição, porém se for comprovado algo deve sim ser punida, da forma da lei, para mim até hoje não tenho nenhuma má impressão sobre ela, acho que tudo e todos tem que cumprir a lei" (G2, 28 anos, autônoma, DF)
"Nessa questão quando ela ainda era primeira dama se tinha a ideia de uma pessoa correta, idônea que estava a frente do seu tempo sendo a mesma uma pessoa de.figura pública sendo honesta da moral e bons costumes. Mas o que se viu logo depois foi vindo a tona que na verdade não era tudo isso que ela pregava e simm algumas falcatrua , recebendo valores altos em sua conta pessoa sem alegar nada além do escândalo das joias.esta mais que provada que ela se fazia passar por uma figura que nunca foi,entrar como primeira dama aumentou seu ego,parece que foi só ela sair do cargo de primeira dama que todos seus podres vieram a tona." (G2, 38 anos, vendedor, RS)

É notável a propensão em ambos os grupos de apoiar a cassação de Dallagnol, mesmo com as ressalvas de que isso pode ser armação da esquerda ou do PT. Isso mostra que o tema da corrupção ainda mobiliza muito os bolsonaristas, os radicais e também os moderados.
No que toca os ataques racistas sofridos por Vini Jr, praticamente todos os participantes os repudiaram. A maior propensão das pessoas identificarem o racismo nos outros do que em si mesmas é um dado da pesquisa científica já bem conhecido. Isso se aplica não somente aos indivíduos, mas também às sociedades. Seria esclarecedor fazermos, no futuro, teste similar envolvendo um caso de racismo no Brasil.
Mesmo aqueles que se declaram contrários a Lula receberam bem sua postura de enfretamento aos ataques racistas sofridos por Vini Jr. Somente poucos radicais rejeitaram o comportamento do presidente, associando a sua crítica percepções bastante distorcidas acerca da agenda política da esquerda.
Novamente o tema da corrupção divide os dois grupos de eleitores de Bolsonaro, dessa vez de maneira muito clara. Os radicais apoiaram cegamente Michelle, afastando qualquer possibilidade de envolvimento, enquanto os moderados querem saber o resultado das investigações.


O Monitor do Debate Público é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), localizado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, baseado na metodologia do Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), desenvolvida por nossa equipe.
O POMT é uma metodologia inovadora que nos permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens no que toca temas da agenda pública, preferências, valores, recepção de notícias etc. Ela opera por meio de grupos focais de operação contínua no WhatsApp, com participantes selecionados e um moderador profissional.
Assim como na metodologia tradicional de grupos focais, os grupos contínuos no WhatsApp do POMT permitem que o moderador estimule o aprofundamento de temas sensíveis e difíceis de serem explorados por meio de pesquisas quantitativas ou mesmo pela aplicação de questionários estruturados.
O caráter assíncrono dos grupos do POMT, possibilitado pela dinâmica da comunicação no WhatsApp, permite respostas mais refletidas por parte dos participantes, o que é adequado tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, dado que o voto é também uma decisão que muitas vezes demanda reflexão.
Por sua natureza temporal contínua, os grupos focais do POMT são propícios para criar situações deliberativas, nas quais as pessoas se sentem compelidas a elaborar suas razões a partir das razões dadas por outros participantes do grupo.
O telefone celular é hoje o meio mais democrático e acessível de comunicação. Assim, a participação nos grupos do POMT não requer o uso de computador ou mesmo que os participantes interrompam suas atividades para interagirem entre si.
O MDP é um projeto que utiliza a metodologia do POMT para analisar, com periodicidade semanal, o debate público brasileiro, segmentado em cinco grupos de diferentes orientações ideológicas, que cobrem da extrema-direita à esquerda. Tal divisão se justifica por serem esses grupos os de maior relevância demográfica na atualidade.

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições 2018. Foi consultora da UNESCO, coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em diversas campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Realiza consultoria para desenho de pesquisa qualitativa, moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo do Estadão.
Mestre em Filosofia Política pela UNICAMP e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York, Graduate Center. Foi professor do antigo IUPERJ de 2003 a 2010. É, desde 2010, professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Coordenador do LEMEP, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).
Cientista Social e doutoranda em Sociologia pelo IESP-UERJ e mestre em Sociologia pela UFPR, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Possui formação em UX Research e cursos de gestão e monitoramento de redes sociais e estratégias eleitorais, mídias digitais e gerenciamento de redes. Possui experiência em pesquisas de mercado e campanhas políticas. Realiza moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.
Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte, manutenção de servidores web e possui especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.
Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.
Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.
O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

