Relatório 124

De 16 a 22/3/26

Temas:

  • Percepções sobre a evolução do feminicídio
  • Combate à violência contra a mulher
  • Representação feminina
Realização:
Apoio:
Metodologia

Para o ano eleitoral de 2026, renovamos todos os participantes e aumentamos o número de grupos focais contínuos no WhatsApp de 5 para 6. Substituímos o antigo grupo de flutuantes por dois grupos de indecisos: conversadores e progressistas. Na maioria das eleições os indecisos desempenham um papel fundamental, pois têm maior probabilidade de mudar de opinião, decidindo assim o resultado.

O projeto conta com um total de 50 participantes, divididos em grupos com as seguintes características específicas:

BC – Bolsonaristas Convictos: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, pretendem votar em Flávio Bolsonaro em 2026, desaprovam o atual governo e aprovam os atos de 8/1.

BM – Bolsonaristas Moderados: votaram em Bolsonaro no segundo turno de 2022, desaprovam o atual governo e desaprovam os atos de 8/1.

IC – Indecisos Conservadores: votaram em Bolsonaro ou branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à direita na escala ideológica.

IP – Indecisos Progressistas: votaram em Lula ou branco/nulo no segundo turno de 2022, estão indecisos quanto ao voto de 2026 e se posicionam mais à esquerda na escala ideológica.

LD – Lulodescontentes: votaram em Lula no segundo turno de 2022, reprovam a atual gestão, mas ainda assim pretendem votar em Lula em 2026.

LL – Lulistas: votaram em Lula no segundo turno de 2022, pretendem votar em Lula em 2026 e aprovam a atual gestão.

Evangélicos: grupo virtual formado pela agregação das falas dos participantes evangélicos dos demais grupos, com o objetivo de capturar tendências específicas desse contingente demográfico.

Todos os grupos foram montados de modo a combinar variáveis como sexo, idade, etnia, renda, escolaridade, região de moradia e religião em proporções similares às da população brasileira.

Nossa metodologia permite que os participantes respondam aos temas colocados no tempo que lhes for mais conveniente, liberdade essa inexistente nos grupos focais tradicionais, que são presos à sincronia do roteiro de temas e questões colocados pelo mediador. O instrumento de pesquisa, assim, se acomoda às circunstâncias e comodidades da vida de cada um, reduz a artificialidade do processo de coleta de dados e, portanto, gera resultados mais próximos das interações reais que os participantes têm no seu cotidiano.

É importante salientar que os resultados apresentados são provenientes de metodologia qualitativa, que tem por objetivo avaliar narrativas, argumentos e opiniões. Mesmo quando quantificados, tais resultados não devem ser entendidos como dotados de validade estatística, mas como dado indicial.

O sigilo dos dados pessoais dos participantes é total e garantido, assim como sua anuência prévia com a divulgação dos resultados da pesquisa, desde que respeitado esse anonimato.

Síntese dos Principais Resultados

Na semana de 8 a 15/3/26, os seis grupos discutiram questões candentes do debate público. No total, foram coletadas e analisadas 159 interações, totalizando 9.899 palavras.

Bolsonaristas Convictos (BC) Bolsonaristas Moderados (BM) Indecisos Conservadores (IC) Indecisos Progressistas (IP) Lulodescontentes (LD) Lulistas (LL) Evangélicos
Casos de Feminicídio Predominou a percepção de que houve tanto aumento dos casos quanto da visibilidade, com forte crítica à ineficácia das leis e do Estado. Para o grupo, o principal aumento foi na visibilidade midiática, nos registros e nas denúncias, mais do que nos casos em si. Os participantes apresentaram maior dispersão de opiniões, alternando entre aumento dos casos, maior visibilidade ou ambos simultaneamente, com recorrentes críticas à atuação institucional. Predominou a ideia de que o feminicídio sempre existiu e hoje é mais visível, com valorização do papel das leis, da denúncia e do debate público no enfrentamento do problema. Para o grupo, houve aumento tanto dos casos quanto da visibilidade, combinando reconhecimento estrutural do problema com mudanças de comportamentais recentes. Para os participantes, o feminicídio sempre existiu e o principal aumento foi na visibilidade e no debate, aparecendo de forma secundária a percepção de crescimento dos casos. Os participantes elaboraram respostas alinhados com seus grupos.
Combate à violência contra mulheres O grupo se posicionou majoritariamente a partir de uma lógica punitiva, com ênfase no endurecimento das leis e na aplicação de penas mais severas. Houve uma abordagem mais equilibrada, combinando a defesa de maior rigor na aplicação das leis com a valorização de ações preventivas, especialmente por meio da educação desde a infância. O grupo se organizou majoritariamente em torno de uma crítica à ineficiência do Estado, defendendo leis mais rigorosas e mais bem aplicadas. Os participantes priorizaram políticas públicas de educação e o funcionamento das medidas protetivas, com presença de redes de apoio às vítimas mais efetivas. Houve defesa da educação e a mudança cultural como estratégias relevantes, somadas a melhor aplicação das leis existentes. O grupo enfatizou a necessidade de campanhas de conscientização, educação e incentivo à denúncia, unidos a ampliação de mecanismos de proteção às vítimas. As respostas desse segmento acompanharam os padrões já observados nos respectivos grupos aos quais pertenciam.
Voto em mulheres O voto foi orientado principalmente por critérios como competência, preparo e propostas, com o gênero ocupando um papel secundário. Para alguns, a presença feminina poderia contribuir para ampliar a pauta. Houve maior reconhecimento de que mulheres tendem a dar mais atenção ao tema da violência de gênero. Ainda assim, esse apoio foi acompanhado pela valorização do mérito e da qualificação, mantendo o gênero como fator secundário. A decisão de voto apareceu ancorada sobretudo em propostas, valores e alinhamento político, somados a provas de competência política. A questão do gênero foi secundarizada. Houve apoio mais consistente à ideia de que mais mulheres ampliam a visibilidade e o avanço dessas pautas. Ao mesmo tempo, destacou-se a importância de coerência, compromisso e atuação concreta. Predominou a visão de que a maior presença feminina pode favorecer políticas públicas voltadas às mulheres. No entanto, esse efeito foi condicionado à atuação efetiva das candidatas e à existência de propostas claras. O grupo adotou uma posição favorável à ideia de que a maior presença de mulheres na política pode contribuir para a ampliação das pautas debatidas, mas com forte ênfase na condicionalidade de compromisso das candidatas com essas agendas. Os participantes elaboraram respostas alinhados com seus grupos.
Pergunta 10
Nos últimos anos, os casos de feminicídio têm ganhado maior visibilidade no debate público, aparecendo com frequência nas notícias, nas redes sociais e nas discussões políticas. Ao mesmo tempo, surgem diferentes interpretações sobre esse fenômeno: enquanto alguns percebem um aumento real da violência contra as mulheres, outros acreditam que o que cresceu foi principalmente a atenção dada ao tema. Na sua percepção, você acha que os casos de feminicídio realmente aumentaram nos últimos anos ou o que aumentou foi principalmente o debate e a visibilidade sobre o tema? Por quê?
Consenso sobre o diagnóstico

De forma geral, houve uma convergência bastante significativa entre os diferentes grupos quanto ao diagnóstico do fenômeno do feminicídio. Predominou a percepção de que a violência contra a mulher não é recente, mas sim um problema histórico e estrutural da sociedade brasileira, que sempre esteve presente, ainda que muitas vezes invisibilizado. Nesse sentido, a principal mudança apontada pelos participantes não foi necessariamente a origem ou surgimento do fenômeno, mas sim a forma como ele passou a ser percebido, nomeado e discutido publicamente.

Esse consenso se estruturou especialmente em torno da ideia de que houve um aumento expressivo da visibilidade, impulsionado pelas redes sociais, pela cobertura midiática, pela criação de leis específicas e pela ampliação dos canais de denúncia. A maior circulação de informações e o fortalecimento do debate público foram interpretados como fatores que contribuíram para tornar o problema mais evidente, ampliando a consciência social e incentivando denúncias. Mesmo entre aqueles que percebem crescimento nos casos, houve um reconhecimento transversal de que a visibilidade atual desempenha papel central na forma como o feminicídio é compreendido hoje.

"As redes sociais tem ajudado muito na visibilidade dos casos de feminicio. Podemos ver que agora pessoas jovens debatem sobre, fazem campanhas sociais de conscientização e cobram as leis. Casos de feminicio sempre foram um problema, no brasil, cerca de 3 a 4 mulheres são mortas por dia por violência domestica, discriminação, e outras razões." (BC, 62 anos, cirurgião dentista, SP)

"Eu acho que mais aumentou foi a forma que estão indentificando os casos. Antigamente, muitas mortes de mulheres eram registradas apenas como 'briga de casal' ou crime comum. Com as novas leis e o debate na internet, passaram a dar o nome correto: feminicídio. O debate cresceu porque a sociedade decidiu que não dá mais para aceitar essa realidade em silêncio." (IC, 38 anos, coordenadora , SP)

"Para mim os números sempre foram altos e a violência sempre aconteceu. Acontece que agora mais mulheres estão denunciando e a sociedade também está ficando mais consciente e denunciando mais. Antigamente, esse tipo de crime era acobertado por todos, pois acreditavam que em briga de marido e mulher não deveria ter a interferência de terceiros" (IC, 30 anos, educador museal, RJ)

"Eu acredito que os casos de feminicídio sempre estiveram presente na sociedade, por outro lado, antigamente pouco se falava no assunto. Hoje em dia, com a notoriedade que se tem, a visibilidade e o debate da causa aumentaram, e na verdade é necessário que cada vez mais seja abordado." (IP, 18 anos, autônoma, SP)

"Penso que houve um aumento do debate e da visibilidade sobre a violência contra a mulher e os casos de feminicídio, devido ao maior número de notificações e registros pelos órgãos oficiais e de imprensa, assim como maior empoderamento feminino para oferecer denúncia diante das agressões. Ao mesmo tempo que aumentou a discussão sobre o tema, principalmente nas redes sociais, com grupos de defesa dos direitos das mulheres de um lado e de outro os que reforçam a valorização de uma cultura machista do tipo red pill." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"Não realidade sempre ocorreu o feminicidio. Só que agora mesmo de um tempo pra cá que teve a repercussão maior.Muito pouco se falava ,mais muito acontecia muitas mulheres foram mortas,sem ao menos que a gente soubesse." (LL, 61 anos, administrador, PR)

Fragilidade das leis

Embora tenha havido convergência no diagnóstico geral do fenômeno, as diferenças entre os grupos se tornaram mais evidentes quando os participantes passaram a explicar as causas e quais fatores contribuem para sua persistência.

Num primeiro eixo, concentraram-se falas que atribuíram o problema principalmente à fragilidade das leis, à impunidade e à ineficiência do Estado. Nessa perspectiva, o feminicídio foi interpretado como consequência de um sistema que não pune adequadamente os agressores, não previne a violência e falha na proteção das vítimas. Esse tipo de explicação apareceu com maior frequência entre bolsonaristas convictos e parte dos moderados e indecisos conservadores, mas não se restringiu a esses grupos. Ainda assim, não se tratou de um posicionamento exclusivo, sendo frequentemente combinado com outras leituras.

"Os casos de feminicidios aumentaram ao longo dos últimos anos ao extremo. Infelizmente a maioria das vítimas se calaram antes de serem mortas, por medo dos agressores, e também por saber que as leis em nosso país não funcionam.""" (BC, 47 anos, administradora, BA)

"Agora aqui pra nós, tambem o governo brasileiro tem sua parcela de culpa. Tem que acabar com esse negócio de progressão de pena por bom comportamento, prisão domiciliar, saidinhas e afins. No Brasil não tem condenações mais severas, tem que ter pena perpetua ou pena de morte, mas não, são processos que demoram até o julgamento. Qual o problema de ter pena perpetua ou pena de morte? A Constituição? Muda a Constituição. A polícia provou, juiz faz o julgamento e dá a sentença. Fim. Um homem que que faz isso tem que estar ciente de que sua ação vai fazer com que mofe na cadeia e de preferência nas piores condições! Duvido que numa realidade dessa, essas ações não vão diminuir.""" (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)

"Pelo que tenho visto nas notícias e relatórios recentes, sim, parece que os casos de feminicídio aumentaram. É algo bem preocupante, porque mostra que a violência contra a mulher ainda é um problema sério no país e que ainda falta muita prevenção e proteção, sistema é ruim demais e não toma providência correta ninguém é preso nesse país é bizarro isso .." (BM, 29 anos, advogada, SP)

"O que tem que fazer para diminuir essa violência absurda é os políticos trabalharem sério e ser acertivo nas Leis que rege esse país, até porque nossa justiça tem que seguir a lei, e a lei é a grande corda bamba desse problema e os políticos são os vilões da história. No entanto, a população é quem sofre e as mulheres paga o pato." (IC, 30 anos, autônoma, SP)

"Na minha opinião,não é visibilidade, estão aumentando mesmo,tá um mata ,mata de mulheres por motivos banais,e graça a essas leis que são brandas demais. Porque em outros países não vemos isso,porque lá as leis funcionam,e não passa não em cabeça de bandidos. Não tem nada ver,com o aumento de atenção,isso realmente é sério,não adianta debater o tema,e as leis continuar,a mesma." (LD, 49 anos, vigilante, MT)

Padrões históricos de violência contra a mulher

Em outra vertente, as explicações se concentraram em fatores socioculturais mais amplos, como o machismo, as desigualdades de gênero e padrões históricos de violência contra a mulher. Nessa leitura, o feminicídio foi compreendido como expressão de uma estrutura social que naturaliza a inferiorização feminina e legitima, em diferentes níveis, a violência. Esse tipo de argumento apareceu com maior frequência entre lulistas, indecisos progressistas e parte dos lulodescontentes, mas também não foi exclusivo desses segmentos, indicando certa transversalidade dessa interpretação.

"Acredito que os casos de feminicídio aumentaram, mas também houve muito mais visibilidade sobre o tema. Hoje a mídia, as redes sociais e as leis específicas fazem com que esses crimes sejam mais denunciados e discutidos. Por isso, além do aumento dos casos, o debate e a atenção da sociedade também cresceram bastante." (IP, 28 anos, customer care analist, SP)

"Acredito que as duas coisas aumentaram; o aumento de de casos e de notícias sobre. Percebo que a cada dia que se passa o amor do ser humano pelo outro se reduz a ponto de matar o outro por nada e a vida das milhares desde os antigos tempos sempre foi colocado numa posição de inferioridade sendo vista apenas para procriar e cuidar das casa e até hoje vemos falas de homens e pensamentos dessa forma. Acredito também que com o mundo mais conectado e o uso da internet possibilitam as informações circularem de maneira mais rápida, assim como as mulheres estão cansadas de serem mortas todos os dias por seus companheiros ou por simplesmente serem mulheres.""" (LD, 30 anos, maquiadora, RJ)

"Penso que houve um aumento do debate e da visibilidade sobre a violência contra a mulher e os casos de feminicídio, devido ao maior número de notificações e registros pelos órgãos oficiais e de imprensa, assim como maior empoderamento feminino para oferecer denúncia diante das agressões. Ao mesmo tempo que aumentou a discussão sobre o tema, principalmente nas redes sociais, com grupos de defesa dos direitos das mulheres de um lado e de outro os que reforçam a valorização de uma cultura machista do tipo red pill." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"Além do aumento do debate e visibilidade no tema feminicídio houve aumento nos casos, isso se deve a falta de interação social, cada vez mais jovens e alguns adultos estão perdendo costumes de conduta social pela virtualização da sociedade além do vício em pornografia e grupos de ódio a mulher assim contaminando uma parcela da população" (LL, 59 anos, educador social, CE)

Pergunta 11
Na sua opinião, quais ações poderiam ser adotadas - pela sociedade e pelos políticos - para reduzir os casos de violência e de feminicídio no Brasil?
Endurecimento e efetividade das leis

Com maior presença entre bolsonaristas convictos, moderados e indecisos conservadores, predominou a percepção de que a violência contra a mulher estaria diretamente associada à impunidade e à fragilidade na aplicação das normas existentes, o que levaria à defesa de punições mais severas e de um sistema de justiça mais ágil e rigoroso. Nesse enquadramento, a solução para o problema foi frequentemente associada à capacidade do Estado de impor sanções mais duras e garantir seu cumprimento efetivo, funcionando como elemento dissuasório para os agressores.

Além do aumento das penas, destacou-se a demanda por maior efetividade das medidas já previstas, especialmente no que diz respeito ao cumprimento de decisões judiciais e à atuação das instituições de segurança. Houve recorrência na ideia de que leis existem, mas não funcionam na prática, seja pela morosidade do sistema, seja pela ausência de fiscalização e resposta imediata.

Ainda que mais dominante entre segmentos à direita, esse eixo também atravessou grupos mais ao centro e à esquerda, ainda que articulado a outras dimensões. Nesses casos, o endurecimento das leis apareceu menos como solução única e mais como componente necessário dentro de um conjunto mais amplo de políticas. Ainda assim, a convergência em torno da necessidade de reduzir a impunidade e tornar o sistema mais eficaz indica que este foi um dos pilares mais compartilhados entre os diferentes perfis analisados.

"Creio que se as leis fossem mais severas e se fosse dado realmente aquela importância para a violência contra a mulher, muitas coisas mudariam… pois vemos que, normalmente o cidadão não tem medo e nem pensa nas consequências na hora de agredir uma mulher, pois sabemos que na maioria das vezes fica impune." (BC, 29 anos, analista de sistemas, PA)

"""Pode até parecer um copia e cola da minha mensagem anterior, mas é o que falei anteriormente, tem que acabar com esse negócio de progressão de pena por bom comportamento, prisão domiciliar, saidinhas e afins. No Brasil não tem condenações mais severas, tem que ter pena perpetua ou pena de morte... tem que assustar e gerar o medo de que eles vão perder a vida.""" (BC, 39 anos, auxiliar de vida escolar, SP)

"""Na minha opinião deveria ter mais seriedade, reforçar a lei e dar o suporte necessário a vítima pra começar a dar certo, e precisa ter mais propagandas visíveis incentivando a denúncia...""" (IC, 29 anos, professor, RJ)

"Na minha opinião, eu acredito que teria que começar criando leis mais severas... acho que poderia ser um bom meio de fazer a medida protetiva funcionar melhor, mais punição prós que chegam a cometer o crime." (IC, 24 anos, advogada, RO)

"Na verdade o problema não é a pena, e sim o sistema como um todo... chega na audiência, eles conseguem uma brecha na lei e conseguem até responder em liberdade." (BM, 28 anos, vendedora, AL)

"Na minha opinião a pena deveria ser maior para casos de feminicídio, e as leis deveriam ser bem mais rigorosas. As medidas protetivas deveriam ser seguidas a risca..." (LL, 38 anos, representante de atendimento, AL)

"Na minha opinião somente campanhas contra não surtem efeito sozinhas... o principal deve ser o endurecimento da lei que aborda o feminicídio." (LD, 48 anos, servidor público, PA)

Proteção, apoio às vítimas e prevenção

Majoritariamente entre lulistas, indecisos progressistas e lulodescontentes, os participantes destacaram que a redução da violência depende mais da proteção imediata das vítimas quanto da atuação preventiva sobre suas causas, especialmente por meio da educação. Nesse sentido, emergiu a percepção de que o problema não se resolve apenas com leis mais duras, mas com a construção de um ambiente social que iniba a violência antes que ela ocorra.

As respostas enfatizaram a importância de redes de acolhimento e suporte multidimensional, incluindo abrigo, apoio psicológico, assistência financeira e oportunidades de autonomia, ao mesmo tempo em que defenderam ações educativas desde a infância, voltadas à promoção de valores como respeito, igualdade e controle emocional. A ideia de que a violência está ligada a padrões culturais e comportamentos aprendidos apareceu de forma recorrente, reforçando a necessidade de atuar na formação de crianças e jovens, bem como na conscientização da sociedade como um todo. Também foi destacada a importância de campanhas públicas e do debate em diferentes espaços sociais, como escolas, famílias e comunidades.

"Acredito que aumentar o apoio às mulheres, com mais delegacias especializadas e locais seguros para acolhimento. Incentivar cada vez mais as denúncias e não se calar diante da violência." (IC, 38 anos, coordenadora, SP)

"Também ações pela sociedade, introduzir esse tema em novelas, em campanhas, e também aumentando a pena na legislação..." (BM, 41 anos, turismólogo, PE)

"Terceiro, apoio pra mulher sair da situação. muitas não denuncia pq depende financeiramente ou não tem pra onde ir, então abrigo, ajuda financeira e suporte psicológico fazem diferença real." (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)

"Precisa ser discutir essa pauta desde a escola... Outro passo importante é o fortalecimento de uma rede de apoio para as vítimas..." (IP, 22 anos, assistente administrativa, PE)

"Na minha opinião, tem que intensificar as campanhas contra a violência a mulher com apoio psicológico financeiro e segurança para que a mulher não volte para o agressor." (LL, 56 anos, assessora administrativa, RJ)

"Eu acredito q deveria ser ensino auto defesa nas escolas para as meninas, combater o machismo nas crianças desde pequenas, mais acolhimento para as mulheres que sofreram violência..."" (LD, 47 anos, professora, MT)

"Penso que fundamentalmente precisamos humanizar a formação que damos aos nossos filhos e filhas... precisamos que os políticos apresentem propostas de políticas públicas que respeitem, defendam os direitos das mulheres..." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"Creio que uma vez que já temos legislação específica... seria o caso de massificar o incentivo às denúncias... bem como ampliar ações que envolvam tecnologias..." (LL, 28 anos, vendedora, PA)

Pergunta 12
Na sua opinião, eleger mais mulheres aumenta a chance de pautas como o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher serem mais priorizadas? O que te motiva — ou te impede — de votar em candidatas mulheres?
Ênfase na competência

Entre os segmentos mais à direita, especialmente entre bolsonaristas convictos e parte dos bolsonaristas moderados, a ideia de que eleger mais mulheres poderia favorecer a priorização de pautas como o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher foi, em geral, aceita, mas quase sempre sob forte relativização. Ou seja, não houve rejeição frontal à hipótese, mas sim uma tendência a tratá-la como possibilidade condicionada, e não como consequência esperada da maior presença feminina na política. Nesses grupos, apareceu com frequência a percepção de que o simples aumento do número de mulheres eleitas não seria suficiente para garantir mudanças concretas, já que a atuação política foi entendida como dependente de fatores mais amplos, como correlação de forças, votações internas, compromisso individual das parlamentares e capacidade efetiva de transformar pautas em ação institucional.

Assim, o gênero foi reconhecido como elemento potencialmente relevante, mas insuficiente em si mesmo. Mesmo quando admitiam que mulheres poderiam trazer mais atenção ao tema, os participantes deslocavam rapidamente o centro da avaliação para outros critérios, como competência, mérito, preparo, honestidade e abrangência das propostas. Em vez de uma defesa enfática da representação feminina como valor político em si, predominou uma leitura segundo a qual a legitimidade da candidatura depende de atributos individuais e resultados esperados.

"Acredito que eleger mais mulheres pode aumentar a chance de combate ao feminicídio e violência contra a mulher, porém depende muito da candidata e do real compromisso dela, não é qualquer pessoal que faria real diferença. O que me motiva á votar nos candidatos é a competência, preparo, as ideias e o histórico, sendo homem ou mulher." (BC, 48 anos, do lar, SP)

"Pode sim melhorar porém tudo é questão de votação interna não adianta ter várias mulheres lutando pelo nosso direito e chega na câmera e a votação é mais baixa que outra pauta, para ter meu voto não engloba só pauta sobre mulheres vai muito além disso aí você elege uma mulher que só fala sobre feminicidio e esquece as outras pautas prestada não vejo como melhoria nenhuma." (BC, 29 anos, desenvolvedor web, SP)

"Acredito que eleger mais mulheres ajuda muito a colocar o combate à violência feminina no topo da lista! Mas, no fim das contas, o voto deveria ser para quem mostra que é competente e que vai realmente resolver os problemas da população" (BC, 29 anos, analista de sistemas, PA)

"Para mim, não importa se o candidato é homem ou mulher. O que importa é a capacidade de trabalhar em função das necessidades, interesses e direitos do povo brasileiro, com foco em resultados. Quanto à honestidade e princípios, importante ressaltar que são características imprescindíveis." (BC, 44 anos, do lar, MT)

"Nao me impede em nada, inclusive apoio totalmente mulheres em liderancas, gestoras, em cargos majoritarios, desde QUE TENHAM conhecimento tecnico, especifico e que seja colocada ou investida por MERITOCRACIA, da mesmissima forma que um homem deveria ter. Muitas vezes e dou a mao a palmatoria, mulheres sao mais eficazes do que os homens em varios cargos." (BM, 32 anos, gerente de vendas, PA)

"Com certeza eleger mulheres aumenta as pautas como combate ao feminicidio e violência contra elas. Afinal elas são as que definitivamente sofrem com isso e tem a maior propriedade para falar sobre os assuntos. Não tenho nada contra votar em candidatas mulheres. A principal análise a ser feita serão suas propostas e medidas de governo." (BM, 72 anos, pensionista, RJ)

Ênfase na representatividade

Entre os grupos mais progressistas — especialmente indecisos progressistas, lulistas e parte dos lulodescontentes —, o gênero assumiu um papel mais central na forma de interpretar a questão. Nesses segmentos, a presença feminina na política foi mais diretamente associada à experiência vivida, à identificação coletiva e à ideia de representação substantiva, em que mulheres seriam capazes de compreender, formular e priorizar com maior propriedade pautas relacionadas à violência de gênero. Diferentemente dos grupos mais conservadores, onde o argumento apareceu de forma mais abstrata ou condicional, aqui a relação entre “ser mulher” e “defender essas pautas” foi construída de maneira mais concreta, ancorada na vivência cotidiana, no reconhecimento de vulnerabilidades compartilhadas e na percepção de que essas experiências tendem a influenciar a atuação política.

Ao mesmo tempo, esse maior peso atribuído ao gênero não se traduziu em apoio automático ou acrítico às candidatas mulheres. As falas indicaram que, embora a representatividade fosse valorizada como elemento importante — inclusive como forma de ampliar voz, visibilidade e avanço de direitos —, ela, por si só, também não substituía critérios como coerência, firmeza de posicionamento e capacidade de atuação. Assim, embora o gênero reforçasse a legitimidade e a expectativa de engajamento com a pauta, a decisão de voto permaneceu condicionada à avaliação concreta das propostas e da trajetória das candidatas.

"Pra mim, faz total sentido ter mais mulheres em posição de nos defender, de falar por nós, de agir por nós. Seria de grande melhora se houvessem mais, apoio muito." (IP, 37 anos, auxiliar de creche, RJ)

"Pode aumentar sim, pq mulher geralmente vive isso mais de perto ou conhece alguém que já passou por situação assim, então tende a dar mais atenção pra essas pautas." (IP, 32 anos, técnico em logística, SP)

"Acredito que só aumenta se as mulheres que forem votadas estiverem de fato dispostas a lutar por isso, pois temos muitas mulheres que ocupam esses cargos e não fazem nada." (LL, anos, )

"eu acho que depende da mulher. Só aumente se for uma mulher que dê visibilidade a esse tipo de pauta." (LL, 27 anos, operador de telemarketing, BA)

"Penso que eleger mais mulheres pode ser um caminho de ter mais políticas públicas direcionadas às mulheres, pensadas por elas mesmas e não pelos homens." (LD, 29 anos, professora, RJ)

"Eu acredito que sim, pq mulheres vivem realidades parecidas e tem medos iguais, portanto, acredito q tendo mais mulheres no poder, elas podem sim pensar mais nas questões femininas e procurar soluções." (LD, 47 anos, professora, MT)

"O que me motiva é justamente isso, buscar candidatas que possam ajudar as questões femininas, principalmente quanto a violência." (LD, 47 anos, professora, MT)

Considerações finais

A semana trouxe a temática do aumento dos casos de violência contra as mulheres e feminicídio ao debate. A análise conjunta das três questões mostrou um padrão claro: houve convergência no reconhecimento do problema, mas diferenças na forma de interpretá-lo e enfrentá-lo.

Na primeira questão, mais voltada ao diagnóstico, independentemente do posicionamento político, de forma geral, os participantes reconheceram que o feminicídio não é um fenômeno recente, mas histórico e persistente, e que passou a ganhar maior visibilidade nos últimos anos. O aumento do debate público, das denúncias e da cobertura midiática foi amplamente percebido como um elemento central para a compreensão atual do problema, ainda que muitos também tenham indicado a percepção de crescimento real dos casos. Esse consenso indica, sobretudo, que há uma base comum de entendimento sobre a gravidade do assunto.

As diferenças entre os grupos apareceram principalmente na forma de explicar o problema. Argumentos centrados em falhas nas leis, impunidade e ineficiência do Estado foram mais frequentes entre bolsonaristas convictos, parte dos bolsonaristas moderados e indecisos conservadores. Já leituras de caráter estrutural, ligadas ao machismo, às desigualdades de gênero e às mudanças nas relações sociais recentes, apareceram com mais frequência entre lulistas, indecisos progressistas e parte dos lulodescontentes. Ainda assim, essas associações não foram exclusivas nem rígidas. O que se observou foi uma diferença de ênfase, em que determinadas leituras se destacaram em alguns segmentos, mas também apareceram, ainda que com menor frequência, nos demais.

Esse mesmo padrão se repetiu nas propostas de enfrentamento. As diferenças entre os grupos apareceram principalmente na prioridade dada aos caminhos de solução, mas sem que fossem excludentes ou opostas. Parte relevante dos participantes, especialmente entre segmentos mais à direita e indecisos conservadores, estruturou suas respostas a partir de uma lógica centrada no endurecimento das leis e na necessidade de reduzir a impunidade, entendida como fator que contribui para a continuidade da violência. Já entre lulistas, indecisos progressistas e lulodescontentes, ganhou mais força uma abordagem que combina proteção efetiva às vítimas, fortalecimento de redes de apoio – para que mulheres possam sair de relacionamentos abusivos – e ações preventivas, especialmente por meio da educação e da mudança de padrões culturais machistas. Nesse grupo, também apareceram debates sobre a efetividade das políticas já existentes, com a percepção de que o Brasil não carece necessariamente de novas leis, mas de maior capacidade de fiscalização e aplicação das mesmas.

Na última questão, independentemente do posicionamento político, houve também uma compreensão compartilhada de que a representação feminina pode influenciar a agenda pública, seja pela vivência, pela identificação ou pela maior sensibilidade ao tema.

Esse reconhecimento, no entanto, apareceu de forma condicionada. Em todos os segmentos, destacou-se a ideia de que o gênero, por si só, não garante compromisso com essas pautas. Os participantes ressaltaram a importância de propostas consistentes, histórico de atuação e capacidade de entrega. Assim, consolidou-se uma leitura em que a representação feminina é vista como uma oportunidade, mas sua efetividade depende da atuação concreta da representante, reforçando uma lógica de apoio não automático, baseada em critérios de desempenho político.

Mesmo com esse núcleo comum, os grupos se diferenciaram na forma de atribuir significado à representação feminina. Segmentos mais conservadores tenderam a adotar uma abordagem mais pragmática, em que a identidade de gênero tem menor peso diante de critérios como competência e propostas amplas. Já os grupos mais progressistas deram mais destaque à experiência e à representatividade, condicionados a posicionamentos genuínos de combate ao problema. Em conjunto, esses achados apontam para uma valorização crescente da presença feminina na política, particularmente entre progressistas, ainda que sustentada por uma lógica de apoio condicionado, em que identidade e desempenho precisam caminhar juntos para produzir efeitos eleitorais.

Avaliando o cenário eleitoral, os resultados mostram que a pauta da violência contra a mulher tem potencial de mobilização. Há espaço para candidaturas que consigam articular, de forma convincente, combate à impunidade, proteção efetiva às vítimas e ações preventivas, dialogando com diferentes perfis do eleitorado. No entanto, estratégias baseadas exclusivamente na identidade de gênero tendem a ter alcance limitado, já que o apoio à representação feminina está condicionado à entrega concreta e à credibilidade das candidatas. Ou seja, embora exista uma base comum de reconhecimento do problema, a disputa eleitoral tende a se concentrar menos na existência da pauta e mais em quem apresenta soluções mais claras, equilibradas e confiáveis para enfrentá-la.

É interessante notar que a enorme energia que a extrema-direita dedica a demonizar a chamada “ideologia de gênero”, marca criada com essa exata intenção, parece não ter surtido efeito muito relevante sobre a opinião do eleitorado pelo menos em relação a essa questão específica da violência contra a mulher. O quadro geral desse tema é de baixa polarização.

Distribuição da Participação
MDP

O Monitor do Debate Público é um projeto do Laboratório de Estudos da Mídia e da Esfera Pública (LEMEP), localizado no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da UERJ, baseado na metodologia do Painel de Monitoramento de Tendências (POMT), desenvolvida por nossa equipe.

O POMT é uma metodologia inovadora que nos permite monitorar de modo dinâmico a opinião pública e suas clivagens no que toca temas da agenda pública, preferências, valores, recepção de notícias etc. Ela opera por meio de grupos focais de operação contínua no WhatsApp, com participantes selecionados e um moderador profissional.

Assim como na metodologia tradicional de grupos focais, os grupos contínuos no WhatsApp do POMT permitem que o moderador estimule o aprofundamento de temas sensíveis e difíceis de serem explorados por meio de pesquisas quantitativas ou mesmo pela aplicação de questionários estruturados.

O caráter assíncrono dos grupos do POMT, possibilitado pela dinâmica da comunicação no WhatsApp, permite respostas mais refletidas por parte dos participantes, o que é adequado tanto para a pesquisa social quanto para a eleitoral, dado que o voto é também uma decisão que muitas vezes demanda reflexão.

Por sua natureza temporal contínua, os grupos focais do POMT são propícios para criar situações deliberativas, nas quais as pessoas se sentem compelidas a elaborar suas razões a partir das razões dadas por outros participantes do grupo.

O telefone celular é hoje o meio mais democrático e acessível de comunicação. Assim, a participação nos grupos do POMT não requer o uso de computador ou mesmo que os participantes interrompam suas atividades para interagirem entre si.

O MDP é um projeto que utiliza a metodologia do POMT para analisar, com periodicidade semanal, o debate público brasileiro, segmentado em cinco grupos de diferentes orientações ideológicas, que cobrem da extrema-direita à esquerda. Tal divisão se justifica por serem esses grupos os de maior relevância demográfica na atualidade.

Equipe MDP

Carolina de Paula – Diretora geral

Doutora em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Coordenou o IESP nas Eleições, plataforma multimídia de acompanhamento das eleições 2018. Foi consultora da UNESCO, coordenadora da área qualitativa em instituto de pesquisa de opinião e big data, atuando em diversas campanhas eleitorais e pesquisas de mercado. Realiza consultoria para desenho de pesquisa qualitativa, moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade. Escreve no blog Legis-Ativo do Estadão.

João Feres Jr. – Diretor científico

Mestre em Filosofia Política pela UNICAMP e mestre e doutor em Ciência Política pela City University of New York, Graduate Center. Foi professor do antigo IUPERJ de 2003 a 2010. É, desde 2010, professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ). Coordenador do LEMEP, do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) e do Observatório do Legislativo Brasileiro (OLB).

Francieli Manginelli – Analista sênior e coordenadora de recrutamento

Cientista Social e doutoranda em Sociologia pelo IESP-UERJ e mestre em Sociologia pela UFPR, com experiência em relações de consumo e estratégias de comunicação. Possui formação em UX Research e cursos de gestão e monitoramento de redes sociais e estratégias eleitorais, mídias digitais e gerenciamento de redes. Possui experiência em pesquisas de mercado e campanhas políticas. Realiza moderações e análises de grupos focais e entrevistas em profundidade.

André Felix – Coordenador de TI

Mestre em Ciência Política pelo IESP-UERJ. Tem experiência em planejamento e desenvolvimento de sistemas computacionais de pequeno e médio porte, manutenção de servidores web e possui especialização em modelagem e implementação de bancos de dados relacionais.

Pollyanna Bretas –

Jornalista e doutoranda em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). É professora da Graduação em Jornalismo da ESPM. Atuou por dez anos como repórter de economia na Editora Globo. É mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em Política & Sociedade pelo IESP-UERJ. Recebeu os prêmios ABECIP de Jornalismo e CNT.

Vittorio Dalicani – Analista Jr.

Mestrando em Ciência Política na Universidade Federal do Paraná, pesquisador do INCT ReDem e dos Grupos de Pesquisa NUSP e Observatório das Elites, vinculados à UFPR. Tem como interesses de pesquisa representação política parlamentar e metodologia científica. Possui experiência com a utilização de Inteligência Artificial na pesquisa cientifica, bem como na estruturação e análise de bancos de dados prosopográficos.

INCT ReDem

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Representação e Legitimidade Democrática (INCT ReDem) é um centro de pesquisa sediado no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), financiado pelo CNPq e pela Fundação Araucária.

Reunindo mais de 50 pesquisadoras(es) de mais de 25 universidades no Brasil e no exterior, o ReDem investiga, a partir de três eixos de pesquisa (Comportamento Político, Instituições Políticas e Elites Políticas) as causas e consequências da crise das democracias representativas, com ênfase no Brasil.

Sua atuação combina metodologias quantitativas e qualitativas, como surveys, experimentos, grupos focais, análise de perfis biográficos e modelagem estatística, produzindo indicadores e ferramentas públicas sobre representação política, qualidade da democracia e comportamento legislativo.

O objetivo central do ReDem é gerar conhecimento científico de alto impacto e produzir recursos técnicos que auxiliem cidadãos, jornalistas, formuladores de políticas e a comunidade acadêmica a compreender, monitorar e aperfeiçoar a representação política democrática no Brasil.

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Caso Lulinha; EUA e crime organizado no Brasil; Reações à fala de Ratinho sobre Erika Hilton

Conflito Irã x EUA; Ato Acorda Brasil; Caso Banco Master

Principais Problemas do Brasil; Expectativas para o pleito; Reeleição de Lula

Avaliação pró-liderança; Avaliação adversário; Rede Globo

Pré-candidatura de Flávio Bolsonaro; Aprovação da Dosimetria; Cassação do mandato de Carla Zambelli

Leis Ambientais; Posicionamentos de Michele Bolsonaro; Combate ao Feminicídio

Prisão de Bolsonaro; Patentes e salários de militares condenados; Avaliação do Governo

Redução Inicial de Tarifas - EUA; Remoção de Linguagem Neutra; Indicação de Jorge Messias ao STF

Papel da mulher na política; Fim do auxílio-reclusão; Licença-paternidade

Global Citizen Amazônia; Progresso x meio-ambiente; Cúpula de Chefes de Estado na COP30

Reunião Lula e Trump; Megaoperação no RJ; Criação do Escritório Emergencial

Reforma Casa Brasil; Município Mais Seguro; Nepotismo e STF

Adulteração das bebidas; Precarização do Trabalho; Reunião entre Chanceler Brasileiro e Secretário de Trump

Declarações de Flávio Bolsonaro; Reforma da estabilidade dos servidores públicos; Críticas ao governo Lula.

Manifestações anti-PEC da Blindagem; Decisões prioritárias do Congresso; Declarações de Trump

Assassinato de Charlie Kirk; Novo programa do governo: Vale-gás; Confiança nos meios de comunicação

Declarações de Tarcísio de Freitas; Reações às falas dos Ministros; Condenação de Jair Bolsonaro

Expectativas sobre Julgamento de Bolsonaro; Pauta da Anistia no Congresso; Percepções sobre o Julgamento

Fiscalização das emendas parlamentares; PEC da blindagem; Megaoperação

Prisão de Hytalo Santos; Saída do país da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto; Áudios de Silas Malafaia

Mudanças na CNH; Vídeo de Felca; Sanções dos EUA ao Mais Médicos.

Manifestações pró-Bolsonaro; Prisão de Bolsonaro; Motim de Deputados Bolsonaristas

Denúncia contra Nikolas Ferreira; Medida de ajuda a refugiados; Imposição de Lei Magnitsky

Revogação dos vistos americanos de ministros do STF; Atitudes de Eduardo Bolsonaro; Alckmin e negociações sobre taxação

Entrevista de Lula; Veto de Lula ao aumento de deputados; Medidas cautelares contra Bolsonaro

Percepção de pobres x ricos; Implanon no SUS; Taxação de Trump

Vídeo sobre Imposto; Substituto de Bolsonaro; Comunicação da Direita e Esquerda

Infraestrutura e falhas governamentais; Resgate de Juliana Marins; Anulação de Decreto (IOF)

Ataques de Israel; Atuação do governo na economia; Papel social do governo

CLT; Interrogatório de Bolsonaro; Audiências de Ministros no Congresso

Política migratória dos EUA; Câmeras corporais nas fardas; Condenação de humorista.

Imagem de Janja; Ataques a Marina Silva; Programa Mais Especialistas

Responsabilidade pela Segurança Pública; Programa SuperAção SP; Anistia a Dilma Rousseff

Número de Deputados Federais; Mídia e INSS; CPI das BETS

Fraude no INSS; Papa Francisco; Viagem de Lula à Rússia

Prisão de Collor; Terapias hormonais em adolescentes; Camisa vermelha da seleção

Bolsa Família como Inclusão Social; Minha Casa, Minha Vida para Moradores de Rua

Ampliação da Isenção para Igrejas; Código Brasileiro de Inclusão

Governadores em Ato pró-Anistia; Percepções sobre os EUA; Percepção sobre Donald Trump

Identidades políticas adversárias; Autoidentificação de grupo; Percepções sobre crimes de abuso sexual

Aumento da Faixa de Isenção do IR.; Condenação de Carla Zambelli.; Bolsonaro Réu por Ataques à Democracia.

Passeata de Bolsonaro por anistia; Licenciamento de Eduardo Bolsonaro; Avaliação do Governo Federal.

Prisão de Braga Netto;Aprovação do do pacote de cortes de gastos;Concessão de benefícios extras

Tarcísio de Freitas e o uso de câmeras;Regulamentação de IA;Declarações de Moro e a Cassação de Caiado.

Isenção do IR; PEC dos Gastos Públicos; Divergências entre Mercado e Governo.

Tentativa de Golpe: informações gerais; Indiciamento de Jair Bolsonaro; Pedido de Anistia

Especial G20: Falas de Janja; Percepeções gerais; Avaliação de pautas

Símbolos religiosos em órgãos públicos; PEC para fim da escala de trabalho 6x1; Atentado em Brasília.

Retirada de livros com conteúdo homofóbico.; Vitória de Trump.; Programa Pé de Meia.

Fragmentação da Direita; Anulação de condenações da Lava-Jato; Reunião de Lula com governadores

Participação do Brasil no BRICS; Mudanças de candidato no 2T; Caso Gustavo Gayer

Privatização de estatais; Fake News nas eleições; Eleição de policiais e militares

CPI das apostas online; Aumento da pena para crimes contra a mulher

Decisão do voto: Direita x Esquerda; Voto no PT; Campanha 2024 e expectativas; Avaliação dos Resultados

Descriminalização das Drogas; Ens. Religioso; Escola cívico-militar; Aborto; Prisão de mulheres que abortam

Violência entre Datena e Marçal; Regras do debate eleitoral; Definição do voto

Manifestação convocada por Bolsonaro; Atuação de Marina Silva; Prisão de Deolane

Suspensão do X (antigo Twitter); Queimadas florestais; Acusações sofridas por Silvio Almeida

Semana Temática: Bolsa Família; Auxílio Brasil; Privatização das Estatais

Pablo Marçal; Folha contra Moraes; Suspensão das Emendas

Temático: Casamento Homoafetivo; Adoção por casal Gay; Cotas Raciais

ESPECIAL ELEIÇÕES MUNICIPAIS: Interesse pelo Pleito; Gestor Ideal; Apoios de Lula e Bolsonaro

Temático Segurança: Porte de Armas; Pena de Morte; Redução da Maioridade Penal

Desistência de Joe Biden; Declarações de Maduro; Declarações de Tebet

Atentado contra Trump; Cotas na Política; Fala de Lula

Espectro ideológico; Avaliação do Governo Lula; Isenção de Multa para Irmãos Batista

Saúde de Pessoas Trans; Lula e o Câmbio; Indiciamento de Bolsonaro

Aumento para os Procuradores de SP; Descriminalização da Maconha no país; Golpe na Bolívia

Lula no G7; Críticas de Lula ao BC; PL dos Jogos de Azar

Eleições nos EUA; Arthur Lira e o Conselho de Ética; PL 1904

Parada LGBT+; Terceirização da Escola Pública ; Escolas Cívico-Militares

Acusações contra Zambelli; PEC das Praias; Veto à criminalização das Fake News

Benefício Emergencial no RS; Absolvição de Moro; Imposto sobre Importações

Fake news da tragédia; Fala de Eduardo Leite; Fuga de condenados bolsonaristas

SEMANA PETROBRÁS - Privatização, Desenvolvimento e Meio Ambiente

Saídas Temporárias, Condenações de 8/1, Atuação de Presidentes em Calamidades Públicas

Manifestação pró-Bolsonaro em Copa, Novos programas para pequenos empresários e empreendedores; Elon Musk e Alexandre de Moraes

Caso Marielle; Comissão de mortos e desaparecidos; Percepções sobre a ditadura

Taxação dos super ricos; Fraude na carteira de vacinção; Áudios de Cid

Segurança Pública em SP; Nikolas na Comissão de Educação; 60 anos da Ditadura

#Diário Gal Heleno #Economia #Pautas para Mulheres

Manifestação pró-Bolsonaro; Isenção tributária a entidades religiosas; iii) Mudanças nos mandatos

Guerra do Iraque; Vacinação da Dengue; Vídeo de Bolsonaro

#Investigações do Golpe #Fuga dos Detentos de Mossoró

#Aproximação entre Lula e Tarcísio de Freitas #Avaliação de Bolsonaro #Avaliação de Lula

Abin e Alexandre Ramagem; Carlos Bolsonaro e espionagem; Erros no ENEM

Percepções sobre a vida atual, Eleições municipais, Programa

Janones, Declarações de Lula sobre Dino, Indulto de Natal

Falas de Michele, Auxílio a Caminhoneiros e Taxistas, Apoios de Criminosos

#Dados do desemprego no Brasil #Colapso ambiental em Maceió #Disputa entre Venezuela e Guiana

Fim das Decisões Monocráticas, Morte de Clériston Pereira, Dino no STF

#Pronunciamento de Janja #Redução dos custos das Passagens Aéreas #Redução dos custos dos Combustíveis

Militares na Política, Privatizações, Dama do Tráfico no Planalto

#Déficit Zero na Economia #Gabinete do Ódio #Redação do ENEM

Desvio de Armas, Jair Renan na Política, 2a. Condenação de Bolsonaro

Veto dos EUA, Milei, Violência no Rio de Janeiro

GUERRA: Crianças, Resgate de Brasileiros, Conselho de Segurança

Violência no RJ, Fake News da Vacina, Oriente Médio

Inclusão de Pessoas Trans, Grampos de Moro, Conselho Tutelar

Golpismo renitente, Canais de informação bolsonaristas, Gal. Heleno

Rede Globo, Jair Renan, Casamento Civil Homoafetivo

Desfile da Independência, Operação Lava Jato, Desastre no RS

O silêncio de Jair e Michele, Hábitos de Consumo de Informação, Voto Secreto no STF

Zanin, Faustão e a Taxação das Grandes Fortunas

Relatório #19 MED

ESPECIAL: O CASO DAS JOIAS

Tarcísio, Zema, Avaliação 7 meses do Governo Lula

Bolsa família, Laicidade do Estado e MST

Taxação de fundos exclusivos, Marielle e Porte de Arma

Escolas Cívico-Militares, Ataque a Moraes e Desenrola

Tarcísio vs. Bolsonaro, Lula no Mercosul e Aprovação de Lula

Condenação, Plano Safra e Inércia Bolsonarista

Julgamento, PIX e Condenação de Bolsonaro

Julgamento, Cid e políticas sociais

Valores: Marcha, Parada e Aborto

Temas: Zanin / substituto de Bolsonaro

Monitor da Extrema Direita

Os temas da semana são: (1) Investigações sobre os depósitos an

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